SINAIS DE FOGO – FAÇA UMA PETIÇÃO DR. SALGADO – por Soares Novais

sinais de fogo

 

Estou a pensar em sugerir ao Dr. Salgado que encabece uma petição pública para que a malta da bola tenha um aumento salarial a rondar os 50%. Explico: é que depois da televisão do tio Balsemão ter posto ao sol tudo aquilo que lavou enquanto foi banqueiro, a tempestade amainou durante o fim de semana. Graças ao futebol e à malta da bola.

Ontem, aqui pelo burgo, ninguém falava doutra coisa que não fossem as eleições no Sporting; as ameaças estampadas na tasca do pai do árbitro de Fafe; e no outro Espírito Santo – o Nuno – cuja equipa deu 7-0 ao Nacional da Madeira.

Ou seja, a malta gosta é deste “futebol”. Jogado fora das quatro-linhas. Pouco ou nada lhe importam os “roubos de igreja”, para parafrasear José Maria Pedroto, que a elite financeira há muito protagoniza, acolitatada pela malta da política que está ao seu serviço.

Por isso, dr. Salgado, creio ser de toda a justiça que se tire das suas tamanquinhas e encabece uma petição pública para que a malta da bola, ou seja os adeptos, tenha um aumento nunca inferior a 50% sobre a sua massa salarial. Eles são o garante de que o sistema vai continuar a produzir banqueiros e empresários do seu calibre: honestos e moralmente exemplares.

Mais: não tenho dúvidas de que tal petição pública receberá o apoio de largas centenas de concidadãos seus. Não é dificil de imaginar que o ex-doutor Relvas – à espera de se tornar banqueiro com o EFISA e com os olhos já postos no seu ex-BES, que Carlos Costa baptizou de Novo Banco – a subscreverá sem hesitação.

Outros senadores do sistema seguirão o seu exemplo. Eis alguns: Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa, Hélder Bataglia, Passos, Maria Luís, Portas, Paulo Núnico, Tomás Correia, os herdeiros de Horácio Roque, Bava e Granadeiro, Carlos Santos Silva, Joaquim Barroca, Sócrates, Vara e José Penedos, sendo que deve convidar o sucateiro Godinho a faze-lo, pois é de bom tom abrir tão notável petição ao povo.

Assim, evita que o acusem de agora só se dar com o padre Avelino Alves, o pastor que celebra a missa na capela privada do clã, e que o vê ajoelhar-se aos pés do altar-mor. Domingo após domingo.

Tal seria profundamente injusto, aliás. O Dr. Salgado sempre se deu com a populaça. Tanto que o empreiteiro José Guilherme o presenteou com 14 milhões de euros, pois foi a forma “simples” de lhe agradecer o facto de estar entre os seus mais dilectos amigos…

A tempo: João Duque, é professor do ISEG/UTL e um alegado “expert” em questões económicas com assento permanente nos canais televisivos. É assim uma espécie de Drª Teodora no masculino. Tantas são as vezes que se engana nas suas análises e previsões. Duque foi Padrinho do Doutoramente Honoris Causa do Dr. Salgado, em 2013, isto é, quando o BES/GES já caminhava para o fim e se preparava para enterrar as suas vítimas em campa rasa. Agora, nem quer que lhe falem nesse apadrinhamento. Percebo-o. O ex-Dono Disto Tudo (DDT) caiu; é acusado das maiores maldades e arguído em vários processos; hoje já não interessa tê-lo como amigo. Mas não quero ser injusto para com Duque. Por isso, aqui se estampa o “brilhante” discurso que Duque leu na cerimónia de apadrinhamento. Ei-lo:

“Como é do conhecimento geral o ISEG completou recentemente os seus primeiros 100 anos de atividade. Contudo, estabelecemos desde cedo que o nosso centenário se estenderia até Outubro / Novembro de 2013, altura em que celebraremos os 100 anos de utilização deste espaço conventual ao serviço do ensino superior no campo da ciência comercial, da gestão e da economia. E por isso elegemos um conjunto de personalidades que desejávamos agraciar, no âmbito da Escola e da Universidade, com a distinção de doutor honoris causa. O plano inicial seria o de prolongar esta celebração até Outubro / Novembro de 2013. Porém, o feliz processo de fusão e de criação da nova Universidade de Lisboa entretanto iniciado, veio a revelar-se um catalisador deste processo, que queríamos ainda associado à velha “Universidade Técnica de Lisboa”. Atribuímos merecidamente o grau de doutor honoris causa a Eduardo Catroga, a António de Almeida, a Manuela Silva, e a António Mexia. E de que modo mais feliz do que concluir esta série de distinções do que conclui-la, na pessoa de alguém que, além de nos prestigiar, tem ainda associada uma ligação pessoal e de família a esta casa, e que publicamente se orgulha de se manter há três gerações? Ricardo Espírito Santo Silva Salgado nasceu em Cascais a 25 de Junho de 1944. Bisneto de José Maria do Espírito Santo e Silva, fundador de um negócio de serviços financeiros com origem na “caza de câmbios” com estabelecimento na Rua Paulista, n.º 91 e cujos primeiros registos contabilísticos a datarem de 1869, se firmavam em atos de compra e venda de obrigações, títulos de crédito nacionais e estrangeiros, empréstimos de dinheiro, operações de câmbios, e revenda de lotaria espanhola, Ricardo Salgado frequentou o Ensino Secundário no Liceu Pedro Nunes e em 1969 concluiu a licenciatura em Economia no Instituto Superior de Ciências 2 Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa. Nos anos do Quelhas conviveu com distintos alunos e mestres. Foi contemporâneo de colegas dos cursos anteriores como os irmãos e professores Pinto Barbosa, Pereira Dias, Eduardo Catroga, Gregório Luís, foi do curso do Mário Cristina de Sousa, Proença Varão e Marques da Silva, e ainda recebeu como caloiros (terá praxado?), entre outros, Abel Mateus, Espinho Romão, Miguel Beleza, António Borges, Carlos Silva Ribeiro, ou Jorge Vieira Jordão. Os seus tempos do Quelhas pronunciavam já tempos de profunda mudança no mundo e particularmente em Portugal… É possível que se recorde que, estando a acompanhar o Prof. Pereira de Moura, numa visita de estudo às instalações da, hoje extinta, Metalúrgica Duarte Ferreira no Tramagal no dia 4 de Abril de 1968, recebe a notícia que Martin Luther King acabara de ser assassinado em Memphis, Tennessee pelas mãos de um pesadelo que lhe ceifou o sonho. E é no final da sua passagem pelo Quelhas enquanto estudante, que assiste ao estalar da crise académica que eclode a 17 de Abril de 1969. Terminada a licenciatura, cumpriu o Serviço Militar na Marinha de Guerra Portuguesa, no Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval (15º CFORN), após o qual se junta à equipa do então Banco Espirito Santo e Comercial de Lisboa onde, em 1972, assume a direção do Gabinete de Estudos Económicos e posteriormente a Direcção de Crédito, onde fica até 1975. Em paralelo e no mesmo período de tempo, assume já um lugar na administração da Companhia de Seguros Bonança. Assim que assume funções em 1972 no BESCL, Ricardo Salgado assiste na entrada do ano de 1973 a outra das grandes alterações de liderança no grupo económico onde trabalhava. Com a morte de seu tio-avô Manuel Ribeiro Espírito Santo e Silva, o último dos três irmãos, filhos do fundador (a segunda geração) que durante cinco décadas manteve a gestão homogénea e contínua do Banco, abre-se então a fase de uma nova liderança sob os auspícios da geração subsequente e inicialmente assumida por Manuel Ricardo Pinheiro Espírito Santo Silva, filho do anterior presidente do Banco. Nesta altura o capital do banco eram um milhão e duzentos mil contos e o total dos depósitos à ordem e a prazo 38 milhões e duzentos mil contos, o que significava já uma posição de liderança do BESCL no mercado nacional. Com a nacionalização da banca em 1975 o BESCL torna-se um de muitos bancos públicos que mais tarde serão alvos do processo de privatização e Ricardo Salgado arranca para uma segunda fase da sua vida agora sediada momentaneamente no estrangeiro. Em 1976 funda e é Director Superintendente e Director Presidente do Banco Interatlântico de Investimento no Rio de Janeiro, cargo que mantém até 1982. Em 1980 negocia com o Grupo Monteiro Aranha a cedência de 50% do capital do Banco Interatlântico, e em 1981 negocia a cedência de 50% da posição Luso-Brasileira no Banco Interatlântico ao J. P. Morgan. Em 1982 Integra a Comissão Executiva da Compagnie Financière Espírito Santo em Lausanne e em 1985 participa na transação de aquisição pelo Credit Agricole da posição de 50% do J. P. Morgan no Banco Interatlântico. Em 1986 a Espírito Santo Financial Group (ESFG) e o Crédit Agricole fundam o Banco Internacional de Crédito em Lisboa e a ESFG é admitida à cotação na Bolsa do Luxemburgo. Em 1990 assume a presidência do Conselho de 3 Administração da Partran – SGPS, S.A. Portugal, holding que passa a deter a maioria do capital da Companhia de Seguros Tranquilidade que tinha sido entretanto reprivatizada. Em 1991 é eleito Presidente do Conselho de Administração da ESFG – Luxemburgo e da Bespar – SGPS, S.A. Portugal, e em 1992, após a segunda fase da privatização do BESCL é nomeado Vice-presidente do Conselho de Administração e Presidente da Comissão Executiva do Banco Espírito Santo & Comercial de Lisboa (hoje BES). É aqui necessário fazer um ponto de referência pela atividade até aqui desenvolvida pois foi ela que lhe permitiu granjear a confiança da sua numerosa família, mas acima de tudo, a confiança do mercado financeiro internacional e do mercado português, que viu nele a segurança e a estabilidade necessárias para o reassumir de funções à frente de um Banco, o que como sabem é sinal de prestígio e robustez curricular suficiente dada a normalmente exigente análise curricular que é imposta pela supervisão financeira bancária. Em 1993 a ESFG é admitida na Bolsa de Nova York. Em 1996, Ricardo Salgado é admitido como membro do Instituto Internacional de Estudos Bancários (IIEB), e é nomeado para o seu Executive Committee em 2003, assumindo mesmo a sua presidência em 2006, onde logo nesse ano presidiu às reuniões de Budapeste e Atenas. Em 1997 é eleito administrador não Executivo, para um mandato de três anos, do Banco Boavista Interatlântico, S.A. (Brasil) o qual foi posteriormente adquirido pelo Banco Bradesco, e em 1998 / 1999 participa no processo de segregação de funções entre as bolsas de Lisboa e Porto entre os negócios à vista e sobre derivados, levado a cabo sob o patrocínio da CMVM. Mais tarde, e fruto do tempo que vivia de modernização da forma organizacional dos mercados organizados de bolsa, participou no processo de privatização das duas Bolsas, e na fusão das Bolsas de Lisboa e Porto (constituindo-se então a BVLP), sendo, em Dezembro de 1999, nomeado seu Presidente. Em 2002, associando-se ao irrevogável processo de internacionalização e integração de mercados, participa na integração da BVLP na Euronext, sendo nomeado para o Supervisory Board da Euronext NV (Amsterdão), e em 2006 participa na fusão da Euronext com o New York Stock Exchange (NYSE), tendo feito parte do seu Conselho como membro não Executivo até 2011. Mais recentemente foi eleito Administrador não Executivo do Banco Bradesco (Brasil). O seu prestígio tendo sido reconhecido não só em Portugal mas também além-fronteiras, tem sido agraciado com a atribuição de condecorações, das quais se destacam a ordem de Chevalier de L´Orde du Mérite National de France, o “Grau de Grande Oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul”, pelo Presidente da República Federativa do Brasil, a de Chevalier de la Légion D´Honneur da República Francesa e a de Commander’s Cross Order of Merit da República da Hungria, atribuída pelo Primeiro Ministro da República da Hungria em 2012. Na sua qualidade de cidadão e de economista, o Dr. Ricardo Salgado tem angariado vários prémios e distinções como sejam a de nomeado Economista do Ano, em 1992 pela Associação Portuguesa de Economistas, em 2001 foi nomeado Personalidade do Ano pela Câmara Portuguesa de Comércio do Brasil, em S. Paulo, em 2008 foi reconhecido pela Academia das Ciências de Lisboa pelos altos serviços prestados, em 2011 foi-lhe atribuído o Excellence Award 4 in recognition of the visionary leadership and contribution to the Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida, e em 2012 foi distinguido com o prémio de Lifetime Achievment em Mercados Financeiros pelo júri do Investors’ Relation and Governance Awards, prémio nacional instituído pela Deloitte em parceria com o Diário Económico. A sua relação com o ISEG, e por essa via com a academia, é longa e saudável. Em 1969 licenciou-se em Economia e a esta escola voltou em 2001 quando, a meu convite, aceitou ser o mentor da licenciatura em Finanças entretanto reaberta. Nessa altura tive a oportunidade de o conhecer, recolhendo nele a maior das disponibilidades para servir esta Escola onde se formou como economista. Mais tarde, em 2008, a Associação de Antigos Alunos do ISEG distinguiu-o com a distinção de Vetus Alumnus Anno, podendo ler-se no diploma então lavrado: “Pela sua capacidade empreendedora e de liderança no desenvolvimento do projeto do Banco Espírito Santo (BES), após a reprivatização em 1992. O BES é notoriamente reconhecido como um caso de sucesso competitivo no sistema bancário português, tendo a sua quota de mercado passado de 9% em 1992 para 20% em 2007, com crescimento sustentado de criação de valor. O BES, em múltiplas iniciativas, é um parceiro do ISEG sob o estímulo de Ricardo Salgado, o que muito contribui, também, para o prestígio da Escola” Em 2009 foi cooptado, por eleição, como membro do Conselho de Escola não vinculado à mesma, cargo que ocupa desde essa data. Mas é pela sua vida profissional que penso ser merecido a atual distinção. O BES na forma como hoje se encontra e pela forma como tem evoluído é um exemplo de liderança e de visão de quem conhece o negócio, tem as relações nacionais e internacionais certas, que delas faz a gestão sensata, e zela pelo ativo mais preciso da atividade bancária: a confiança. Aliás, o título BES é amiúde, ao longo dos últimos anos, um dos títulos que se destacam na bolsa portuguesa pela baixa volatilidade, o que não é alheio à forma como discreta e serenamente o banco é dirigido. O doutoramento honoris causa (“por causa de honra”) é um título honorífico concedido pelas universidades a pessoas eminentes, que se tenham destacado em determinada área, pela sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições. Sem dúvida que este será o caso do Dr. Ricardo Salgado a quem se reconhecem as já citadas qualidades de liderança em tranquilidade, de visão, de antecipação, de decisão em serenidade, de conhecimento técnico e capacidade de gestão. A forma como conseguiu assegurar a transformação do BESCL em BES numa sadia alteração de carreiras, linhas estratégicas e práticas, sem conflitos, deram força a um processo de privatização em que, especialmente na área financeira a confiança é “o ativo” que se trabalha. E neste aspeto o saber gerir a transição sem ruturas dramáticas é um bem escasso que só se aprecia quando se perde. E nós portugueses, nos dias recentes que acabamos de viver bem sabemos os efeitos devastadores que as convulsões irrefletidas podem gerar. Devo ainda uma última nota que me parece ser muito significativa do que quero referir com “confiança”. O BES, foi o único dos grandes bancos portugueses, que não necessitou do apoio estatal para poder aumentar o seu capital em resultado da revisão recente dos rácios de 5 solvabilidade bancária, o que mais uma vez denota a elevada confiança que os acionistas sentem nessa liderança. Magnífico Reitor, Pelo que expus, tendo em conta as apreciações positivas quer em sede do Conselho Científico do ISEG, quer em sede do Senado da UTL, sou a transmitir essa voz coletiva e assim expressar que penso justificar-se a atribuição do doutoramento honoris causa pela Universidade Técnica de Lisboa ao Dr. Ricardo Espírito Santo Silva Salgado.”

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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