AS ARMAS AVANÇAM por Luísa Lobão Moniz

Vê-se e ouve-se as notícias transmitidas na televisão, na rádio e nos jornais e ficamos com a memória baralhada no tempo. A II Grande Guerra Mundial parecia ter acabado com o sofrimento insuportável dos seres humanos.

Individualmente as pessoas vão arranjando meios de sobrevivência que lhes permitam atravessar, entrej as balas e as explosões, uma vida que ainda não perdeu a esperança.

As crianças e os adultos estão a sofrer a intolerância política, religiosa e económica dos seus países relativamente ao Poder.

O Poder, por si só, cria as violências necessárias para atingirem os seus objectivos perante outros Poderes.

Sempre que um Poder se sente mais forte do que outro, as armas avançam com suicidas cobertas de burka, com explosivos disfarçados nas roupas das crianças e nos que trepam paredes destruídas, de casas onde alguém já foi feliz…,irrecuperáveis enquanto as balas e as bombas não se aquietarem.

Muitas crianças refugiadas já não têm a noção do que é viver numa casa, do que é ter uma cama para dormir, já não se lembram quando as mães as acariciavam, já não se lembram, se calhar algumas nunca conheceram, o silêncio.

Agora andam com as mãos a tapar os ouvidos porque o barulho é agressivo.

Brincavam nas ruas, por vezes caíam e ficavam magoadas. Chorar, chorar para quê, alguém vai tomar conta de mim e eu volto para a rua.

Já vimos, as vezes suficientes, crianças descalças, vestidas com roupas sujas e rasgadas, com sangue nas mãos ou na cara.

Por vezes, algum desse sangue não lhes pertence, pertence aos corpos que viu cair no chão, outras vezes é delas e então caminham perdidas na poeira, na terra, no barulho sem destino.

A Assistência Humanitária não tem como chegar a estas pessoas que já não sentem a dor, pois todo o corpo é dor.

Em Portugal não há guerra, há milhares de crianças a viver “na pobreza”. Ficamos indignados.

Em Portugal não há guerra, há imensos idosos mal tratados nas suas casas e em lares”. Ficamos indignados.

Em Portugal não há guerra, há centenas de sem-abrigo a viver “na rua”. Ficamos indignados.

Até quando a indignação é individual, quando se torna colectiva na Europa e age em conjunto contra toda esta falta de humanidade?

One comment

  1. Maria de sa

    Até quando a indignação é individual, quando se torna colectiva na Europa e age em conjunto contra toda esta falta de humanidade?

    Excelente artigo .

    Maria

    Gostar

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