EDITORIAL: O PACTO GERMANO-ITALIANO FEZ ONTEM 80 ANOS

logo editorialFoi no dia 25 de Outubro de 1936 que Adolf Hitler e Benito Mussolini assinaram um pacto que unia os destinos da Itália fascista e da Alemanha nazi. O eixo  Roma-Berlim teria uma primeira prova de fogo ao intervir de forma coordenada na Guerra Civil de Espanha que eclodira meses antes. Dois loucos serviam de pontas da lança que iria dilacerar o mundo até 8 de Maio de 1945. Pessoalmente, detestavam-se.

Um livro editado pela Rizzoli, de Milão, obra do jornalista Mauro Suttora – Mussolini segreto – (“Mussolini Secreto”), baseado no diário de Clara Petacci encontrado após a guerra, revela a aversão do Duce ao Füeher. Hitler considerava Benito Mussolini um inconsequente palhaço; porém ignorava- se que o ditador ialiano disputava a Hitler o “mérito” de campeão do anti-semitismo («Hitler è un sentimentalone»). Tinha crises de fúria quando desgnavam Hitler pioneiro do anti-semitismo: «Eu já era racista em 1921. Não sei como podem pensar que imito Hitler se ele nem era conhecido. Os italianos deveriam ter mais sentido da raça, para não criar mestiços que irão estragar o que temos de bonito», dizia no «Manifesto della razza», documento defensor da tese da superioridade da etnia itálica.

Desprezava Franco: «Esse tal Franco é um idiota. Julga que ganhou a guerra com uma vitória diplomática, só porque alguns países o reconheceram, mas tem o inimigo dentro de casa. Se tivesse só metade da força dos japoneses, já teria acabado com tudo há quatro meses. São apáticos [os espanhóis], indolentes, têm muita coisa dos árabes. Até 1480 os árabes dominaram a Espanha, foram oito séculos de domínio muçulmano. Aí está a razão porque comem e dormem tanto».

Ameaçava o Vaticano com o corte de relações – «Questo papa è nefasto», afirmava referindo-se a Pio XI. «Se os do Vaticano continuam assim, vou cortar todas as relações com eles. São uns miseráveis hipócritas. Proibi os casamentos mistos e agora o Papa pede-me para casar um italiano e uma preta. Não! Vou-lhes partir a cara a todos».

Da leitura do livro de Suttora, que transcreve as confidências de Mussolini a Clara Petacci, fica a ideia de um homem pouco inteligente, sem controlo emocional, iletrado. Brutal, para usar uma só palavra. Hitler, um pouco mais culto, era também incapaz de dominar uma auto-idolatria patológica. Estes dois seres vulgares e sem sentido de humanidade, foram donos do mundo e ladravam os seus discursos odiosos tautologias, slogans vazios…

Faz hoje 80 anos, assinaram a pena de morte de dezenas de milhões de pessoas.

 

 

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