CONTOS & CRÓNICAS – CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS

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Os responsáveis de países subdesenvolvidos como o nosso, dizem a toda a hora (os ppdês, cdésses e pêesses do costume, do coestrume, o que for e por cá) entusiasmadíssimos, que esperam investimentos, que virão todos a correr, os felizes e estrangeiros capitalistas (simples, por junto ou ao molho) investir, somos um cu aberto, com taxas de juro baratas, um clima agradável, um povo de cu pró ar, amistoso, de boas maneiras, que aceita ordenados de merda e nenhumas regalias, chatices de direitos de trabalho, horários do mesmo ou quaisquer outros anacronismos semelhantes, etc., estamos por tudo, o desemprego é o que se vê, venha já Sr. Capitalista, Suas Multinacionais, Vossas Mega Transacionais, é o que há de melhor. E mais barato.

E depois (os responsáveis) explicam, solícitos, ao pagode embaciado, que vai ser do bom e do melhor, o investimento estrangeiro levar-nos-á ao infinito, o céu é o limite, abençoados investimentos, Portugal precisa, Portugal percebe, Portugal encaixa.

Porque será que os chamados países ricos – as franças, as alemanhas, as suécias, as noruegas, as inglaterras, os américas ou as finlândias – não passam a vida a lamuriar-se da falta de investimento estrangeiro? E porque será que para eles o turismo, por exemplo (embora seguramente exista) não tem a mesma, capital e soberana importância que tem para os países sudsenvoltos, como as tailândias, as turquias, as tunísias, os méxicos ou os portugais, que ai jesus até se lixam se o desembarque de turistas anafados e oriundos daqueles super países – que gostam de vir ver ao pé os usos, costumes e tiques dos pobretanas do terceiro mundo, que gostam das suas águas quentes, da sua comida exótica e barata e do remanso também ultrabarato destes subpaíses – se o desembarque daquelas varas turísticas emagrecer por algum motivo súbito (terrorismo, bombas, violência citadina, saída de moda, etc.) e começar a rarear?

Poizé. Mas esses países ditos ricos, são estúpidos, não se comparam, não se nos comparam. Não sabem da importância do “investimento estrangeiro”, já que imbecil e canhestramente investem eles próprios nos seus próprios países, os grandes idiotas. Sem terem o supremo prazer de de ir “lá fora” persuadir, propor, solicitar, implorar abjectamente uma esmolinha pelo amor de Deus, como nós há décadas fazemos, são muitos anos a virar frangos.

E temos tido sorte, lá isso. O terrorismo crescente nas turquias, egiptos, tailândias, etc., levaram à fuga de tão mal frequentados lugares, à consequente descoberta e ao derivar de largas e acotoveladas manadas de turistas para aqui, para o Cais do Sodré e o Chiado, para a Foz e a Ribeira.

Até nem já lá cabermos, os nós, os indígenas.

Carlos

21 de Setembro 2016

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