EDITORIAL –  QUEM BENEFICIA COM  O IMPERIALISMO?

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É óbvio que as alterações que Donald Trump pretende introduzir na política norte –americana visam o estabelecimento de um novo quadro de alianças à escala mundial. Para já procurará afastar a Rússia da China e criar zonas de tensão no Pacífico, nomeadamente entre o Japão e a China. Esta última parece ser um dos seus grandes alvos nesta fase. Criando-lhe problemas no relacionamento internacional, Trump espera estar mais à vontade para lhe impor condições menos favoráveis no campo económico e financeiro. Para ter êxito neste e noutros intentos precisará claramente de ter apoios nacionais e internacionais.

É previsível também que aposte em alterações na política europeia.  O apoio ao Brexit é um sintoma claro. O alvo será criar dificuldades ao potentado económico alemão, muito assente nas vantagens que tem obtido com a zona euro. Não será por acaso que Trump vai procurar centrar as suas atenções em enfraquecer os principais exportadores na cena internacional. Espera conseguir assim recuperar o grande predomínio de que os Estados Unidos já usufruíram no passado.

O que não é certo é que os trabalhadores norte-americanos consigam recuperar a prosperidade de que (alguns deles) já disfrutaram no passado. O grande capital aposta cada vez mais no trabalho precário e na tecnologia de ponta. Possivelmente voltarão ao país algumas das indústrias que se deslocalizaram, mas é duvidoso que estas dêem aos trabalhadores as mesmas condições que antigamente. Parte das esperanças manifestadas pelos apoiantes do novo presidente vão sem dúvida gorar-se. Nomeadamente no campo do desemprego isso poderá ter efeitos desastrosos nas classes mais desfavorecidas, com o agravamento da exclusão e da discriminação.

A grande instabilidade que as políticas agressivas e o estilo brutal de Trump podem vir a causar, de modo ainda maior do que está já à vista, vai evidentemente afectar a evolução futura do “trumpismo”. Embora muito do que se está a pôr em prática não seja novo, o desplante e o pouco polimento do 45º presidente tornam muito mais chocante a sua aplicação. Sendo provável que a oligarquia e os líderes do sistema financeira venham a reforçar as suas posições e os seus lucros, grandes desilusões são previsíveis a nível geral.

Propomos que cliquem nos links abaixo:

https://www.publico.pt/2017/01/30/mundo/noticia/como-os-eua-vao-ter-mais-inimigos-do-que-nunca-ou-a-historia-de-mustafa-1760099

http://www.francetvinfo.fr/monde/usa/presidentielle/donald-trump/recit-franceinfo-warren-ou-l-amerique-desenchantee-comment-une-petite-ville-de-l-ohio-a-bascule-d-obama-a-trump_2024553.html

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