EDITORIAL – TEMPOS DIFÍCEIS

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No dia 4 de Dezembro próximo vai realizar-se um referendo em Itália, com o fito de levar os italianos a aprovar a reforma da constituição. Matteo Renzi, o primeiro-ministro italiano, já disse que se demite, caso vença o não (há quem não acredite que cumpra a promessa). O que se pretende com esta reforma é continuar as políticas ditas de austeridade, isto é, a concentração de riqueza, a desregulamentação nos campos dos direitos dos trabalhadores e da defesa do ambiente, o abaixamento dos salários e das prestações sociais, a privatização do que ainda é público, não só na economia propriamente dita, como em sectores como a saúde e a educação, altamente rentáveis, se não tiverem o sector público a funcionar, em resumo deixar o capital potenciar os seus lucros e manietar tudo o que o possa manietar.

Matteo Renzi é um homem ambicioso, não tenham dúvidas. Se as tiverem propomos que leiam o trabalho de Perry Anderson, O Desastre Italiano, que estamos a publicar aqui em A Viagem dos Argonautas, às 13 horas, integrado na série Uma tentativa de golpe de Estado moderno sob a égide da União Europeia na Itália a 4 de Dezembro de 2016. Renzi procura, jogando com o pau de dois bicos, por um lado, juntar-se aos países da periferia europeia, na resistência à opressão germânica, por outro, curva-se às exigências do tandem instituições/sistema financeiro. A reforma Renzi/Boschi (Maria Elena Boschi é a ministra para as reformas constitucionais e as relações com o parlamento) prevê a redução do número de senadores e das competências do senado italiano, levando a uma maior concentração de poderes nas mãos do primeiro-ministro. A isto opõem-se vigorosamente vários partidos, como o Movimento Cinco Estrelas, o Forza Italia, a Liga do Norte e não só.

Há que preveja que a derrota de Renzi vai levar à saída da Itália da zona euro e da União Europeia (UE). O impacto será muito maior que o do Brexit, e porá em risco a sobrevivência da UE. A situação na Europa tornar-se-á ainda mais difícil, até porque vai começar a sentir o efeito ideologia da ideologia nacionalista e conservadora (para não lhe chamar coisas piores) do presidente Trump e seus apaniguados. O uso neste editorial do título do décimo romance de Charles Dickens, Hard Times, publicado em 1854, aconteceu por se temer que as políticas ditas de austeridade levem a caminhos parecidos com os daqueles tempos, há mais de 150 anos.

Não será despropositado, perante os cenários sombrios que se deparam às populações europeias, mesmo tendo em conta que são muito melhores do que os de quem vive noutras partes do mundo, recordar que hoje, 22 de Novembro, passam 53 anos sobre a morte de Aldous Huxley, o autor de O Admirável Mundo Novo, uma distopia sobre onde pode chegar a desumanização da sociedade moderna. E para vos dar acesso a uma notícia mais positiva, cliquem no último link abaixo, e vejam o interesse que merecem os sonhos de Hergé e as aventuras de Timtim.

Não é imodéstia propor que cliquem em todos os links abaixo:

https://aviagemdosargonautas.net/2016/11/16/uma-tentativa-de-golpe-de-estado-moderno-sob-a-egide-da-uniao-europeia-na-italia-a-4-de-dezembro-de-2016-introducao/

http://www.esquerda.net/artigo/italia-uma-frente-unitaria-para-o-outono-do-nao/44818

http://oglobo.globo.com/mundo/renzi-aposta-cargo-em-reforma-legislativa-na-italia-20175173

https://www.dinheirovivo.pt/buzz/prancha-original-tintin-explorando-lua-leiloada-155-milhoes/?utm_source=Push&utm_medium=WebApp

 

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