Esta frase proferida há meses atrás pelo ilustre presidente da comissão europeia causou brado, ao contrário do que se afirma no editorial de hoje do nosso Diário de Notícias, assinado por Paulo Tavares. Este, após reconhecer que “…foi como se estivesse a dizer keep cool e continuem a gastar…”, diz assim: “Essas declarações do presidente da Comissão não tiveram grande eco, …”. A seguir informa-nos que dois jornalistas franceses, do Le Monde, escreveram um livro intitulado Un Président ne Devrait pas Dire Ça, e nele, entre outras coisas pouco abonatórias sobre o actual presidente francês, dizem que François Hollande negociou com Bruxelas um acordo secreto para mascarar o défice e escapar às sanções.
A frase causou grande indignação, embora tenha havido quem tenha procurado minimizar o seu efeito. É um facto que Bruxelas dá um tratamento diferenciado aos países, mas o incitarem-nos à resignação, não faz com que o facto deixe de ser indecente, pelo contrário torna-o ainda mais obsceno. E reconhecê-lo com tanta desfaçatez como o fez Juncker é pior ainda. Por seu lado François Hollande, ao que parece, pretende recandidatar-se ao cargo que ocupa, apesar da sua enorme impopularidade. Vai recorrer a todas as artimanhas, incluído a de se gabar que tem uma enorme influência em Bruxelas, mesmo que para isso tenha de contar as histórias mais aterradoras. Estando a primeira volta das eleições francesas marcada para Abril de 2017, parece já estar em curso uma campanha que aspirará a rivalizar com a norte-americana, salvo o respeito que um vassalo deve ao suserano, permitam-nos este termo um tanto vetusto, em vez de patrão.