OS QUE DISSERAM ADEUS por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

No corpo manda a Natureza, a mesma natureza que nos dá a vida e a morte.

São muitos aqueles que nos disseram adeus, e deles ficou-nos a memória do amigo que ajudámos a construir enquanto nos construíamos também, sem medos da inclusão de outros amigos.

Horas passadas a reflectir sobre os nossos trabalhos.

Horas a reflectir sobre o nosso tempo, mergulhadas em dossiês sobre minorias culturais na escola, sobre violências. E sempre com as reflexões inacabadas…havia sempre um “e”… muitas vezes esse “e” era sobre a nossa saúde.

A minha amiga disse-nos adeus com o medo da doença, do tratamento, do imprevisto que se atravessa no nosso caminho.

Foi um caminho com sorrisos e amizades. Foi um caminho em que uma criança fazia com que acreditasse que mesmo com medo era possível.

No seu caminho tive a sorte que me quisesse para sua amiga. E fui, o melhor que soube.

A sua criança era a luz que saía dos seus olhos, era a força que tinha para continuar até ao fim.

Agora, que estou a reflectir sobre a finitude da vida, veio-me à memória também todos aqueles que caminham num outro caminho. Como será esse caminho? O nada? O tudo?

A minha amiga é açoriana como eu, e como eu adora as lagoas das sete cidades…

Gosta das Festas do Senhor Santo Cristo, do marulhar das ondas…da lua…

A vida também é feita de pequenos grandes nadas cujos são individuais.

O indivíduo sente-se o centro da existência humana e, por isso, só a ideia da não- existência e a existência nos confunde os sentimentos e as realidades : a finitude da vida humana.

A morte faz desaparecer aquele ou aquela com quem privámos durante a vida, mas nada apaga a sua vida enquanto um “eu” incluído num colectivo.

Na relação “eu” e os outros constrói-se algo intemporal enquanto a humanidade quiser e acreditar.

Quantas mortes tornaram vivas as vozes, os ideais, as atitudes, os medos, as esperanças? Quantas mortes não uniram “eus” que estavam separados?

Os que disseram adeus fazem parte do futuro…

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