
A BAIXA ESCOLARIDADE DOS PATRÕES PORTUGUESES, INFERIOR À DOS TRABALHADORES E À DOS PATRÕES DOS PAÍSES DA U.E., É UM OBSTÁCULO À RECUPERAÇÃO ECONÓMICA E AO DESENVOLVIMENTO DO PAÍS

A produtividade e a competitividade das empresas, de que tantas vezes se fala (a competitividade transformou-se no “novo deus” do Capital e dos seus defensores), dependem muito da liderança, da organização e da inovação a nível das empresas. E estas dependem muito da competência e da capacidade de quem as dirige e organiza, ou seja, do empresário. Por isso, o seu nível de escolaridade é fundamental pois, embora não seja uma condição suficiente, é condição absolutamente necessária para aceder a maiores e mais elevados níveis de conhecimento, de competência e das capacidades indispensáveis e ter maior capacidade de adaptação e de resposta num mundo onde o comercio, a inovação e o saber estão cada vez mais globalizados e em permanente alteração. Por essa razão, o baixíssimo nível de escolaridade da maioria dos patrões portugueses, inferior mesmo à dos trabalhadores, como se vai mostrar, `de que ninguém fala e parece não se preocupar (patrões e governo só falam da necessidade de aumentar a qualificação dos trabalhadores, mas não a dos patrões que é tão ou ainda mais necessária), constitui um obstáculo sério à recuperação económica e ao desenvolvimento do país.
A MAIORIA DOS PATRÕES PORTUGUESES CONTINUAM A TER UM BAIXO NÍVEL DE ESCOLARIDADE, MESMO INFERIOR À DOS TRABALHADORES
Os dados do quadro 1 são do Eurostat e mostram que a esmagadora maioria dos patrões portugueses continuava a ter, em 2015, um baixíssimo nível de escolaridade, constituindo um obstáculo estrutural ao desenvolvimento do país.
Quadro 1 – Nível de escolaridade dos patrões e dos trabalhadores em Portugal

Em 2015, mais de metade dos patrões portugueses tinha apenas o ensino básico ou menos. O número de patrões com o ensino secundário e pós-secundário era apenas de 45,5 mil (22,4%), e os com o ensino superior somente 44 mil (21,7%), enquanto os que tinham o ensino básico eram 113,2 mil (55,8%). Enquanto a nível de patrões, a percentagem dos que possuíam apenas o ensino básico (55,8%) era bastante superior aos que possuíam o ensino secundário mais os que possuíam o ensino superior (44,1% do total), em relação aos “assalariados” (trabalhadores por conta de outrem) verificava-se precisamente o contrário. Os que possuíam o ensino secundário e superior (54,5%) eram claramente maioritários, sendo o seu numero de 1.998,4 mil, enquanto os trabalhadores com o ensino básico eram 1.666,9 mil.
O NÍVEL MÉDIO DE ESCOLARIDADE DOS PATRÕES NA UNIÃO EUROPEIA
Uma análise comparativa do nível médio de escolaridade dos patrões dos países da União Europeia, revela também que o nível de escolaridade dos patrões portugueses é claramente inferior à média da U.E.. O quadro 2, com dados do Eurostat, prova isso.
Quadro 2 – Nível de escolaridade dos patrões dos países da União Europeia

Em Portugal, em 2015, 55,8% dos patrões portugueses possuía apenas o ensino básico, enquanto na União Europeia os patrões com este baixíssimo nível de escolaridade, eram apenas de 17,5%, ou seja, três vezes menos. No nosso país, os patrões com o ensino secundário representavam 22,4% do total de patrões, enquanto nos países da União Europeia a percentagem era de 43,9% (+96%, quase o dobro); finalmente, em Portugal, a percentagem de patrões com o ensino superior era apenas 21,7%, enquanto a média nos países da U.E. atingia 38,3% (+76,5%). É evidente que com patrões com este baixíssimo nível de escolaridade o país não conseguirá vencer os graves problemas que enfrenta atualmente nem os desafios futuros. Esta é uma questão “tabu” para a maioria dos media, e para o próprio governo que não se “atreve” a enfrentá-la , apesar de constituir um défice estrutural do país e um obstáculo importante ao desenvolvimento do país.
PRODUTIVIDADE DO TRABALHO TEM AUMENTADO MAIS EM PORTUGAL DO QUE NA UE
Contrariamente ao que muitas vezes se pensa ou diz, nomeadamente nos media, o aumento da produtividade do trabalho em Portugal tem sido superior à média dos países da União Europeia e o custo salarial real tem diminuído muito mais no nosso país do que nos países da União Europeia. É o Eurostat que confirma isso (quadro 3).
Quadro 3- Variação da produtividade do trabalho e do custo salarial real em Portugal e U.E.

