No corpo manda a Natureza, a mesma natureza que nos dá a vida e a morte.
São muitos aqueles que nos disseram adeus, e deles ficou-nos a memória do amigo que ajudámos a construir enquanto nos construíamos também, sem medos da inclusão de outros amigos.
Horas passadas a reflectir sobre os nossos trabalhos.
Horas a reflectir sobre o nosso tempo, mergulhadas em dossiês sobre minorias culturais na escola, sobre violências. E sempre com as reflexões inacabadas…havia sempre um “e”… muitas vezes esse “e” era sobre a nossa saúde.
A minha amiga disse-nos adeus com o medo da doença, do tratamento, do imprevisto que se atravessa no nosso caminho.
Foi um caminho com sorrisos e amizades. Foi um caminho em que uma criança fazia com que acreditasse que mesmo com medo era possível.
No seu caminho tive a sorte que me quisesse para sua amiga. E fui, o melhor que soube.
A sua criança era a luz que saía dos seus olhos, era a força que tinha para continuar até ao fim.
Agora, que estou a reflectir sobre a finitude da vida, veio-me à memória também todos aqueles que caminham num outro caminho. Como será esse caminho? O nada? O tudo?
A minha amiga é açoriana como eu, e como eu adora as lagoas das sete cidades…
Gosta das Festas do Senhor Santo Cristo, do marulhar das ondas…da lua…
A vida também é feita de pequenos grandes nadas cujos são individuais.
O indivíduo sente-se o centro da existência humana e, por isso, só a ideia da não- existência e a existência nos confunde os sentimentos e as realidades : a finitude da vida humana.
A morte faz desaparecer aquele ou aquela com quem privámos durante a vida, mas nada apaga a sua vida enquanto um “eu” incluído num colectivo.
Na relação “eu” e os outros constrói-se algo intemporal enquanto a humanidade quiser e acreditar.
Quantas mortes tornaram vivas as vozes, os ideais, as atitudes, os medos, as esperanças? Quantas mortes não uniram “eus” que estavam separados?