A ALDEIA por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Onde está a Aldeia?

Sempre houve crianças abandonadas cujos motivos, que o justificam, são similares durante as diferentes épocas.

Crianças não aceites pelos pais, crianças cujas mães não têm possibilidades de as criar. Crianças filhas de ambientes agressivos e de violência intrafamiliar.

Crianças filhas de mães adolescentes, crianças filhas do acaso…

Crianças filhas na diferença étnica.

Há poucos dias foi encontrado um bebé nas escadas interiores de um prédio.

É frequente dizer-se, e bem, que não há recursos para abranger todas as crianças.

 Não há recursos suficientes, pois não, o que há são crianças abandonadas, maltratadas e negligenciadas a mais.

Uma criança foi encontrada num caixote do lixo. Tem família constituída com dois filhos. O casal que a encontrou ficou com ela, não foi para nenhuma instituição. Passaram-se mais de trinta anos…

É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança, onde está essa aldeia?

Neste caso a aldeia chamou, também a si, a responsabilidade de zelar pela vida deste menino.

Cada vez mais se vêem, na televisão, casos de crianças que não têm uma família que as queiram.

Quem as encontram sujas, com fome, com medo entregam-na à PSP.

 Estas crianças compreenderiam a história de Hensel e Gratel melhor do que ninguém.

Há crianças que são mortas pelos pais ou pelas mães.

Se forem diferentes, atrasadas, como referem, são capazes de as terem fechadas, e bem fechadas, totalmente separadas do mundo por vergonha perante a sua aldeia.

Quando o caso é denunciado à PSP, torna-se notícia de telejornal. “Como puderam fazer isto aos próprios filhos?” Estes filhos serão, ou não, institucionalizados, está resolvido o problema.

A questão de crianças abandonadas vem de longe e não se adivinha melhores tempos para as crianças. Andam milhares de crianças abandonadas, pela Europa, são filhas de uma guerra brutal (todas são), não conhecem os seus direitos e os Estados não os cumprem.

As crianças abandonadas desenvolvem formas de sobrevivência física nas cidades, nos campos ou nas florestas.

O harmonioso desenvolvimento da Criança não existe. A Criança cresce porque tem que crescer. Muitas das organizações defensoras dos Direitos da Criança esforçam-se para que pelo menos as crianças tenham um “lar” em que possam crescer, apesar do medo do barulho, será um tiro? será uma bomba? será um prédio a cair? será um menino a chorar ao ser retirado dos escombros?

A vida reserva a estas crianças um mundo cheio de escombros, alguns serão elas a desbravar, mas por muito que desbravem nunca mais se vão encontrar.

 

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