Nos dias 2, 3 e 4 de Novembro de 1989, realizou-se na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa um colóquio internacional com o título interrogativo que damos a este editorial – Língua Portuguesa – que futuro? Com a assinatura do Acordo Ortográfico à vista e marcada para o ano seguinte, os intelectuais queriam fazer um ponto da situação.
Organizado pela Sociedade da Língua Portuguesa nas comemorações do seu 40º aniversário e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Português do Livro e da Leitura, reuniu um elenco de luxo: 400 participantes dos quais referimos, entre outros, Lindley Cintra, Eduardo Lourenço, Alexandre Cabral, Malaca Casteleiro, Maria Leonor Buescu, Manuel Ferreira, Edite Estrela, Mariano Gago, Baptista-Bastos. Isabel Barreno, Fernando Dacosta, Wanda Ramos, José Pedro Machado, Urbano Tavares Rodrigues, José Hermano Saraiva, José Augusto Seabra, Afonso Praça, João David Pinto-Correia, Helena Cidade Moura, José Barata Moura…
Muitos brasileiros, angolanos, moçambicanos, galegos … Enfim, professores, jornalistas, actores, escritores – gente que usa a palavra como matéria-prima.
O presidente da SLP, Fernando Sylvan, no discurso de abertura do colóquio, após dar as boas-vindas aos participantes, disse: Do nascimento da língua, do seu poder de dilatação, todos nós já sabemos. Mas da força do seu futuro é o que nos interessa agora saber.
Quase trinta anos decorridos, a questão continua a colocar-se – por um lado a afirmação de que o exponencial aumento das populações angolanas e moçambicanas, projectam um crescimento demográfico que nos guindará ao primeiro lugar em número de falantes entre as línguas europeias; por outro lado, a ideia de cindir o idioma, criando a língua brasileira.
O mundo enfrenta problemas bem mais graves e os «tradutores» de livros em «brasileiro» terão uma tarefa fácil. Preocupa-nos mais as agressões que o AO está a produzir na língua que falamos – já agora podíamos ir pensando num segundo AO que aproximasse o português do mandarim – a China é um grande mercado e os chineses mal podem esperar por ler a nossa literatura. E nós pouparíamos um balúrdio comprando os livros na «loja do chinês».
