CARLOS DE MATOS GOMES – BISCATES – ENTRE O MANICÓMIO E A GRUTA DO ALIBABÁ

biscates

Paula Teixeira da Cruz disse ter sido ameaçada, perseguida e agredida durante os anos em que esteve no Governo, como ministra da Justiça! Em entrevista à revista Sábado, fala dos vários episódios dramáticos que viveu a partir de 2012: apontaram-lhe um laser à cabeça, dispararam tiros na casa da filha, ter-lhe-ão entrado em casa, enviado um rato morto e até lhe terão feito golpes nos braços.

Maria Luís Albuquerque não disse nada, mas foi contratada por uma empresa de compra e venda de dívida públicas, entre as quais a de um Banco que esteve sob a sua tutela, como ministra das Finanças! A Arrow Global é uma empresa líder na compra e administração de dívidas, vangloria-se no site na Internet. Um género de casa de penhores para grandes caloteiros. Isto é, uma empresa líder no negócio de enganar grandes especuladores (deve haver algum que não seja vigarista, e por isso a reclassificação).

Paula Teixeira da Cruz, uma mulher com formação superior, advogada de grande escritório, política de topo, experiente na vida, e ministra da Justiça de um estado europeu que existe há oitocentos anos, membro da União Europeia, na NATO, da ONU, da INTERPOL, do Tribunal Europeu, da FIFA, da UEFA, da Cáritas, da Cruz Vermelha, que até tem no seu parlamento um deputado de um partido dos animais e da natureza (PAN), que tem (e muito bem) legislação contra a violência contra os animais, e legislação contra o piropo, e tem uma ministra da Justiça a quem mandam ratos mortos, apontam laseres à cabeça e cortam os braços – e logo o esquerdo, que ela é canhota! – durante quatro anos sem que ela apresente queixa, mande averiguar, queira saber os motivos e ainda sem que à sua volta ninguém dê por nada! E a ministra, caladinha, encolhidinha como convém a quem é ministra da Justiça de um Estado de Direito, tinha vários motoristas, guarda-costas do serviço de protecção de altas entidades, body guards com cursos de defesa pessoal e artes marciais, com auscultador no ouvido, óculos escuros e pistola na sovaqueira. Polícia à porta de casa! Tudo pago pelo cidadão contribuinte, para quê? Pagamos a segurança e a ministra continua à mercê de qualquer criminoso de colarinho branco, ou preto, que lhe manda um laser à testa para ela alterar uma lei que o prejudica, que o pode levar às santas mãos do juiz Alexandre ou do procurador Teixeira? O que queria da ministra o assassino do rato? E o sniper do laser?

E ninguém viu nada! E ela não se queixou! E nem a fiel secretária lhe perguntou pelos cortes e cicatrizes, nem a empregada a dias viu o rato morto e nem o chefe do governo notou nada no olhar dela nas reuniões do Conselho de Ministros… e nem… E nem a foram levar ao Júlio de Matos!  Ou a um detetor de mentiras?

Se o que Paula Teixeira da Cruz diz corresponde ao que aconteceu, tivemos uma doida irresponsável, mas resistente, no Ministério da Justiça, rodeada de incompetentes, desde o polícia porteiro ao chefe do gabinete, dos guarda-costas aos motoristas. O Ministério da Justiça, no Terreiro do Paço tem fantasmas, ou são gases e fumos esquisitos?

Se o que Paula Teixeira da Cruz diz na entrevista é uma invenção, um delírio, temos uma doida no Ministério da Justiça, uma mulher que sofre de gravíssimas perturbações mentais e que esteve quatro anos a decidir nesse estado de loucura, sem que os seus colegas, do chefe do governo aos outros ministros, dos secretários de Estado aos Diretores-Gerais notassem que a ministra tinha perdido o juízo. E a senhora Procuradora-Geral da República também não tem nada a dizer sobre o facto de uma ministra, ou ser alvo de agressões e ameaças que configuram uma chantagem, ou uma vingança, ou andar a despachar para o Diário da República num estado de alienação? Ou está como ela? E o senhor Presidente da República (de saída), nunca notou nada de esquisito quando Paula Teixeira da Cruz lhe levava pedidos de indulto natalício, ou lhe surgiam sobre a secretária propostas do ministério da Justiça?

Há ainda a possibilidade de serem todos como ela, de estarem no mesmo estado de vazio com imagens às cores e, sendo assim, o edifício da sede do governo era um manicómio, um caleidoscópio ou uma sala de chuto?

Paula Teixeira da Cruz encerrou dezenas de tribunais pelo país, meteu outros dentro de contentores, com rés-do-chão e primeiro andar, enviou funcionários e agentes da justiça para cascos de rolha. Penso que, depois da entrevista surreal de Paula Teixeira da Cruz, o assunto tem de ser discutido no Parlamento. É possível ter uma doida como ministra durante quatro anos? E ninguém se lembrou de ouvir o Marinho Pinto sobre ela?

O caso da ida de Maria Luís Albuquerque é mais vulgar, mas da mesma gravidade do de Paula Teixeira da Cruz. Um membro do governo (será que, com a moda da presidenta, se deverá dizer uma membra?) prepara a sua aterragem na vida profana depois do serviço público. Os franceses chamam a esta arte o páraquedismo dourado. Há para aí tantos paraquedistas destes, que já apareceu nos jornais uma fotografia deles em grupo como num casamento de herdeira rica.

Claro que era mais invulgar a ministra ser contratada para dançar no varão de uma casa de alterne do que ir sacar o seu a uma empresa do fraque, que cobra dívidas sobre dívidas de empresas por ela tuteladas. Mas a questão que a ida de Maria Luís Albuquerque me coloca com a incorporação no topo da organização não tem que ver com a invulgaridade da nova actividade dela, nem do cargo. Sei que ela vai para o cargo de administradora não executiva, e que para executar existem os jagunços. Ela nunca sujará as mãos. É como nas funerárias (para não falar da Mafia, que é perigoso), os administradores não executivos não andam com os mortos às costas. Nem os matam eles próprios, porque seriam acusados de participação em negócio. A minha questão tem a ver com o lugar onde ela adquiriu a experiência para ir ser administradora não executiva de uma empresa de cobrar dívidas. Presumo que tenha sido no governo e é isso que me preocupa, mas não vejo outro local. Ela aprendeu a cartear dívidas no governo de que fez parte, com o mérito reconhecido pelo senhor Schäuble. Agora, Maria Luís Albuquerque, depois de tirocinada sob a orientação do alemão que mais sabe de dívidas na Europa, o fuhrer da dívida, vai para a sua Arrow fazer-nos pagar as dívidas escavadas pela família Roque e amigos no BANIF e que ela passou para nosso nome. Isto é, para os nossos bolsos.

Outra grande dúvida que a nova actividade da antiga ministra das Finanças e deputada no ativo me coloca com tem a ver com as minhas leituras bíblicas. Ao contrário da ministra, que está a tratar do seu bem-estar terreno, ando preocupado com a minha felicidade eterna, porque com os bolsos vazios vou de certeza, seja para o céu ou para o inferno. Como contribuinte, preocupo-me com a reputação da ministra que me desencaminhou boa parte do que, muito ou pouco, honestamente recebia – segundo me garantiam para assegurar serviços e bens essenciais. Extraído de uma pagela dos meninos de Deus, ou da Igreja Maná, aqui vai o texto do Deuterónimo 23: “Não trarás salário de prostituta nem dinheiro de cão à Casa do Eterno, teu Deus, a fim de pagar algum voto, porquanto Yahweh, o teu Deus, por ambos tem repugnância.”

Não sei se em casa da nova contratada da Arrow existe cão… mas convinha que a Procuradoria da República investigasse…

Em resumo, tivemos no mesmo governo uma ministra que devia estar num manicómio e outra que estará algures entre o bordel bíblico e a gruta dos ladrões do Alibábá.

O tempo! o mores!

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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