FRATERNIZAR – De CRISTÃO a HUMANO, Seda Publicações – O QUE FICA DAS IGREJAS CRISTÃS, DEPOIS DESTE LIVRO?! – por MÁRIO DE OLIVEIRA

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A Edição é única e limitada a 750 exemplares. Outras mais se poderão seguir, mas apenas em suporte digital. Trata-se de uma edição numerada e rubricada pelo Autor, Presbítero-Jornalista da Igreja de Jesus que está no Porto, sob a forma de clandestinidade, como o fermento na massa e o sal na comida. Ou como o grão de mostarda que quase não damos por ele, de tão pequeno, mas que, escondido na terra, germina e dá um arbusto – o oposto do deus-todo-poderoso como o deste tipo de mundo do Poder religioso e financeiro, absolutamente esmagador dos povos – onde até os pássaros – as mulheres, os homens libertos de todas as amarras dos sistemas religiosos e laicos do Poder e das suas perversas ideologias-teologias – podem repousar e recuperar energias nos seus ramos, saudavelmente expostos ao Vento, à intempérie.

Ordenado Presbítero em 5 de Agosto de 1962 pela Igreja clandestina de Jesus que está no Porto e que é capaz de actuar até sob a chancela eclesiástica que dá pelo nome de diocese do Porto, uma parcela do Poder eclesiástico católico romano e protestante, seu inimigo mais próximo e mais feroz, o Autor, felizmente, não chega nunca a adaptar-se à função de sacerdote que ela pretendia que ele fosse, numa hedionda traição à sua vocação, desde o ventre materno. E ele, para sua felicidade, acaba por se ver dispensado dessa função pelo bispo titular de então, António Ferreira Gomes, no dia 21 de Março de 1973, o mesmo dia em que é preso, segunda vez, pela PIDE/DGS, por praticar-anunciar o Evangelho de Jesus, o filho de Maria, concretamente, em Macieira da Lixa, concelho de Felgueiras, onde era o pároco, desde Outubro de 1969. Pode, desde então, manter-se, como nos primeiros dias depois de ordenado, exclusivamente Presbítero, metido, não nos templos que Deus, o de Jesus, detesta, mas no mundo que Deus, o de Jesus, ama e onde também actua-trabalha em permanência, sábados e domingos incluídos. Simultaneamente, faz-se Jornalista profissional (Carteira 492, 1975), para, desse modo singular, poder ser Presbítero de graça, como veementemente recomenda-exige o Evangelho de Jesus que lhe cabe praticar-anunciar, “Dai de graça o que de graça recebestes”.

É graças a todo este seu singular percurso de vida de presbítero, primeiro, dentro do sistema eclesiástico que ele, natural e progressivamente, faz implodir com o seu ser-viver de menino, e depois como Presbítero-Jornalista, que o Autor, hoje à beira de completar 80 anos de idade (8 Março 1937), pode finalmente escrever e editar um Livro como este, provavelmente, o primeiro e o único deste género no mundo ocidental e no mundo em geral. Pela primeira vez na história, dispomos, a partir de agora, de uma desafiadora e interpeladora visão teológica-jornalística dos acontecimentos que mais marcam a nossa actualidade nacional, europeia-ocidental, mundial. Uma visão inigualável a todos os títulos, porque atravessada, da primeira à última página, por aquele Sopro de Humor/Amor maiêutico, que é o outro nome de Deus,o de Jesus Nazaré. É preciso lê-lo para crermos. E logo acolhermos-escutarmos-praticarmos.

O Livro (268 pgs) tece-se ao longo de 301 Crónicas Exemplares, escutadas e escritas durante quase 2 anos, concretamente, de 19 de Agosto 2014 a 3 de Junho 2016, e aqui reproduzidas por ordem cronológica, em 6 partes, cada uma das quais com um título em forma de Pergunta. Assim: Parte I, Mas não há alternativa a este sistema democrático?; Parte II, O que esconde o voluntariado, a caridadezinha?; Parte III, Acaso ainda são homens?; Parte IV, Cultuar a cruz ou destruí-la? ; Parte V, Leis e mais leis, ou valores humanos?; Parte VI, Quando passamos de cristãos a seres humanos? Curiosamente, a Crónica de abertura e a de encerramento aparecem também tituladas em forma de pergunta e ambas fazem explicita referência a concretas posturas públicas do papa Francisco. A saber, respectivamente: Crónica 1, Viram-ouviram o papa e não se escandalizaram? Crónica 301, Para lá dos refugiados, quem mais se afoga-morre no Mediterrâneo?!

Depois de lermos-escutarmos-digerirmos este Livro, percebemos melhor porque o Autor nunca quis enveredar pela literatura de ficção, com a qual poderia abordar à vontade a realidade nua e crua, sem ter de conhecer dissabores, só louvores até prémio Nobel ou da Sociedade Portuguesa de Autores, à qual, de resto fez questão de não pertencer, apesar de, por várias vezes e por diferentes pessoas, ter sido convidado. Este Livro, para lá de nos revelar o casamento perfeito entre o Presbítero e o Jornalista, por isso, Presbítero-Jornalista, em total fusão, nenhuma confusão, revela-nos também a realidade quotidiana e humana nua e crua, sem quaisquer eufemismos. Só que enquanto a literatura de ficção diverte-se com a realidade e esconde-a, quando mais parece pô-la a nu – só por isso é premiada pelos do Poder – estas Crónicas Exemplares apresentam-nos a realidade tal e qual ela é, sem o manto ideológico-teológico com que sempre nos é apresentada, para que nunca cheguemos a vê-la tal e qual, sempre a confundamos com as respectivas encenações.

Não é então de estranhar – e o Autor é o primeiro a senti-lo na própria pele – que quem assim se assume como Presbítero-Jornalista consequente veja o seu nome proscrito pelos sistemas de poder, a começar pelo mais antigo e mais poderoso de todos, o religioso-e-eclesiástico, o mesmo que dá cobertura e legitimidade aos outros dois, o poder político armado e o poder económico-financeiro. E não só o seu nome. Também os seus livros e a sua própria pessoa. Desde que reiteradamente diz às populações e aos povos que o rei vai nu, que o poder vai nu, que o papa vai nu, nem sequer as populações mais oprimidas e desamparadas estão com ele. Incapazes de se assumirem na história, preferem passar a vida entre a chibata dos patrões e dos clérigos e a caridadezinha que de quando em vez eles decidem ter para com elas.

O mais surpreendente, porém, é que o Autor sempre se apresenta perante os demais como o mais frágil dos seres humanos, sem qualquer espécie de protecção, alegremente desarmado e assim tão à mercê e tão à mão de todos, que eles, desconcertados, não sabem o que fazer com ele, muito menos como desfazer-se dele. Recorrem então à sua arma preferida, a do seu mais completo desprezo, sem se aperceberem – são cegos e guias cegos – que com isso cavam a sua própria sepultura. É que eles passam e a realidade nua e crua continua aí a gritar, O rei vai nu, O papa vai nu, O poder vai nu. Até as armas e toda a sofisticada tecnologia de ponta em que se apoiam, é a eles próprios, primeiro, que asfixiam e matam. E deles ficam apenas – e para sua vergonha – os mausoléus de luxo, os panteões, bonitos por fora, cheios de podridão por dentro.

A concluir, uma pertinente Pergunta se nos impõe: Depois de todas as revelações que nos faz este Livro, “de CRISTÃO a HUMANO, Crónicas Exemplares”, o que fica deste tipo de mundo do Poder, a começar por todas as igrejas cristãs?

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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