Uma Análise das forças geradoras do tsunami económico e social presente a partir do seu epicentro, os Estados Unidos – Os 10% de topo como credores estruturais ou o efeito da valorização dos patrimónios

Selecção de Júlio Marques Mota

Revisão de Francisco Tavares

Uma Análise das forças geradoras do tsunami económico e social presente a partir do seu epicentro, os Estados Unidos

Uma série de 8 textos

(TEXTO VI) Os 10% de topo como credores estruturais ou o efeito da valorização dos patrimónios

Este texto é a pedra angular deste conjunto de textos. Ele permite compreender porque motivo repor a finança no seu lugar próprio – o financiamento do consumo e das empresas – é impossível, uma vez que esta reforma constituiria um golpe muito duro sobre a fração dos americanos mais ricos que podem consumir o seu rendimento dispondo ao mesmo tempo de uma sólida capacidade de prosseguir a sua acumulação de capital. Por razões que têm a ver com a captação em seu proveito de todas as fontes de rendimento, os 10 % de topo, (deveríamos mais precisamente falar dos 2 e 3% de topo), não podem querer senão a preservação de um quadro financeiro inteiramente ao seu serviço. É este quadro financeiro que com efeito torna os credores estruturais líquidos como um mundo à parte dos devedores líquidos (particularmente da parte baixa do decil 80-90 da população de menores rendimentos, administrações públicas, empresas).

Neste novo texto, definimos um novo assunto para reflexão: “como é que os patrimónios geraram uma concentração do rendimento – via juros e dividendos distribuídos – que favoreceu uma fração reduzida da população como o ilustra a detenção das MVVA entre as mãos de toda uma muito pequena parte da população.”.

Trata-se por conseguinte de reconsiderar o enriquecimento de 10% da população. Para o efeito, é necessário voltarmos às formas de enriquecimento dos 1% de topo o que nos fornece a chave do modo de funcionamento do conjunto dos 10% de topo cujos rendimentos e MVVA progridem na condição expressa de reduzirem o rendimento real e as MVVA do resto da população.

Vamos tratar neste texto do papel das MVVA ressituando estas últimas no quadro de conjunto do crescimento, e é a clarificação deste mesmo quadro que nos permite compreender como é que as MVVA podem aumentar constantemente em volume e ficarem concentradas entre as mãos de americanos que representam uma parte muito reduzida da população.

 

A – A unidade do grupo do 0, 1% (o milésimo dos americanos) dos americanos e a redução das categorias de rendimentos.

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O exame das fontes dos rendimentos das famílias pertencentes ao milésimo de topo (0,1% da população) revela imediatamente um facto. Os salários mistos aumentam ao mesmo ritmo que as MVVA cujo volume é vizinho. Esta progressão é retardada em período de crise.

Esta vizinhança das MVVA e dos rendimentos salariais explica-se se tivermos em conta a natureza dos salários mistos das famílias pertencentes ao milésimo de topo e das MVVA. Estas duas categorias de rendimentos estão com efeito intimamente ligadas ao capital que é necessário apresentar sob diversos gráficos para apreender a unidade do milésimo de topo.

O rendimento salarial presente sobre este gráfico é com efeito um rendimento profundamente ligado à função deste grupo que se apropriou do capital produtivo (financeiro e não – financeiro) e das funções de comando que acompanham esta apropriação e é por isso que falamos de salário misto.

As relações capitais produtivas – trabalho encontram-se na formação do salário comum, a função essencial do milésimo de topo é a de procurar reduzir – em valor absoluto e relativo – a remuneração dos assalariados no âmbito de um conjunto de fatores que enfraquecem gravemente o mundo do trabalho: crise da indústria, substituição da produção material de riqueza pela produção de serviços, flexibilidade do trabalho e fraca proteção contra o desemprego, direito do trabalho pouco favorável aos sindicatos e dessindicalização, ideologia dominante ultraliberal etc.

A parte fixa do salário divide-se em salário de utilidade social (SUS), renda salarial (RS) a que se adicionam os juros (J) e os dividendos (D). As MVVA podem constituir uma parte do salário.

Este salário misto está por analogia muito próximo das grandes categorias de remuneração de um património (MVVA sobre o património, juros e dividendos). Um património pode dar lugar por sua vez às MVVA, aos dividendos e aos juros.

O crescimento das MVVA trai o facto que os membros do grupo definido como o milésimo de topo dos contribuintes acumulam património ao mesmo ritmo que conseguem aumentar as suas MVVA, o que é perfeitamente lógico. O crescimento dos juros e dividendos normais recebidos mostra que o grupo do milésimo de topo é detentor de capital emprestado pontualmente (juros) ou transformado em ações geradoras de dividendos (D). Que a parte de juros e dividendos recebida cresça mostra simplesmente que este grupo acumula cada vez mais capital-dinheiro gerador de juros e dividendos ao ponto de fazer com que este grupo seja um grande credor estrutural devido à concentração de património nas suas mãos.

 

As famílias do grupo dos 0,1% de topo fazem a síntese dos detentores de património que têm um rendimento misto. O que trai a analogia de categoria do salário misto é que os salários mistos se aproveitam imediatamente do capital produtivo enquanto os acionistas tradicionais se aproveitam do capital produtivo de forma mediata através do seu património constituído.

Mas nos factos os rendimentos do património, que são os Dividendos e os juros percebidos pelo grupo dos 0,1% de topo, indicam que este grupo é cada vez mais rentista e em que não deixa de aumentar – em parte e valor – património, juros e dividendos recebidos. Os rentistas puros são pouco numerosos, os 0,1% das famílias de topo são com efeito o topo dos assalariados fazendo parte dos atores do sistema económicos e de uma fração dos proprietários diretos das empresas lucrativas detidas diretamente a título individual ou em associação.

Este grupo que podemos designar pelo nome de grupo rentista conseguiu o feito extraordinário de colocar ao serviço dos seus interesses o conjunto da sociedade através dos interesses que serve organizando a baixa dos salários, a distribuição cada vez mais desigual dos juros do capital e os dividendos. Deixamos de lado os elementos economicamente marginais que são os intelectuais orgânicos que legitimam e ocultam pelo seu discurso um processo de enriquecimento do qual o resultado final é um desmoronamento económico anunciado por crises financeiras ou bolsistas cada vez mais violentas.

Portanto, conseguimos estatisticamente unificar as figuras do proprietário de capital‑dinheiro portador de dividendos e de ações e dos grupos que se apropriam dos salários mistos. O grupo dos 0,1% de topo faz a síntese concreta dos rendimentos do capital e dos rendimentos do trabalho constituído à maneira dos rendimentos do capital R = SUS+RS+J+D.

Visto na perspetiva dos 0,1% de topo, o capital produtivo acaparado – gerador de salário misto – e o capital detido são na verdade simples figuras do capital colocado ao serviço de um projeto de acumulação sem fim de património e rendimento.

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B – Os seguidores dos 10% de topo

Nós não teremos nenhum problema em mostrar que os outros elementos dos 10% de topo são simplesmente seguidores da lógica do sistema.

Uma vez que fizemos a análise do grupo do milésimo das famílias do topo, resta analisar:

  • os 3 milésimos seguintes, os contribuintes imediatamente abaixo do primeiro milésimo de topo, e que vão então do milésio 996 a 999, ou seja em termos da população de 0,996 a 0,999 do total da população em análise (verde escuro).

  • A população por observar é então 995 milésimos, ou seja de 0,996 da população total. Desta população restante analisamos a seguir os 30 milésimos do total da população que está a ser estudada. Neste caso a nossa análise está centrada no intervalo de 965 milésimos a 996 milésimos, ou seja 0, 965 a 0, 996 da população total (a verde claro).

  • Temos ainda para observar 965 milésimos, ou seja 0,965 da população total. Desta população analisemos depois os 100 milésimos dos contribuintes que a seguir têm mais elevados rendimentos e que estão, portanto, no intervalo (0,865 a 0,965) do total da população, o que é marcado a azul no gráfico (não visível).

Estes milésimos, de uma população pertencente à parte baixa do top ten e à parte alta do nono decil, representam o essencial dos 10% de topo que ligeiramente transborda para a classe média alta.

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Estes três conjuntos dispondo de um património de cada vez mais baixo nível, não surpreenderá que seja cada vez mais fraca a sua parte nas MVVA por milésimos de contribuintes. A fragilidade das MVVA explica-se pela diferença de dimensão de património, mas também pela exclusão das MVVA das mais-valias de capital imobiliário.

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Daqui se segue que os juros captados seguem a tendência das mais-valias por cessão de ativos. Extremamente forte para o milésimo de topo, decrescem fortemente para os restantes milésimos dos contribuintes americanos à medida que se desce na escala dos patrimónios financeiros detidos.

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Não há nenhuma razão para que seja de outro modo para os dividendos ordinários. Estes estão concentrados nas mãos do milésimo superior e diminuem muito fortemente para os milésimos inferiores de contribuintes.

Estes comentários permitem dizer que a inteligibilidade do sistema económico pressupõe a concentração numa fração reduzida de contribuintes, o que dá a chave para o funcionamento da economia dos EUA como um todo. Os milésimos subordinados representam uma versão menor da lógica de enriquecimento do primeiro milésimo de topo. Lembramos que essa lógica só se refere aos 10% da população com rendimentos de topo desde a crise do milénio.

C – Dinâmica da sobre reação do milésimo de topo: as duas poupanças [e os seus efeitos multiplicadores.

As observações que fazemos a seguir são válidas para o milésimo de topo, mas estas ainda se aplicam aos contribuintes do top ten de forma decrescente. É o efeito de escada da distribuição do património.

Para resolver o problema do papel dos patrimónios na concentração do rendimento, temos de olhar para a dinâmica ligando a poupança tradicional feita sobre o rendimento ou poupança de produção à poupança feita sobre as MVVA ou poupança especulativa (ES). O objetivo de qualquer poupança é de comprar ativos, em suma de constituir património gerador de juros, dividendos ou MVVA reais (com a venda de ativos) ou virtuais (a venda imaginária de ativos).

 

1° O papel dos patrimónios na captação de partes crescentes do rendimento total

Para que as MVVA aumentem, é necessário que o valor do património alienado aumente também. E para que o valor do património alienado aumente, é necessário que o valor do património total aumente também. Ora o valor do património aumenta quando é comprado por uma poupança que é alimentada por uma poupança sobre o rendimento de produção (PP) ou por uma poupança sobre as MVVA (PE).

Nos dois casos, a poupança que serve para comprar elementos do património é fator da propensão a consumir do rendimento de produção ou de uma parte das MVVA. A Poupança total (PTOTAL) é igual à PE+PP ou ao rendimento de produção mais o rendimento especulativo (MVVA) menos o consumo e menos os impostos.

O jogo seria de soma nula se o valor dos ativos comprados fosse igual à poupança total (PTOTAL). É o caso com compras de títulos de dívida obrigacionista cujo valor é quase fixo. Os juros recebidos não podem agir sobre outra coisa que não seja o rendimento recebido com um fraco efeito de alavancagem sobre a distribuição dos juros.

Para que o valor dos ativos aumente, é necessário que os ativos possam valorizar-se. Tal é o caso das ações ou dos bens imobiliários. Se a compra de ativos com uma PTOTAL provoca uma valorização destes últimos, então há aqui um efeito de alavanca sobre as MVVA realizado pela ação da valorização dos patrimónios. Um gráfico vai-nos permitir compreender o efeito da valorização dos patrimónios e as MVVA.

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As MVVA podem aumentar continuamente e equipararem-se com o salário misto dos membros dos 0,1 % de topo. Este aumento permite ao milésimo de topo poupar cada vez menos sobre o rendimento (PP), aumentando ao mesmo tempo o volume de juros recebidos e o peso dos juros recebidos no rendimento total. Esta observação aplica-se da mesma maneira aos dividendos recebidos.

Esta dinâmica faz do milésimo de topo – e por extensão dos 10% de topo (e do topo 20 até ao início dos anos 2000) – o motor do consumo e do crescimento nos Estados-Unidos. Os salários mistos aumentam, as MVVA fazem o mesmo, os juros e os dividendos recebidos também aumentam, não há pois razão para fazer uma importante poupança de produção, uma vez que a acumulação da poupança especulativa feita sobre as MVVA é suficiente para aumentar a dimensão dos patrimónios adquiridos. Evidentemente, os outros americanos a partir da parte baixa do decil 80-90 tornam-se motores de consumo cada vez menos eficientes dado que gozam apenas de um efeito de enriquecimento imobiliário ilusório que não permite realizar MVVA reais. Estes consomem como quem coloca o pé no acelerador a fundo perdendo sobre todos os terrenos como o mostram os dados do IRS.

2° A gestão dos patrimónios – Imobiliário e bens mobiliários (forma simples e forma híbrida) ou como é que o milésimo de topo se torna cada vez mais um credor estrutural

A gestão de património permite aos patrimónios do milésimo de topo e aos MVVA estarem sucessivamente a aumentar; o milésimo de topo (e por extensão os 10% de topo) pode tornar-se credor estrutural cujo peso tem vindo sucessivamente a crescer. É por conseguinte lógico que a sua parcela e os seus volumes de juros e de dividendos captados não deixem de aumentar. Mas para que este processo permaneça “virtuoso”, a carteira dos ativos dos membros do milésimo deve supor uma composição e uma gestão dinâmica dos ativos em carteira.

O dinheiro que foi emprestado a título de capital dinheiro-portador de juros não pode aumentar por si mesmo o valor dos patrimónios exceto poupar nos juros sob a forma de um ativo em detrimento do nível de consumo e de poupança sobre os rendimentos de produção do milésimo de topo. O crescimento das MVVA aí está precisamente para evitar a constituição deste tipo de poupança: a poupança total deve sempre ser alimentada mais pela poupança sobre as MVVA para que a poupança sobre os rendimentos de produção se reduza em volume e em percentagem. O crescimento é feito a este preço.

O investimento dinâmico da poupança total deve por conseguinte fazer uma arbitragem entre os dois únicos bens cujo valor é fator das condições de valorização dos ativos: os bens imobiliários e as ações.

Ora a poupança total possui um efeito de alavanca sobre o valor dos ativos comprados – e por extensão sobre todos os ativos – que se valorizam por pouco que a procura seja superior à oferta. Ora enquanto o valor dos patrimónios subir a poupança especulativa (PE) aumenta com o valor das MVVA.

É assim que o valor dos patrimónios aumenta em virtude de um círculo virtuoso que faz das MVVA a condição de valorização dos patrimónios e faz da valorização dos patrimónios a condição do aumento das MVVA. A PE pode por conseguinte aumentar, a poupança produtiva baixar, o consumo pode permanecer dinâmico.

A arbitragem de carteira de títulos dos membros do milésimo superior deverá oscilar entre ativos imobiliários e ações em função das oportunidades de lucros patrimoniais. As famílias ricas e abastadas (do último quintil ou quintil de topo ou ainda dos 200 milésimos de topo) têm assim reorientado as suas aquisições e posse de ativos para a aquisição de imobiliário depois da crise bolsista do milénio. Os ativos bolsistas são os mais dinâmicos, os ativos imobiliários são os menos líquidos, os ativos obrigacionistas são os menos interessantes. Não há dúvida de que desde a crise de 2008, as famílias ricas e abastadas têm arbitrado a favor dos produtos financeiros que o FED dopou através da sua condução de uma poderosa política de flexibilização quantitativa, dita QE.

A escolha de uma arbitragem faz-se também, em cada um dos grupos, entre classes de ativos imobiliários e mobiliários. E entre os ativos mobiliários, a escolha entre as ações e as colocações financeiras depende de numerosos parâmetros que não são tema deste texto. O mercado pode oferecer um cruzamento de diferentes produtos financeiros para facilitar as arbitragens: é nomeadamente o caso dos fundos de colocações/aplicações e de investimentos, das sociedades de seguros etc. Os gestores de carteiras de ativos encarregam-se também de libertar os particulares de escolhas demasiado pesadas para serem feitas à escala individual.

De acordo com as suas arbitragens o milésimo de topo – e por extensão os 10 % de topo – será cada vez mais credor estrutural das sociedades anónimas que emitem ações ou são tomadores estruturais de fundos de capital-dinheiro portadores de juros e dividendos. Os tomadores estruturais de fundos representam a grande parte das famílias, das empresas financeiras e não – financeiras americanas e das administrações públicas que se privam dos impostos que os mais ricos deveriam pagar. Em suma, a título de credor estrutural dispondo dos maiores patrimónios mobiliários, o milésimo de topo organizou uma economia financeira inteiramente para sua vantagem.

Só as empresas detentoras de uma fração do património financeiro do país se conseguem defender, e são bem-sucedidas em diminuir o volume de juros e de dividendos líquidos pagos aos credores estruturais que são os membros dos 10 % das famílias de topo.

3° Os credores estruturais e o efeito multiplicador da concentração do património e das MVVA.

A dinâmica das MVVA – associada a uma poupança sobre o rendimento cada vez mais fraca – produz um efeito quase miraculoso: o milésimo de topo apropria-se sempre e cada vez de uma maior parte de património – imobiliário ou mobiliário, portador de juros e dividendos. Este fenómeno lê-se nas estatísticas do IRS: em volume e em proporção do rendimento global, os juros e dividendos apropriados pelo milésimo de topo não param de crescer.

É necessário por conseguinte analisar as MVVA, e precisar o seu poder miraculoso. As MVVA desempenham o papel de um multiplicador de parte do património – mobiliário e imobiliário – e do rendimento da propriedade do capital-dinheiro (portador de juros e dividendos) para uma fração limitada dos contribuintes americanos

As MVVA desempenham esse papel em proveito exclusivo de uma fração muito reduzida da população (um milésimo da população), baixando os efeitos multiplicadores das MVVA à medida que a base dos especuladores se alarga. Esta base não excede mais de 10% dos contribuintes.

Concentrando o património para o topo, este multiplicador tem um efeito paradoxal: reduzir os ganhos patrimoniais e os rendimentos da propriedade do capital para a parte inferior da escala social deslocando constantemente a linha de divisão para cima. É assim que as classes médias superiores saíram do último quintil, dos 20%, para fazerem parte da população abaixo do decil 80-90 % da população. A polarização dos salários entre salário comum e salário misto vai no mesmo sentido.

O que significa com efeito o salário misto dos atores e participantes senão um salário cuja parte de juros (J) e de dividendos (D) retribui – para além da utilidade social – a apropriação de um capital produtivo num contexto de depressão salarial vantajosa para a divisão final de J e D do rendimento entre os americanos. É a razão pela qual uma parte dominante do salário já não tem mais nada a ver com funções empresariais clássicas.

Onubre Einz

 

Onubre Einz, V – Le top 10 Prêteur structurel ou de l’effet de la valorisation des patrimoines. Texto disponível em:

http://criseusa.blog.lemonde.fr/2015/11/21/v-le-top-10-preteur-structurel-ou-de-leffet-de-la-valorisation-des-patrimoines/

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