A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro – É agora claro: Clinton é a candidata da guerra II

Selecção  e tradução de Júlio Marques Mota

Revisão de Francisco Tavares

A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro

É agora claro: Clinton é a candidata da guerra

Daniel Lazare

Fonte : Le Grand Soir, Daniel Lazare, 11/10/2016

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Daniel Lazare

(conclusão)

 

Uma Escalada Perigosa

Quanto à “zona de exclusão aérea” que Clinton invocou, o general Martin E. Dempsey, presidente dos Chefes de Estado-maior, avisou no princípio de 2012 que isso significaria a mobilização de até 70.000 soldados americanos para neutralizar todo o vasto sistema anti-aéreo sírio – e isso era antes de a Rússia ter decidido reforçar as defesas da Síria instalando mísseis sofisticados S-300 e S-400. Uma “zona de exclusão aérea” constituiria igualmente um ato de guerra onde os Estados Unidos poderiam disparar sobre as forças sírias, mas também sobre as forças russas e iranianas. O resultado seria uma vasta escalada.

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Por último, o denegrir sistemático da Rússia por parte de Clinton mostra a que ponto a sua visão do mundo se tornou bélica. Se Trump foi o primeiro aquando de um debate presidencial a ameaçar a sua rival de prisão, Clinton foi a primeira a acusar o seu adversário de ser um agente de uma potência estrangeira hostil.

Contudo, os esforços de Clinton para culpar a Rússia pelo desastre/descalabro na Síria não têm nenhum sentido. Afinal de contas, a Rússia [eliminar só] entrou em guerra apenas em Setembro de 2015, ou seja mais de quatro anos depois do sangue ter começado a correr. Mais do que ambição e agressividade, é claro que os objetivos russos são muito mais pragmáticos. O presidente russo Vladimir Putin sabe muito bem que se Assad cair, será uma repetição da vitória dos talibans no Afeganistão em 1996, mas a uma escala muito maior.

Como Alastair Crooke, um diplomata e veterano da informação militar britânica, observava no final de 2015, Putin vê a Síria como “a verdadeira linha da frente da Rússia”:

“A Rússia recorda como, após a guerra no Afeganistão, um Islão radical de tipo wahhabita se estendeu do Afeganistão até à Ásia central. A Rússia recorda igualmente como [eliminar é que] a CIA e a Arábia Saudita inflamaram e utilizaram a revolta chechena para enfraquecer a Rússia. …

“Mas também, o presidente Putin partilha a perceção de muitos na região de que a América e os seus aliados não são sérios a respeito de quererem vencer o Daesh. Sentindo que o Ocidente estava em vias de ser convencido pela Turquia em estabelecer uma zona de exclusão aérea – que teria terminado como na Líbia, no caos – Putin jogou a sua sorte/a sua carta: entrou em guerra contra “o terrorismo”, bloqueou o projeto da Turquia “de re-otomanizar ” o norte da Síria, e desafiou o Ocidente a juntar-se a ele nesta iniciativa.“

A ideia era [eliminar de] forçar os Estados Unidos a efetuarem uma verdadeira guerra contra os salafistas violentos que ameaçavam a Rússia através do seu ponto fraco. Se tal é o caso, a iniciativa não produziu o efeito esperado porque [eliminar teve êxito] apenas conseguiu provocar a cólera do establishment intransigente da política estrangeira em Washington, e que ficará sem dúvida furioso se os rebeldes a leste de Alepo forem vencidos.

Trump no nevoeiro

Trump, [eliminar em] homem de negócios estúpido como é, parecia perdido no seu próprio nevoeiro. Uma ou duas vezes, contudo, parecia ter uma vaga ideia dos problemas que estavam em jogo. “Agora, a senhora arma-se em dura, disse ele de Clinton:

“Arma-se em dura contra Putin e Assad. Fala a favor dos rebeldes. Ela nem sequer sabe quem são os rebeldes. Sabem, sempre que nós apoiamos os rebeldes, quer seja no Iraque ou noutro lugar, armamos pessoas. E sabem o que se passa? Eles acabam por ser piores que aqueles que derrubam. Olhem para o que ela fez na Líbia com Kadhafi. Kadhafi foi eliminado. É o caos. E diga-se, de passagem, Daesh controla uma boa parte do seu petróleo. Estou certo que já ouviu falar disso. Foi um desastre. O facto é que praticamente tudo o que a senhora fez foi um erro e um desastre”

O comentário de Trump era correto, mais ou menos. Seja que Clinton não sabe quem são os rebeldes, seja que está de tal forma cega pelo seu ódio a Putin e Assad que está-se nas tintas para o resto.

Trump teve razão também ao dizer que os rebeldes têm-se revelado ser frequentemente pior que os homens fortes que eles derrubam. Na vida real, Mouammar Kadhafi era um fantoche grotesco. Mas comparado com certos cortadores de cabeças salafistas que preencheram o vazio do poder na Líbia, parece-se, retrospetivamente, mais com um Desmond Tutu.

A mesma coisa pode ser dita de Assad. Ele está sem dúvida mais próximo de um Michael Corleone sírio, mas por ter sido capaz de sobreviver a cinco anos de massacres dos Estados Unidos, Turquia, Arábia Saudita – e em comparação com os fanáticos bárbaros de Al-Qaeda e de Daesh – seria antes um Nelson Mandela.

Em qualquer caso, Hillary Clinton anunciou claramente a sua posição. Um voto nela é um voto para uma guerra consideravelmente alargada no Médio Oriente e uma confrontação, provavelmente militar, noutros lugares com a Rússia. Por tão má que seja a situação na Síria, no espaço de alguns meses poderia ser bem pior. Não digam que não foram prevenidos.

Daniel Lazare

 

Traduction “à choisir, je préfère un raciste à un assassin” par VD pour le Grand Soir avec probablement toutes les fautes et coquilles habituelles.

Fonte : Le Grand Soir, Daniel Lazare, 11/10/2016

27 réponses à C’est désormais clair : Hillary Clinton est la candidate de la guerre, par Daniel Lazare

A América, e com ela o Ocidente, num impasse perigoso com as eleições presidenciais de Novembro – É agora claro: Clinton é a candidata da guerra I

 

1 Comment

  1. Concordo com o articulista. Não sei se Clinton não será mais perigosa para a paz relativa que ainda se vive no mundo que o amalucado do Tramp. O Bill, marido da dita cuja, promoveu as guerras da Bósnia e do Kosovo. Tem as mãos sujas de sangue.

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