VIOLÊNCIA, VIOLÊNCIA E MAIS VIOLÊNCIA por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Desde que se começou a desenhar caracteres, desenhos, riscos, ainda nas paredes, que os actos de violência começaram a ser reproduzidos. Eram caçadas, eram batalhas, eram lutas corpo a corpo…

É considerado violenta qualquer pessoa que magoa outra com intenção. Pode magoar de várias maneiras, física, psicológica, emocional, tal como o Bullying.

Nestes últimos dias têm sido referenciada a violência que os homens estão a sofrer pelas suas companheiras. A violência, seja ela qual for significa dor, vergonha, sentimento de culpa. Violência doméstica, quando começou a surgir publicamente esta violência foi chamada de “doméstica” porque se supunha que se exercia só sobre as mulheres e em casa.

As mulheres rapidamente exigiram protecção para os filhos, porque só o facto de assistirem a actos violentos, entre as pessoas mais queridas no seio familiar, estavam também a ser vítimas. Começaram a surgir instituições, leis de protecção, tribunais próprios e, acima de tudo, a sanção social. Não são as leis que modificam os comportamentos, mas ajudam. Hoje há mais respeito pelo crescimento da Criança e mais cautelas na sua educação. Hoje há especialistas vocacionados para tratarem as vítimas, há mesmo casas de acolhimento para poderem levar uma vida mais sossegada, com mais afecto, enquanto esperam pela decisão do Tribunal.

Agora começa-se a falar de violência, também no seio da família, e não doméstica, contra os homens.

Misturados com a dor, com a humilhação, com a falta de respeito estão o medo (nas mulheres) e a vergonha (nos homens).

Homens dirigem-se às autoridades policiais, à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, a Tribunais, a advogados não só porque estão a ser vítimas mas para pedir, também, o poder paternal ou a guarda conjunta.

O lar doce lar nunca existiu, o que existia era uma ideologia que não dava direitos às mulheres, que as representavam como felizes donas de casa. O homem tinha os direitos que a ditadura permitia, era trabalhador e honesto, era recebido em casa com alegria de todos, estudava, tinha acesso a todas as profissões e votavam.

Os homens detinham o poder em casa, com a mulher e com os filhos, era ele que decidia tudo.

Poder é uma forma mais subtil de força, de superioridade, de maltratar, estava tudo bem escondido nas nódoas negras ou no olhar sofrido das mulheres e das crianças e ainda nos silêncios de quem não tem poder e não quer ser excluído.

Os homens, vítimas de violência no seio familiar, querem também que lhes façam justiça.

A violência não escolhe classe social, idade, origem, estatuto, escolhe pessoas.

Todas as pessoas têm direito a ser bem tratadas.

Todas as pessoas têm direito ao afecto.

O que se passa, não só com estas vítimas, mas com todas as que foram apanhadas neste círculo viciado que vai de instituição em instituição sem conseguir moderar as suas atitudes e comportamentos, nem criar um projecto de vida diferente. Compete a todos os cidadãos contribuir para esta mudança.

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