A CRISE DA FINANÇA – O CASO ITALIANO – 28. O BANCO DE ITÁLIA MAIS PERIGOSO: MPS OU INTESA-SANPAOLO? – Uma montagem de textos a partir de Il Fatto Quotidiano, por JÚLIO MARQUES MOTA

guardia-di-finanza

Selecção, tradução e montagem por Júlio Marques Mota. Revisão de Francisco Tavares.


il-fatto-quotidiano

O banco de Itália mais perigoso: MPS ou Intesa-Sanpaolo?

bscienza

21 de Dezembro de 2016

Uma montagem a partir de artigos de Beppe Scienza saídos em  Il Fatto Quotidiano

http://www.ilfattoquotidiano.it/blog/bscienza/

Atualmente no olho da tempestade está o banco Monte dei Paschi di Siena (Mps) e em seguida dois famigerados bancos venezianos. Mas não é apenas o resgate interno, o bail-in, aquilo em se deve estar a pensar. Na perspetiva dos aforradores, o banco mais perigoso é agora o Banca Intesa. Os atos danosos do Mps remontam ao passado e, sem dúvida, a lista completa seria longa: os títulos subordinados vendidos para assaltar a Banca Antonveneta, os produtos financeiros tóxicos tais como “For you”ou ‘My Way’, um fundo mútuo como “Spazio euro nuovi mercati”que acumulou perdas de 104,3% do património, etc, etc…

Mas agora o Mps já não se distingue dos outros bancos na conceção de novas armadilhas para colocar as suas garras sobre as poupanças dos próprios clientes. Estes agora estão atentos e além disso a banca não goza de boa reputação.

Muito regularmente elogiosos e frequentemente entusiásticos são os artigos sobre Intesa Sanpaolo, ou não se verificasse uma propensão geral dos jornalistas italianos para bajular os poderosos em qualquer campo que seja. Mas quanto a este banco, o primeiro banco italiano, haveria algo mais a dizer. Limitar-me-ei aos últimos três casos relatados por Fatto Quotidiano que, por sua vez, são apenas a ponta do iceberg.

1. Intesa Sanpaolo desenvolve uma pobre 92ésima doença de Alzheimer a vender tranquilamente os seguros títulos da dívida pública italiana. Mas para quê? Para impingir aos seus clientes um seu fundo comum e obter de ganho 8% sobre as suas poupanças. Para saber algo mais sobre esta história veja o artigo Como enganar o aforrador de seis diferentes maneiras com um e-mail” no Fatto Quotidiano de 12-12-2016 [e que a seguir reproduzimos:]

O banco Intesa-Sanpaolo não recua perante nada. Nem mesmo quando se trata de tirar proveito de uns 92 anos de idade com a doença de Alzheimer, em nome da qual se colocaram 25 mil milhões de euros em dívida pública italiana de maturidade Btp 2020. Uma funcionária de uma filial do banco Intesa na provinvia de Cuneo escreve à sua filha: primeiro apresenta cálculos detalhados (e que estavam errados) para mostrar que até à maturidade estes títulos rendem muito pouco, coisa aliás normal dadas as taxas atuais. Depois, ostenta os resultados, insuflando-os, das aplicações em Eurizon Manager seleção MS 10.

Cotação do Fundo Eurizon Manager

intesa-sanpaolo-iintesa-sanpaolo-ii

Mas a filha não se deixa de modo algum convencer pelos seus argumentos. Na verdade, fica indignada e com o devido senso cívico transmite-me documentação detalhada da proposta para que eu possa ajudar outros investidores a não cair numa armadilha similar. O e-mail é, de facto, um pequeno compêndio de técnicas para enganar os investidores, a fim de pôr as mãos em cima do dinheiro deles e massacrá-los com comissões, provisões, taxas, etc.

Primeira manipulação do banco Intesa: compara rendimentos futuros das obrigações da dívida pública italiana, os títulos BTP, nos próximos quatro anos com rendimentos passados do Fundo.

Segunda manipulação do banco Intesa: ignora o prémio de reembolso dos BTP Itália Cum fornecendo assim um dado inferior ao correto.

Terceira manipulação do banco Intesa: projeta sobre um ano um rendimento de escassos quatro meses, alardeando como um rendimento de 6,565% totalmente infundado.

Quarta manipulação do banco Intesa: esconde que com os BTP italianos se está protegido contra o risco de inflação enquanto que com os seus fundos ditos Eurizon não se está protegido.

Quinta manipulação: cala-se sobre os riscos de perdas em Bolsa o que se deve evitar quando se está com títulos de um banco doente, muito doente desde há muito tempo.

Sexta dupla manipulação do banco Intesa Sanpaolo: impingem um investimento opaco e podre em vez de um produto simples e transparente. O regulamento do fundo autoriza, na verdade, a gestão por delegação, sem limites, uma vez que pode encher-se de títulos de outros fundos ou similares. Ou seja, transparência abaixo de zero.

Ao ler as suas características tem-se de imediato o desejo de fugir. Está escrito que “não tem o objetivo de replicar o rendimento de referência”, isto é, o resultado dos mercados em que se investe; e na verdade muitas vezes fez bem pior, ou seja, destruiu riqueza.

Mas acima de tudo, descobre-se aquilo que o e-mail não relata, ou seja, taxa de subscrição até 1,5% e gastos de 1,69% ao ano, pelo que em quatro anos as poupanças (infelizmente) atribuídas seriam aligeiradas de 8,3%. Um sorvedouro que além disso” exclui os custos de transação de carteira”, mesmo aqueles sobre os quais não há nenhuma transparência. Aqui estão as verdadeiras razões da insistência do pseudoassessoria do banco Intesa!

2. Intesa Sanpaolo concebeu um desconcertante “Serviço de consultoria, dito SEI”, que leva 3,9% de encargos para um pobre ingénuo que infelizmente adira a este serviço com 100 mil euros de património para pedir aconselhamento quanto à sua aplicação. Veja a seguir “SEI, a consultoria ‘evoluída’: resultados incertos mas com maxi-comissões” de 31/10/2016:

“Um leitor transmite-me indignado (e agradecemos sempre estas informações) uma desconcertante proposta de Fideuram, rede de venda porta a porta do banco Banca Intesa Sanpaolo. Trata-se do ‘Sei, o serviço de consultoria evoluída’ como pomposamente se define. Vale a pena aprofundar, porque a suposta consultoria constitui a nova fronteira da indústria parasitária da gestão de poupanças. O cliente paga por aconselhamento que lhe é dado sobre o seu património. Conselhos pretensamente personalizados. O que constitui a promessa publicitária do costume. Na realidade, um tal serviço não pode ser vendido a 67.000 clientes que envolveria um valor global de 32 mil milhões de euros, ainda por cima ‘suportado por software feito ad hoc’ dito automatizado.

O serviço Sei, em particular, imputa ao cliente custos letais. Dos documentos a que tivemos acesso resulta que um pobre ingénuo, com 100 mil euros ‘em aconselhamento’, paga no primeiro ano 3.900 euros, isto é, 3,9%. Que prodigiosas previsões valerão assim tanto?

Se conseguisse ficar um pouco mais rico, mas também tolo, com 5 milhões, vendedor e banco repartiriam entre si 50 mil euros. Mas o que é que pode esperar-se de um banco que nem sequer conseguiu defender o valor das suas próprias ações?

Na mesma onda estão os bancos suíços que facilmente cobram 1% pela suposta consultoria. Como hei-dizer? Um imposto voluntário pago por quem depois protesta veementemente contra um selo fiscal de 0,2%. Tudo isto sem nenhum risco para o banco ou a empresa intermediária, como sempre no âmbito da poupança gerida. Aquilo que se paga está, pois, desligado da eficácia dos conselhos dados. Deste modo, tais serviços são a solução ideal para escapar à obrigação de utilização de parâmetros de avaliação (índices de referência), previstos em geral para os fundos e gestão de patrimónios. Mas o maior risco é outro.

Porque motivo um vendedor ou um funcionário não deverão aconselhar sobre aquilo em que o banco e por isso ele mesmo beneficiam mais? Ou seja, que mais pode prejudicar o cliente se a finança é um jogo de soma nula? Por isso, em frente com os fundos comuns ou certificados! Que poderão ser da mesma entidade ou mesmo de outros emitentes, isto é, daqueles que receberão mais comissões daqueles a quem os venderam, de uma maneira ou outra.

Hoje, dia 31 de janeiro, é o dia da poupança. Comecemos por poupar em consultoria vista a sua inutilidade e prejuízo potencial.”

3. Intesa Sanpaolo-até inventou um museu falso. O autoproclamado Museu da Poupança onde, tal como a flauta mágica de Hamelin, se atrai os estudantes do ensino médio-superior para lhes dizer que os seus pais devem subscrever um fundo de pensões.

Dizíamos no artigo “Intesa Sanpaolo, a educação para a poupança transforma-se em anúncio comercial” de 9-11-2016:

“Anúncios publicitários à hora das classes de aula, seduzindo estudantes liceais num museu armadilha. O Intesa Sanpaolo não perde uma ocasião para encaixar os seus produtos nos aforradores italianos. Infelizmente de forma legal, porque os banqueiros italianos fazem leis e normas boas apenas para si mesmos.

O progenitor de um estudante, indignado mas também preocupado que a coisa possa repetir-se no ano escolar há pouco iniciado, assinala o que aconteceu aos alunos do liceu Massimo d’Azeglio de Turim em 21-4-2016. Com efeito, o que é que sucedeu nesse dia? O seu filho e os companheiros de classe, em vez de irem normalmente às aulas, foram desviados para a sala Aste do banco Intesa Sanpaolo, na via Monte di Pietà 32. Em seguida, iniciou-se a presunta visita ao autoproclamado Museu da Poupança. Na realidade, durante a maior parte do tempo estiveram numa sala, para serem oportunamente endoutrinados, sendo-lhes explicadas as maravilhas dos fundos de pensões do banco e como seria conveniente que os seus progenitores lhes ativassem imediatamente uma pensão complementar de reforma. Tudo isto está documentado em registos da escola e testemunhos diretos.

Subjacente à iniciativa estaria a aplicação, que de qualquer modo se afigura forçada, da lei nº 107 de 13 de julho de 2015, em particular no que respeita à ‘formação em alternância escola-trabalho’. Não atirarei a responsabilidade para o docente envolvido na iniciativa porque muito provavelmente era inexperiente e estava de boa fé.

Se para a escola envolvida parece ter-se tratado de um mero percalço, diferente é o discurso por parte do Intesa Sanpaolo. Para o falso Museu da Poupança a propaganda sub-reptícia aos estudantes, para conseguir chegar às poupanças dos seus progenitores, é sistemática. Muitas vezes na televisão orgulha-se das visitas organizadas com a escola. Mas já vimos o que isto é precisamente. Vem vestida de educação financeira uma descarada propaganda dos planos complementares de reforma.”

Na verdade são tantos os sinais sobre a banca que estou atualmente a receber dos meus leitores que para os relatar não faria mais nada, não conseguiria escrever mais nada. É visível diariamente o empenho de Banca Intesa em impingir aos clientes, atuais e potenciais, os seus serviços em fundos, em gestão de patrimónios, na gestão das despesas correntes, nos seguros etc. Em suma, todos os produtos potencialmente perigosos da gestão de poupanças e dos complementos de pensões construídos com o único propósito de levar os aforradores, infelizmente, de forma legal, a conceder-lhes as suas poupanças para favorecer e em milhões os seus altos quadros executivos.

Dados sobre remunerações dos “homens de exceção com remunerações de exceção”

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Montagem feita a partir de diversos artigos de Beppe Scienza, Esperto di risparmio e previdenza, Il Fatto Quotidiano. Beppe Scienza banca italiana più pericolosa: Mps o Intesa-Sanpaolo? Texto disponível em: http://www.ilfattoquotidiano.it/2016/12/21/la-banca-italiana-piu-pericolosa-mps-o-intesa-sanpaolo/3273838/

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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