CONTOS & CRÓNICAS – CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – DIÁRIO DE UM PORTUGUÊS SUAVE

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5-a

 

É intolerável! É absolutamente intolerável e inaudito. Que se continue a ensombrar e a denegrir a pobre e amarrotada família Espírito Santo todos os dias. Deixem as pessoas em paz! Deixem-nas respirar, contar as notas, levantar, depositar, transacionar, fazer as contas, transferenciar, ir à Suiça e voltar – mas em sossego.

Porque (e já agora) a culpa das aparentes e sucessivas bancarrotas bancárias é, evidentemente, dos trabalhadores, dos empregados do BES, por exemplo, que são bem pagos que se fartam e abandalhados a mais não poder: não querem fazer horas extraordinárias, chegam tarde ao serviço, passam o tempo a coçar os tomates, sacodem distraidamente a caspa por sobre cheques, letras e borderaux, vão à casa de banho uma data de vezes ao dia, chegam sempre cinco minutos mais tarde e saem sempre dez minutos mais cedo. E têm a mania dos sindicatos, essa inutilidade nacional, que nada produz. Eu sei, eu sei, eu fui empregado bancário, fiquem sabendo, sei do que estou a falar.

Deviam era ser vigiados mazé, essa corja bancária que vive à custa dos pobres e injustiçados banqueiros.

Mas passar-se a vida a denunciar, a apontar o dedo aos infelizes administradores, por amor de Deus! Não lembra ao diabo, francamente. Pois se quem trabalha (enfim…) são os empregados, se os administradores apenas existem ou aparecem quando há precisamente reuniões dos conselhos de administração (o que não deve suceder mais do que uma meia dúzia de vezes por ano) pois se eles não têm tempo para trabalhar como as pessoas, ocupados que estão, os infelizes e sacrificados banqueiros, a gerir propriedades, yates, frotas de automóveis, contas de guarda-roupa e de sapatos das esposas, negócios e por aí fora – como se pode acusar assim estas pessoas de bem, amigas até de presidentes da república, ministros, secretários de estado? Justiça de rua, justiça de opinião pública, conversa de jornalistas, é o que é, uma vergonha. Só pode ser culpa dos comunistas, está-se mesmo a ver. O costume deles, a inveja, o mau feitio.

Até porque a outra justiça, a autêntica, tem mais que fazer, tem mais com que se preocupar, ele é os roubos em supermercados, ele são as bebedeiras dos jovens aos fins de semana ele é os roubos de esticão, que são imensos e ocupam todo um tempo da Justiça e dos Tribunais.

Mas não são apenas os infelizes espíritos absolutamente santos, perseguidos e a sofrer.

Não. Agora andam também atrás de honestos e excelentes gestores, que até ajudaram a simplificar a PT (anteriormente uma empresa enormemente complicada e burocrática e hoje com o potencial discreto e funcional do mealheiro de uma cabine telefónica) com grande denodo, audácia e coragem. Até mesmo desprezo pela vida. Trata-se do interessante gestor Zeinal Bava e do impetuoso empreendedor Henrique Granadeiro. Heróis absolutamente nacionais, sendo que um deles até levou com uma cruz não de quê, por parte dos poderes presidenciais e o outro foi chefe da casa civil de um presidente da república, seja lá o que isso quer dizer, algo que ninguém sabe o que é mas que deve ser importante.

Que teriam recebido, um e outro, vejam lá, uns ridículos milhões de euros da parte do anterior perseguido e explorado, o Ricardo, um homem de espírito santo e aberto, além de salgado. Que se apressaram a guardar, um e outro (são da mesma escola, do mesmo curso e muito unidos, fizeram juntos a primária) em pequenos mealheiros que ambos possuem na Suiça, lembranças de uma infância dolorosa e infeliz que ambos sofreram.

E o que é que os Poderes terão com isso? Uma pessoa já não pode dar uma esmolinha a alguém, ajudar amigos em situação precária de desemprego? Um Ricardo Espírito São não está no seu direito de distribuir umas rupias por quem necessita?

O que é que ensinam nas escolas hoje em dia, desde aquele maldito 25 de Abril? Já não há valores nem princípios como no antigamente? A bondade e a caridade são crimes, é assim?

Isto é um desabafo negativo, eu sei. Mas tenho esperanças. No Trump, na Le Pen, nos que hão-de vir e por cá também, a pôr esta cambada de comunistas, ateus e infiéis no seu lugar.

Carlos

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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