…e foi assim, a dignidade não foi salvaguardada, não teve importância perante ” valores sociais e morais ”, neste caso os valores foram outros, foi o dinheiro.
40 mil euros e despesas de saúde pagas foi quanto bastou para que o advogado dissesse que estava tudo sanado.
Não querendo ofender o Bruno nem a família, tomo a liberdade de expressão conquistada no 25 de Abril de 1974, para me indignar com o acordo extra judicial feito pelas partes.
Para mim seria uma ofensa ser tentada a esquecer a brutalidade com que o jovem foi tratado por outros dois jovens, que por acaso são filhos de um embaixador.
E aqui a dificuldade começa: pedir o levantamento da imunidade diplomática que abrange não só os embaixadores, mas também as suas famílias.
Para esta reflecção não importa quem começou primeiro, importa sim o que aconteceu, o facto em si.
Houve alguém que espancou brutalmente outro alguém.
Essa imagem foi repetida vezes sem conta nos canais de televisão.
As opiniões dividiam-se: o país de origem dos agressores levanta ou não levanta a imunidade diplomática.
E as dúvidas começaram a surgir: porque é que os filhos dos embaixadores têm imunidade?
E se a imunidade não for levantada, como é que este cidadão português vai ser protegido pela Justiça?
Os agressores entretanto foram para o seu país e, eis se não quando, se sabe que o pai, o senhor embaixador, quis compensar aquele que foi vítima das palavras, dos pés, das mãos e até do carro, pelo qual quase ia sendo atropelado pelos seus filhos.
A dor e o sofrimento do Ruben vale 40 mil euros?! Uns e outros sentem-se descansados porque aparentemente parecem ter a sua consciência tranquila:
COMO SE PODE ACEITAR ESTE ACORDO COMO UM ACTO DE JUSTIÇA?
Todos os indivíduos elaboram o seu guião de justiça adaptando-o ou não à Justiça dominante.
A Justiça dominante nem sempre está de acordo com os Direitos Humanos.
As sociedades totalitárias é um dos muitos exemplos que conhecemos.
Quantas vezes a Justiça não é a mesma entre países de diferentes religiões.
Os países multiculturais têm que aprender a lidar com as diferenças, assim como o seu contrário.
A Justiça das culturas minoritárias e das maioritárias é conflituosa, porque surgem de pressupostos diferentes.
A Justiça zela pelos mais elementares Direitos e Deveres dos cidadãos.
Este igualar, apenas na legislação, não representa nada em termos de movimentação social, moral e de leis laborais.
Bem, mas tudo isto porquê?
Falar dos 40 mil euros que o embaixador deu à família, é sinal de prepotência e de falta de respeito pelo sofrimento da vítima e da sua família.
Os agressores não podem ficar impunes, a vítima tem que acreditar na Justiça e não nos 40 mil euros.
Pois é, enquanto falamos dos euros não falamos no mais importante, a dignidade do ser Humano e a diferente capacidade económica de pagar aos agressores
Pagar com dinheiro, pelo crime cometido não é justiça!
O senhor embaixador sabia bem a dinâmica familiar e a crise em que vivemos.
A maior parte dos portugueses não ganha 40 mil euros por ano, por isso este montante foi tentador.
O dinheiro que a família recebeu está sujo de sangue do jovem agredido. Sempre que utilizarem esse dinheiro vão-se lembrar que o jovem esteve no hospital em coma induzido. Todas essas semanas de sofrimento nunca serão apagadas.
Nós acreditamos nas leis e nos tribunais, e se discordarmos podemos recorrer até que a Justiça, que é verdadeira para nós, se cumpra.
As leis não são estáticas e têm-se adaptado às diversas mudanças culturais e sociais, mas actos como este de tanta brutalidade não serão poupados às Justiças, a punição pode variar.
A família do agredido vive num mundo em que o dinheiro tudo paga, menos a dignidade.
A família dos agressores vive num mundo onde o dinheiro tudo paga…