OS ESTADOS UNIDOS E O NEOCONSERVADORISMO – O TRIPLO JOGO DOS NEO-CONSERVADORES, por LAURENT GUYÉNOT – V

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Selecção de Júlio Marques Mota

Rede Voltaire

O triplo jogo dos Neo-conservadores

Laurent Guyénot, O triplo jogo dos neo-conservadores

Para bem atingir os seus sonhos megalómanos de domínio mundial, os neo- conservadores desenvolveram um triplo discurso, como mostra Laurent Guyénot neste ensaio: uma filosofia cínica da política elaborada pelo seu mestre pensador, Léo Strauss, para consumo interno; uma análise fria dos interesses estratégicos israelitas quando eles aconselham os dirigentes de Telavive; e uns alertas alarmistas face a perigos imaginários para a opinião pública dos EUA.

REDE VOLTAIRE | 1 DE MARÇO DE 2013

FRANÇAIS  ENGLISH

(CONCLUSÃO)

Entre os países visados pelos neo-conservadores após o 11-Setembro encontra-se também a Arábia saudita. A sua colocação no banco dos réus está inscrita no cenário do 11-Setembro, pelo facto de Oussama Ben Laden e de 15 dos 19 pretensos piratas do ar serem Sauditas. Foi David Wurmser quem abriu as hostilidades no Weekly Standard, com um artigo intitulado «A conexão saudita»  [99], pretendendo que a família real estava por trás do atentado. O Hudson Institute, um dos bastiões dos neo- conservadores, conduz de há muito tempo uma virulenta campanha de diabolização da dinastia saudita, sob a batuta do seu co-fundador Max Singer (hoje em dia director de pesquisa no Institute for Zionist Strategies – (Instituto para a Estratégia Sionista, NdT) em Jerusalém). Em junho de 2003, o instituto patrocinou um seminário intitulado Os discursos sobre a democracia: a Arábia saudita, amigo ou inimigo?  [100], onde todas as intervenções sugerem que «inimigo» é a resposta correcta. Um acontecimento especial saudou a saída do livro O Reino do ódio: como a Arábia saudita apoia o novo terrorismo global  [101], do Israelita Dore Gold, que foi conselheiro de Netanyahou e de Sharon, e embaixador de Israel nas Nações Unidas. A 10 de julho de 2002, o neo-conservador franco-americano Laurent Murawiec, membro do Hudson Institute e do Committee on the Present Danger, intervêm diante do Defense Policy Board -(Gabinete da Política de Defesa,NdT)- de Richard Perle para explicar que a Arábia saudita representa « núcleo do mal, a força motriz, o adversário mais perigoso»  [102], e recomendar que os Estados-Unidos o invadam, o ocupem e o dividam. Ele resume a sua «Grande estratégia para o Próximo-Oriente» nestas palavras: « O Iraque é o pivô táctico. A Arábia Saudita é o pivô estratégico. O Egipto é o prémio.»  [103] Murawiec é o autor de várias obras de diabolização dos Saoud, entre os quais Os Príncipes das Trevas: o assalto dos Sauditas contra o Ocidente  [104]. O resenha do editor do seu livro francês La guerre au XXIe siècle – (A guerra no século XXI, NdT) merece ser citado: «O reino protegeu durante anos Ben Laden, formado aliás, no início, por uma unidade especial da CIA. A dinastia dos Sauditas financiou, com pleno conhecimento de causa, o terrorismo apoiando para isso centenas de organismos islâmicos pretensamente humanitários. O poder real conseguiu no decorrer dos anos infiltrar agentes de influência ao mais alto nível da administração americana e organizar um eficaz lobbi intelectual que controla, agora, várias universidades do país entre as mais prestigiosas.»

Embora omnipresentes no governo Bush, os neo-conservadores são, com efeito, os principais inspiradores da contestação soft (suave,NdT) do 11-Setembro, representada em França pelo jornalista Éric Laurent [105], que admite a responsabilidade da Al- Qaida mas concentra as suas pesquisas nas ligações entre os Bush, os Saoud e os Ben Laden. No seu livro já citado, La Fin du Mal-(O Fim do Mal,NdT)-(2003), Richard Perle, a eminência parda do Pentágono, e David Frum, o próprio redactor dos discursos do presidente Bush, afirmam que «Os Sauditas se colocaram a si mesmos no Eixo do Mal»  [106] e imploram ao presidente Bush para «dizer a verdade sobre a Arábia saudita»  [107], ou seja que os príncipes sauditas financiam a Al-Qaida. Para compreender a inanidade de uma tal acusação, basta saber que os Saoud destituíram Oussama Ben Laden da sua nacionalidade em abril de 1994, exasperados pelas suas acusações incessantes contra a presença militar americana, que eles toleram nos lugares santos do Islão, desde a primeira Guerra do Golfo. Numa Declaração de guerra contra os Americanos que ocupam o país dos Dois lugares santos  [108], difundida em 1996, Ben Laden apela ao derrube do seu regime e, em 1998, admite o seu papel no atentado de 13 novembro de 1995 contra o quartel general da Guarda Nacional em Riade. Oussama Ben Laden é inimigo jurado dos Saoud. É inimaginável que os Saoud tenham conspirado com ele contra os Estados-Unidos; pelo contrário, é plausível que eles tenham conspirado contra ele com os seus amigos do clã Bush, pondo-lhe um atentado às costas para lhe lançar o exército americano às canelas e, na mesma pancada, liquidar o regime Talibã às custas da UNOCAL. Tudo leva, pois, a crer que a família Bush está implicada no complô do 11-Setembro, (pensemos no papel jogado pelo irmão e pelo primo do Presidente, Marvin Bush e Wirt Walker III, à cabeça da sociedade Securacom que controlava o acesso ao WTC), mas que ela foi dobrada-(como numa cena de duplos,NdT)-e que George W. serviu depois de escudo humano aos neo-conservadores, cujos objectivos vão muito para lá de Ben Laden, do Afeganistão e do petróleo. Assim se explica com efeito, a posteriori, a escolha dos neo-conservadores para levar George W. Bush à presidência, um homem facilmente «missionado por Deus» (donde o sobrenome de Blues Brothers que ele partilha com o seu Attorney General John Ashcroft, outro cristão sionista). Como o resumiu o neo-conservador Michael Ledeen: Ele tornou-se presidente, mas sem saber porquê, e a 11-Setembro, ele descobriu o porquê. [109]

Atirar a responsabilidade do 11-Setembro para cima de Ben Laden (sem provas e desprezando o desmentido repetido do interessado), permite aos neo-conservadores sabotar não só a aliança dos Estados-Unidos com a Arábia Saudita, mas também com o Paquistão. Já que atrás de Ben Laden, estão os Talibãs que o abrigam; e por trás dos Talibãs, está o Paquistão que suporta o seu regime. É pois igualmente o Paquistão que é indirectamente acusado após o 11-Setembro. Nenhuma acusação oficial é levantada, mas fugas orquestradas para a imprensa evocam cumplicidades no seio do ISI. O general Ahmed Mahmoud, director do ISI, é posto em causa numa informação relatada primeiro pelo The Times of India: «as autoridades americanas tentaram descartá-lo depois de terem tido a confirmação que 100000 dólares tinham sido transferidos para o terrorista Mohamed Atta, desde o Paquistão, por Ahmed Omar Saïd Sheikh [agente do ISI] por ordem do general Mahmoud ». [110] Uma vez que Mohamed Atta não é neste assunto senão um “patsy”(espantalho-NdT), esta fuga de informação organizada só pode ser interpretada como um meio de chantagem contra o ISI e o Estado paquistanês para os forçar a cooperar com os Estados-Unidos na destruição do regime Talibã. Talvez o ISI tenha efectivamente fornecido dinheiro a Atta, o qual teria sido escolhido como chefe fictício dos terroristas precisamente para isto. Mahmoud, que se tinha deslocado várias vezes a Washington desde 1999, encontrava-se precisamente aí entre 4 e 11 de setembro de 2001. Ele teria então tido encontros com George Tenet, director da CIA, Marc Grossman, sub-secretário de Estado para os assuntos políticos, e talvez mesmo Condoleezza Rice, embora esta o tenha desmentido. Na altura dos atentados, ele participava num pequeno-almoço de trabalho com Bob Graham, presidente da Comissão senatorial de Informações, e Porter Goss, presidente da Comissão de Informações na Câmara dos Representantes; «Nós falamos do terrorismo, nomeadamente do gerado no Afeganistão»  [111], segundo Graham, que com Goss será nomeado para a Comissão sobre o 11-Setembro. Não se sabe o que terá sido dito a Mahmoud após a notícia dos atentados, mas ele irá passar à reforma no mês seguinte, asfastar-se-á da vida política juntando-se ao movimento religioso Tablighi Jamaat num modo de levar consigo o seu segredo para a sua tumba.

Podemos imaginar, sem grande esforço, porque o sector do “Estado profundo” dos EU, que orquestrou o 11-Setembro, teria querido fazer pressão sobre o governo paquistanês: forçá-lo a alinhar com a tese oficial do 11-Setembro e, sobretudo, retomar as rédeas sobre este aliado indisciplinado, sob a ameaça de ser tratado como inimigo no caso de recusar cooperar («ou vocês estão connosco, ou vocês estão com os terroristas»). Mas pode-se também detectar, nos rumores sobre os laços entre a Al- Qaida e o ISI, uma vontade de envenenar as relações entre o Paquistão e os Estados- Unidos, mais do que melhorá-las. A encenação da captura de Ben Laden tende confirmá-lo. Ela permitiu acusar o Paquistão, após o Afeganistão, de ter abrigado Ben Laden durante uma dezena de anos, o que constitui aos olhos dos Norte-americanos uma verdadeira traição da parte de um país aliado. Vários livros defendem esta linha, como o do veterano da CIA Bruce Riedel, Abraço mortal: o Paquistão, a América e o Futuro da Jihad mundial.  [112] Segundo Riedel, a vida tranquila de Ben Laden nos arredores de Abbotabad sugere «um grau incrível de duplicidade» da parte do Paquistão, que poderia ser «o patrão secreto da jihad global, a uma escala tão perigosa que é inconcebível. Nós teríamos então de repensar completamente a nossa relação com o Paquistão e o nosso entendimento dos seus objectivos estratégicos»  [113].

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Andrew Cockburn reporta no seu livro sobre Rumsfeld (2007) esta conversa entre os dois George Bush: — O que é que é um neo-con? pergunta Júnior. — Tu queres nomes ou uma definição? — Definição. — Bom, eu dou-te uma, numa única palavra: Israel, responde o Pai.

A guerra contra o Iraque sob o pretexto das armas de destruição maciça inexistentes, a desestabilização da Síria por interpostos Contras, a ameaça de rebentar com o Irão sob o pretexto de um programa de armamento nuclear que não é encontrado, tudo isto testemunha uma vontade de abrasar o Próximo-Oriente, enquanto as acusações de cumplicidade com a Al-Qaida lançadas contra o Paquistão e a Arábia saudita visam corroer a aliança dos Estados-Unidos com estes países afim de que os Estados-Unidos não tenham mais do que um único aliado na região: Israel. O que parecem querer desencadear os cripto-sionistas é uma guerra mundial de onde sairão enfraquecidos e retalhados todos os inimigos de Israel, durante décadas, de modo que Israel poderá mesmo dispensar os Estados-Unidos, arruinados pelas suas despesas militares como o foi a URSS nos anos 80, e por acrescento detestados através do globo.

Num artigo do Wall Street Journal de 20 de novembro de
2001, o neo-conservador Eliot Cohen fala da guerra contra o
terrorismo como a «a IVa Guerra mundial», e o termo será
retomado por outros neo-conservadores. Em setembro de
2004, um colóquio neo-conservador em Washington incluindo Norman Podhoretz e Paul Wolfowitz intitulava-se «IVa Guerra mundial: Porque nos batemos, quem devemos combater, como nos batemos». [114] Cohen declarava: «O inimigo, não é o terrorismo […] mas sim o islão militante». Como a Guerra fria (assimilada a uma IIIa Guerra mundial), a IVa Guerra mundial descrita por Cohen tem raízes ideológicas, será global e durará muito tempo, implicando numerosos tipos de conflitos. O tema da IVa Guerra mundial foi igualmente popularizado por Norman Podhoretz, no seu artigo «Como ganhar a IVa Guerra mundial»  [115] aparecido no Commentary em fevereiro de 2002, seguido por um segundo artigo em setembro de 2004, «A IVa Guerra mundial: como começou, o que significa e porque nós devemos vencer»  [116], e para terminar um livro intitulado em 2007 IVa Guerra mundial: a longa luta contra o islamo-fascismo  [117]. No seu artigo de 2004, ele escreve: «Nós enfrentamos uma força verdadeiramente perversa no islão radical, e nos países que alimentam, abrigam ou financiam o seu exército terrorista. Este novo inimigo já nos atacou na nosso próprio solo — uma façanha que nem a Alemanha nazi nem a Rússia soviética conseguiram — e anuncia abertamente a sua intenção de nos atingir de novo, desta vez com armas infinitamente mais potentes e mortais que asutilizadas a 11-Setembro. O seu objectivo não é simplesmente assassinar o maior numero de entre nós e de conquistar a nossa terra. Como os Nazis e os comunistas antes dele, ele está determinado a destruir tudo aquilo que é bom no que a América representa».  [118]

Parece evidente que os neo-conservadores têm a intenção de legar como herança à humanidade uma guerra mundial de aniquilação contra a civilização islâmica. Um tal hubris é incompreensível sem um conhecimento da natureza histórica do sionismo e das suas formas extremistas. O sionismo é antes de mais um sonho bíblico: «A Bíblia é o nosso mandato», proclamava em 1919 Chaim Weisman, futuro primeiro presidente de Israel em 1948. David Ben Gourion, embora agnóstico, era possuído pela história bíblica, ao ponto de adoptar o nome de um general judeu que combateu contra os Romanos. «Não pode haver educação política ou militar válida a propósito de Israel sem um conhecimento aprofundado da Bíblia», repetia. [119] Antecipando um ataque contra o Egipto em 1948, ele escreve no seu jornal: «Isto será a nossa vingança pelo que eles fizeram aos nossos antepassados nos tempos bíblicos.».  [120] Ora, o sonho bíblico em que se inspiram os sionistas é baseado sobre a noção de «povo eleito», o que é um «racismo metafísico». Os pais do sionismo, maioritáriamente ateus, transpuseram esta noção para a ideologia dominante do seu tempo, em concorrência com o racismo germânico. Moses Hess, que inspirou o fundador histórico do sionismo Theodor Herzl, opunha às teorias do seu amigo Karl Marx a ideia que as guerras de raças são mais importantes na história que as lutas de classes, e afirmava que «a raça judia é uma raça pura» de caracteres «indeléveis».

Escutemos igualmente Zeev Jabotinsky, figura maior do sionismo: «Um judeu culto no meio de Alemães pode certamente adoptar os hábitos alemães, a língua alemã. Ele pode ficar totalmente impregnado por este fluido germânico, mas permanecerá sempre um judeu, porque o seu sangue, o seu organismo e o seu tipo racial, no plano corporal, são judeus.» Estas frases foram escritas em 1923, dois anos antes do Mein Kampf de Hitler. Sionismo e nazismo conviveram bem até ao fim dos anos 30, como o demonstrou Lenni Brenner. [121] O rabino Joachim Prinz, que se tornará presidente do American Jewish Congress – (Congresso Judeu Americano, NdT) – de 1958 à 1966, celebrava em Berlim em 1934 as leis raciais alemãs no seu livro Nous, les juifs – (Nós , os judeus, NdT) [122]: «Um Estado construido sobre o princípio da pureza da nação e da raça pode ser honrado e respeitado por um judeu que afirma a sua pertença à comunidade dos seus semelhantes.» Pelo contrário, segundo Prinz, os judeus assimilacionistas são os inimigos do sionismo tanto quanto do nazismo.

Em 1947-48, o racismo sionista abateu-se sobre os Palestinianos sob a forma de uma limpeza étnica que fez fugir 750.000 de entre eles, ou seja mais da metade da população nativa o que relembra a ordenada por Yavé contra os Cananeus: «fazer tábua rasa das nações das quais Yavé teu Deus te entregou o domínio, desapossá-los e habitar nas suas cidades e nas suas casas» (Deut 19:1) e, nas cidades que resistam, «nada deixar subsistir vivo» (20:16). Para uma comunidade como para um individuo, o problema não vem de se crer o Eleito, mas de se crer eleito por um deus chauvinista, racista e genocidário.

O sonho bíblico insuflado por Yavé ao seu povo eleito, tanto no livro do Êxodo como nos livros dos profetas, não é apenas um sonho racial e nacional; é muito claramente um sonho imperial. Jerusalém deverá tornar-se o centro dominante do mundo. Lembram-se muitas vezes estes versos do segundo capítulo de Isaías como prova que a mensagem profética é pacífica: «Eles quebrarão as suas espadas para fazer delas relhas de arados, e as suas lanças para fazer delas foices. Nenhuma nação erguerá mais a espada contra outra nação, não se aprenderá mais a fazer a guerra.» Mas omitem sempre os versos precedentes, que indicam que este tempo de paz só chegará quando «todas as nações» renderem homenagem «na montanha de Yavé, na Casa do Deus de Jacob», assim que Yavé, no seu Templo, «julgará entre as nações.» Em certos círculos intelectuais, o sionismo moderno concebe-se ainda como um projeto de Nova ordem mundial. Jacques Attali vê-se assim a «imaginar, sonhar com uma Jerusalém tornada capital do planeta que será um dia unificado em torno de um governo mundial.»

O sonho bíblico de império é indissociável de um prévio pesadelo de guerra mundial. O profeta Zacarias, muitas vezes citado nos fóruns sionistas, prediz no seu capítulo14 que Yavé combaterá «todas as nações» coligadas contra Israel. Num único dia, toda a terra se tornará um deserto, à excepção de Jerusalém, que «será içada e permanecerá no seu lugar». O talento profético de Zacarias parece ter-lhe dado uma visão do que Deus poderá fazer com armas atómicas: «E eis qual será a desgraça com que o Eterno atingirá todos os povos que tenham combatido contra Jerusalém: ele fará cair a sua carne apodrecida enquanto estejam de pé sobre os seus pés, os seus olhos fundir-se-ão nas suas órbitas, e a sua língua se fundirá na sua boca.» Só após esta carnificina é que virá a paz mundial: «Acontecerá que todos os sobreviventes de todas as nações, que marcharam contra Jerusalém, subirão ano após ano a prostrar- se diante do rei Yavé Sabaot e a celebrar a festa das Tendas. Aquela das famílias da terra que não subir a prostrar-se em Jerusalém, diante do rei Yavé Sabaot, não terá chuva para si. Etc.»

O general Wesley Clark testemunhou em numerosas ocasiões, diante das cameras, que uma dezena de dias após o 11 de setembro de 2001, aquando de uma visita ao Pentágono para lá se encontrar com Rumsfeld e Wolfowitz, ele soube por um general, que ele recusa identificar, que a decisão de invadir o Iraque estava já tomada ao mais alto nível. Duas semanas mais tarde, quando as operações tinham começado no Afeganistão, Clark perguntou ao mesmo general se ainda havia a intenção de invadir o Iraque, e este respondeu-lhe, exibindo um documento: «Oh, é pior do que isso. Eu tenho aqui um memorando que descreve como se vai tomar sete países em cinco anos, começando pelo Iraque, depois a Síria, o Líbano, a Líbia, a Somália e o Sudão, e acabando pelo Irão».  [123]. Ora, segundo o Deuteronómio 7, Yavé entregará a Israel «sete nações maiores e mais poderosas que tu. […] Yavé teu Deus entregar-tas-á, elas permanecerão submetidas a grandes aflições até que elas sejam destruídas. Ele entregará os seus reis ao teu poder e tu apagarás o seu nome por debaixo dos céus». Estas «sete nações», ainda evocadas em Josué 24:11 e Actos 13:19, fazem parte dos mitos sionistas inculcados aos estudantes israelitas desde a idade dos nove anos, com o culto da guerra santa. Conformando o ensinamento de Leo Strauss, o projeto neo-conservador de atacar «sete países» alimenta-se do mito bíblico das «sete nações».

Laurent Guyénot

Tradução
Alva

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[99] «The Saudi Connection», por David Wurmser, The Weekly Standard, 29 de outubro 2001.

[100] «Discourses on Democracy: Saudi Arabia, Friend or Foe?», 6 de Junho de 2003

[101] Hatred’s Kingdom: How Saudi Arabia Supports the New Global Terrorism, por Dore Gold, Regnery Publishing (2004).

[102] Hatred’s Kingdom: How Saudi Arabia Supports the New Global Terrorism, por Dore Gold, Regnery Publishing (2004).

[103] «Iraq is the tactical pivot. Saudi Arabia the strategic pivot. Egypt the prize.»

[104] Princes of Darkness: the Saudi Assault on the West, par Laurent Murawiec, Rowman & Littlefield (2005). A versão original redigida em francês não foi publicada. (Príncipes das Trevas: o assalto Saudita ao Ocidente, NdT)

[105] La Face cachée du 11 Septembre, por Éric Laurent, Plon (2004)

[106] «The Saudis qualify for their own membership in the axis of evil»

[107] Tell the truth about Saudi Arabia»

[108] Declaration of War Against the Americans Occupying the Land of the Two Holy Places

[109] «He became president, but he didn’t know why, and on sept 11, he discovered why.»

[110] «US authorities sought his removal after confirming the fact that $100,000 were wired to WTC hijacker Mohamed Atta from Pakistan by [ISI agent] Ahmed Omar Saïd Sheikh at the instance of General Mahmud.» in «India helped FBI trace ISI-terrorist links», por Manoj Joshi, Times of India, 9 de outubro de 2001.

[111] «We were talking about terrorism, specifically terrorism generated from Afghanistan», citado in «Secret Hearings hide 911 terrorist links to Congress/White House», por Tom Flocco, American Free Press, 8 de outubro de 2002.(Audiências secretas escondem ligações terrorista do 11 de Set. ao Congresso/Casa Branca, NdT)

[112] Deadly Embrace: Pakistan, America, and the Future of Global Jihad, por Bruce Riedel, Brookings Institution

[113] «An astonishing degree of duplicity», «the secret patron of global jihad on a scale almost too dangerous to conceive. We would need to rethink our entire relationship with Pakistan and our understanding of its strategic motives.»

[114] «World War IV: Why We Fight, Whom We Fight, How We Fight», colóquio organizado pelo Committee on the Present Danger e a Foundation for the Defense of Democracies, Mayflower Hotel (Washington), 29 de setembro de 2004. Com a presença de Paul Wolfowitz, John Kyl, Joseph Lieberman, R. James Woolsey, Norman Podhoretz, Eliot Cohen, Rachel Ehrenfeld.

[115] «How to Win World War IV»- (Como vencer a IVa Guerra Mundial,NdT)

[116] «World War IV: How It Started, What It Means, and Why We Have to Win»

[117] World War IV: The Long Struggle Against Islamofascism, por Norman Podhoretz, Vintage (2008).

[118] «We are up against a truly malignant force in radical Islamism and in the states breeding, sheltering, or financing its terrorist armory. This new enemy has already attacked us on our own soil — a feat neither Nazi Germany nor Soviet Russia ever managed to pull off — and openly announces his intention to hit us again, only this time with weapons of infinitely greater and deadlier power than those used on 9/11. His objective is not merely to murder as many of us as possible and to conquer our land. Like the Nazis and Communists before him, he is dedicated to the destruction of everything good for which America stands.»

[119] «There can be no worthwhile political or military education about Israel without profound knowledge of the Bible» in Ben-Gurion, Prophet of fire, por Dan Kurzman, Simon and Schuster (1983).(Não pode haver compreensão política ou militar válida acerca de Israel sem um profundo conhecimento da Bíblia, em Ben- Gurion, Profeta de Fogo,NdT)

[120] «This will be our revenge for what they did to our ancestors in biblical times». Citado em The Ethnic Cleansing of Palestine, por Ilan Pappé, Oneworld Publications. Versão francesa Le Nettoyage ethnique de la Palestine- A Limpeza étnica da Palestina, Fayard (2008).

[121] Zionism in the Age of the Dictators, Lawrence Hill & Co (1983) e 51 Documents: Zionist Collaboration with the Nazis, Barricade Books (2009)

[122] Wir Juden, por Joachim Prinz (1934).

[123] «Oh, it’s worse than that. This is a memo that describes how we’re gonna take out seven countries in five years, starting with Irak, and then Syria, Lebanon, Libya, Somalia and Sudan and finishing off with Iran.» ( Oh, é pior do que isso. Este é um memorando que descreve como vamos tomar sete países em cinco anos, começando com o Iraque, depois a Síria, Líbano, Líbia, Somália, Sudão e acabando com o Irão, NdT)

Laurent 

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Ver o original em:

http://www.voltairenet.org/article178109.html

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Para ler a Parte IV deste trabalho de Laurent Guyénot, clique em:

https://aviagemdosargonautas.net/2017/02/25/os-estados-unidos-e-o-neoconservadorismo-o-triplo-jogo-dos-neo-conservadores-por-laurent-guyenot-ios-estados-unidos-e-o-neoconservadorismo-o-triplo-jogo-dos-neo-conserva/

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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