É óbvio que as alterações que Donald Trump pretende introduzir na política norte –americana visam o estabelecimento de um novo quadro de alianças à escala mundial. Para já procurará afastar a Rússia da China e criar zonas de tensão no Pacífico, nomeadamente entre o Japão e a China. Esta última parece ser um dos seus grandes alvos nesta fase. Criando-lhe problemas no relacionamento internacional, Trump espera estar mais à vontade para lhe impor condições menos favoráveis no campo económico e financeiro. Para ter êxito neste e noutros intentos precisará claramente de ter apoios nacionais e internacionais.
É previsível também que aposte em alterações na política europeia. O apoio ao Brexit é um sintoma claro. O alvo será criar dificuldades ao potentado económico alemão, muito assente nas vantagens que tem obtido com a zona euro. Não será por acaso que Trump vai procurar centrar as suas atenções em enfraquecer os principais exportadores na cena internacional. Espera conseguir assim recuperar o grande predomínio de que os Estados Unidos já usufruíram no passado.
O que não é certo é que os trabalhadores norte-americanos consigam recuperar a prosperidade de que (alguns deles) já disfrutaram no passado. O grande capital aposta cada vez mais no trabalho precário e na tecnologia de ponta. Possivelmente voltarão ao país algumas das indústrias que se deslocalizaram, mas é duvidoso que estas dêem aos trabalhadores as mesmas condições que antigamente. Parte das esperanças manifestadas pelos apoiantes do novo presidente vão sem dúvida gorar-se. Nomeadamente no campo do desemprego isso poderá ter efeitos desastrosos nas classes mais desfavorecidas, com o agravamento da exclusão e da discriminação.
A grande instabilidade que as políticas agressivas e o estilo brutal de Trump podem vir a causar, de modo ainda maior do que está já à vista, vai evidentemente afectar a evolução futura do “trumpismo”. Embora muito do que se está a pôr em prática não seja novo, o desplante e o pouco polimento do 45º presidente tornam muito mais chocante a sua aplicação. Sendo provável que a oligarquia e os líderes do sistema financeira venham a reforçar as suas posições e os seus lucros, grandes desilusões são previsíveis a nível geral.