Acabei de ver na TV um anúncio espantoso sobre um carro. Mas não fixei a marca.
O anúncio começa com um senhor com 100 anos, e com uma frase “ Os primeiros cem anos valeram a pena, mas os que vêem a seguir vão valer muito mais”. Os anos que vêem a seguir vão ter um carro topo de gama, de uma marca que não registei. Registei, sim, que a vida de uma pessoa de cem anos vale menos do que um carro. É uma maneira sinistra de começar um novo ano…
Os anos seguem-se uns atrás dos outros e sempre à meia-noite do dia 31 de Dezembro desejamos um novo ano melhor.
Sempre um mundo melhor e é possível tê-lo se todos fizermos por isso na nossa família, casa, trabalho, em organizações não governamentais, em movimentos cívicos, em tudo o que possa contribuir para sermos mais solidários. Não existimos se os outros não existirem, todos com a mesma dignidade.
Ser criança é belo. Ter cem anos é sinal de esperança.
Entre ser criança e ter cem anos há incontáveis momentos de felicidade e de amargura. Há tempo que nos guia, segundo a nossa vontade, para a felicidade ou para a amargura.
Mas qual é o grau de liberdade que temos para trilhar esses caminhos?
Nascer numa família rica ou numa família pobre faz toda a diferença nessa caminhada. A exclusão é mais frequente nas famílias mais pobres e, por isso, estes têm menos Poder na sociedade.
E porque têm menos Poder mais facilmente são subjugados pela tirania do capital.
Já não são as greves que libertam os trabalhadores. Os sindicatos são, talvez, uma forma “antiga” de luta da classe operária.
O que é hoje a classe operária?
Esta CRISE trouxe à realidade que tem que haver outras formas de luta.
A DEMOCRACIA precisa de novas formas de governos, sem geringonças ou com geringonça.
A EDUCAÇÃO tem que ser de excelência, por isso há que optar por uma escola democrática, inclusiva e intercultural.
A SAÚDE tem que ser humanizada com médicos e pessoal de apoio com formação para o contacto com o outro. Não pode permitir que passemos horas à espera de um diagnóstico e de ser tratados. A sociedade tem que abraçar com carinho os seus hospitais e ajudar a torná-los melhor.
Uma sociedade saudável é também uma sociedade mais esclarecida dos seus direitos.
Os patrões têm que saber e sentir que os trabalhadores são a sua fonte de riqueza
Que este novo ano faça a diferença.

