É missionário de formação. Da empresa missionária Boa Nova, cujo seminário principal está situado em Valadares, V. N. Gaia. Em vez de ir por todo o mundo anunciar o Evangelho a toda a criatura, como titula agora a sua Carta pastoral para o ano 2016-2017, ficou-se pelo seminário Boa Nova, onde chegou a ser o Superior da empresa, ao mesmo tempo que era professor da Universidade Católica, pólo do Porto. Quando o Núncio apostólico, em nome do papa, lhe acenou com a cereja do episcopado, quase desmaiava, de satisfação interior e, depois de um longo silêncio, logo ali acabou por aceitar a nomeação papal, pois claro, uma vez que o Núncio lhe garantia de viva voz que essa era a vontade de Deus. A comprovar que a vontade do Papa de Roma é a vontade de Deus, uma vez que, para o cristianismo católico romano, Deus e Papa são a mesma realidade. E o missionário de formação, cuja saúde já então não abundava por aí além, reduziu todo o mundo aonde dizia que havia sido enviado a evangelizar, à diocese de Lamego, onde, depois da ordenação episcopal tem vivido numa crescente e preocupante apagada e vil tristeza, como um desterrado, sem brilho nos olhos, tamanha a frustração que carrega na mente que lhe adoece todo o corpo. É nessa condição que, cada ano, escreve pelo menos uma Carta pastoral, intencionalmente dirigida aos diocesanos, mas numa linguagem que não é a das populações da diocese nem do país, muito menos, do mundo do terceiro milénio. E que não passa de uma masturbação episcopal bíblica do princípio ao fim, que não pode deixar de preocupar até o mais insensível. Com um obsessivo recurso a palavras em hebraico bíblico, que nem os judeus da actualidade e os estudantes da Universidade entenderiam, muito menos as populações às quais a Carta se dirige. Um desastre, portanto.
Só no último parágrafo da Carta, como quem, por fim, parece querer descer à terra, concretamente, à diocese de Lamego para onde foi desterrado e onde definha a olhos vistos, recorre a termos aparentemente realistas, mas vagos e redondos q.b. que dizem tudo e nada ao mesmo tempo. Como de resto é timbre da generalidade dos bispos católicos em Portugal, na Europa e no mundo, dado que o universo deles é paralelo ao das populações e dos povos das nações, como tal, nunca se encontra com o delas, deles. São clérigos de proa, o mesmo é dizer, esquizofrénicos que não se reconhecem nem se deixam curar, porque isso implicaria despojar-se de toda aquela ganga doutrinal terrorista, cristã, dogmática católica com que são formatados e de todos aqueles privilégios que ela lhes garante, embora o preço que todos tenham de pagar por isso seja o mais elevado de todos, nada mais nada menos do que a perda da própria alma, da própria identidade. Que o cristianismo, lá onde se instala como um demónio, é isso que fatalmente faz. Apodera-se da alma-identidade de cada filho de mulher e faz dele um monstro de luxo, mascarado com exóticas vestes que o distinguem dos seres humanos de carne e osso e os torna em tudo semelhantes àqueles dementes que fogem dos hospitais psiquiátricos, a pensar e a dizer a toda a gente que são Napoleão, ou o imperador de Roma, ou os donos do mundo. E porque se pensam-dizem assim, é também assim que vivem, sem nunca se aperceberem que são mais tolerados do que que acolhidos, amados.
A verdade é que, por mais anos que vivam no território que lhes foi destinado, são sempre estranhos, separados dos demais. Fazem com mais ou menos jeito o papel que lhes está destinado pelo demente-mor, o papa de Roma, mas é como se o não fizessem, uma vez que são sempre estranhos, impostos por Roma, não escolhidos pelas populações que nem sequer chegam a ser previamente informadas, muito menos, consultadas. Estranhamente, as populações, de já tão formatadas que são desde o nascer ao morrer, não se lhes opõem, mas também não vão nunca pelo que eles dizem, muito menos, pelo que eles fazem. A menos que também já tenham sido apanhadas pela doutrina e se assumam como cristãos-católicos praticantes, em vez de humanos praticantes. Ainda assim, não são tão dementes como os clérigos de proa, porque fora daqueles rituais e daqueles espaços clericais, ainda conseguem levar uma vida com algo de humano. Ao contrário dos bispos e demais clérigos que nunca saem do seu universo, não vá perderem o lugar, o poder e a subserviência das populações residentes na diocese e no mundo católico romano.
Eis então o que diz o último parágrafo da Carta pastoral de D. António Couto: “Para esta experiência viva de missão, de oração e de alegria, convoco todos os diocesanos da nossa Diocese de Lamego: sacerdotes, diáconos, consagrados, consagradas, fiéis leigos, pais, mães, avôs, avós, famílias, jovens, crianças, catequistas, acólitos, leitores, agentes envolvidos na pastoral, membros dos movimentos de apostolado. A todos peço a graça de promoverem mais encontros de oração, reflexão, formação, perdão, partilha e amizade. Mais. Mais. Mais. A todos peço a dádiva de uma mão de mais amor a todos os irmãos e irmãs que experimentam dificuldades e tristezas, e também àqueles que junto de nós vierem procurar a esmola do refúgio. Mais. Mais. Mais. A todos peço que experimentemos a alegria de sairmos mais de nós ao encontro de todos, para juntos celebrarmos o grande amor que Deus tem por nós e sentirmos a alegria da sua misericórdia. Que cada um de nós sinta como sua primeira riqueza e dignidade a de ser filho de Deus com muitos irmãos à sua volta. E para todos imploro de Deus a sua bênção, e de Maria, no centenário das suas aparições em Fátima, a sua proteção carinhosa e maternal.”
Leram e não pasmarm! Pois é verdade: a isto se resume a Carta pastoral do bispo de Lamego. É para este tipo de coisas-actividades que ele escreve a Carta e convoca quantas, quantos dos residentes no território da diocese ainda se assumem como cristãos-católicos romanos praticantes. Só que convocá-los para este tipo de iniciativas e pseudo-actividades pastorais é o mesmo que nada. Todas elas não têm literalmente nada a ver com o gongórico título da carta pastoral, “Ide por todo o mundo e anunciai o evangelho a toda a criatura”. Conclusão: Nem o bispo sabe o que diz-escreve, nem as populações residentes em Lamego sabem o que o bispo pretende dizer-lhes/ anunciar-lhes. Puro jogo de palavras, pura masturbação episcopal que deixa tudo como está, por isso, cada vez pior. Porque quando não se é aquela igreja dos dois ou três reunidos-religados em nome de Jesus, a viver impulsionados pela sua mesma Ruah ou Sopro maiêutico, transformadora do mundo como o fermento metido na massa, melhor fora que não houvesse igreja. Porque então ela mais não faz do que desviar as populações do essencial que é contribuírem para transformar este nosso mundo de cristão em humano, de demente em sapiente, de estranhos uns com os outros em sororais-fraternos uns com os outros, de submissos e subvservientes em seres humanos livres, autónomos, senhores dos próprios destinos e dos destinos do planeta Terra.
Como que a comprovar toda a inutilidade e todo o mal que as dioceses e paróquias cristãs católicas romanas estão a fazer à humanidade, lá onde chegam e se instalam, no caso, no território da diocese de Lamego, é também a iniciativa acabada de divulgar pela Agência Ecclesia e que se insere no âmbito da Carta pastoral de D. António Couto. Eis, em síntese: O selecionador nacional de futebol, Fernando Santos, profere, dia 21, em Meda, diocese de Lamego, uma conferência sobre “Evangelizar é uma das minhas vocações”. E a gente a pensar que a vocação do beato católico Fernando Santos era ser o que é seleccionador de futebol, o dos milhões. Afinal, é também propagandista do falso evangelho do futebol dos milhões e do seu deus, o Dinheiro. Tanta beatice junta dá no que dá: o nosso país é cada vez mais refém do grande Capital, com populações apanhadas pela ambição do Dinheiro, do Sucesso, do Fútil, do Pornográfico, do Crime-sem-castigo. Mas não pensem que Fernando Santos, amante do Futebol dos milhões e do Sucesso está sozinho nesse final de tarde-início de noite. Com ele está também um trio de padres fadistas (!!!), dois à guitarra (padres Carlos e Chico) e um outro, Abel, como intérprete. E é assim que, desde Lamego, se vai por todo o mundo anunciar o Evangelho a toda a criatura!!! Mas é para este tipo de coisas que existem os bispos residenciais e os párocos seus funcionários. Todos obedientes ao patrão-mor, o bispo de Roma e papa-chefe de estado do Vaticano. Acordemos!