REFUGIADOS por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Não vemos as coisas como elas são, vemo-las como nós somos.  Anaïs Nin

Portugal tem demonstrado ao longo da História que tanto é capaz de expulsar como é capaz de receber outras gentes. Em 1991 criou uma ONG, o Conselho Português para os Refugiados, sem fins lucrativos, tendo como principal objectivo a promoção de uma política de integração mais humanizada.

Quem não se lembra da emocionante solidariedade com o povo de Timor? “ Timor Leste jamais virará as costas aos refugiados” disse Ramos Horta. Ele e os timorenses sabem bem o que é estar no exílio.

Portugal é um dos países da Europa que mais refugiados tem acolhido.

A Comissão europeia apela aos países para se esforçarem e receberem refugiados, mas ainda há países que não receberam nenhum. Em alguns deles há uma forte corrente de opinião, que colhe frutos perante as populações, esses países agitam bandeiras de desconfiança e de falta de solidariedade, ou seja, são países que não estão a respeitar a Declaração dos Direitos Humanos. Erguem muros de cimento com arame farpado para que os refugiados não entrem nos seus países. Amedrontam as populações com o perigo de acolher os refugiados pois, entre eles, podem vir também bombistas, terroristas…

A falta de coesão social europeia envergonha qualquer povo.

O que irá fazer a Comissão Europeia?

Organizações formais e informais, pessoas que espontaneamente criaram correntes de solidariedade  para integrar e para proteger quem foge de uma guerra sem tréguas e sem sinais ao fundo do túnel…são o exemplo vivo de que mulheres e homens são seres solidários.

Uma das principais áreas de intervenção do CPR é o atendimento jurídico, gratuito, que permite o acompanhamento do processo de acolhimento e integração dos refugiados em Portugal.

Portugal adoptou, como medida de acolhimento, distribuir os refugiados pelos diversos municípios. Neste momento as zonas que têm mais refugiados são Lisboa e Guimarães.

É uma política que tenta minorar o sofrimento dos refugiados, pois estão mais perto do poder local, que terá competências para providenciar o bem-estar de todos.

É uma medida política que vai favorecer um convívio intercultural de vizinhança em que se podem trocar experiências e conhecimentos de vida diferentes.

Tem também como objectivo o ensino do Português como Língua Não Materna capacitando-os para uma melhor integração social e cultural.

O Conselho Português para os Refugiados foi o representante da ACNUR em Portugal.

O Conselho Português para os Refugiados (CPR), criou o espaço “A criança” que apoia os requerentes de asilo e refugiados em todas as fases do procedimento de asilo, de acolhimento e de integração na sociedade.

O objectivo do espaço A Criança é estimular um convívio, entre crianças de várias origens, que reconheça as atitudes positivas relativamente às diferenças multiculturais.
A Multiculturalidade é um tema importante para que se possa crescer, enquanto criança, a respeitar as diferenças e a consolidar as igualdades.

Oxalá estas crianças saibam fazer de uma sociedade multicultural uma sociedade intercultural e assim o mundo passaria a ser diferente, mais justo e mais livre.

 “ Eles não sabem nem sonham/ que sempre que um Homem sonha/ o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança”.

Será verdade?

 

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