CONTOS & CRÓNICAS – CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – O DIJSSELBLOEM

 

Eu acho graça.

Eu estou sempre a achar graça a quase tudo.

Por exemplo, lembremo-nos da teoria das multidões. Da teoria dos intelectuais, da teoria dos políticos, da teoria dos grupos onomásticos, da teoria das claques do Benfica, da teoria das donas de casa, da teoria dos clientes dos centros comerciais, da teoria dos defensores da velha guarda e do velho fascismo  –  ai que saudades Deus meu, estou que nem posso.

Curioso fenómeno este, que mediante um pequeno pormenor  –  um gesto, uma palavra, um discurseco, um respirar fundo  –  logo desencadeou amplas ondas de veementes protestos, aluviões de patrióticas posturas, cascatas de gritos justamente humilhados e ofendidos. E mais o caraças.

(E na peida, não vai nada? –  perguntava-me um arrumador de carros e também um dealer suburbano, a quem entretanto expusera o momentâneo assunto).

Mas então, ó Carlos, então tu não achas que aquele fuinha encaracolado e cheio de gel, do Dijsselbloem (huf!) foi indecente, agressivo, arrogante e filho da puta, com aquelas alegações sobre o nosso passado e contemporâneo comportamento com o vinho e com as mulheres – excepto as mulheres, obviamente  inocentes que estão destas tiradas holandeso/machistas?

 

Acho.

Mas também acho que aquele fuinha encaracolado e cheio de gel, do Dijsselbloem (huf!) que aquele fdp sem nome, há séculos que nos fecunda economicamente, há épocas que nos apouca e nos goza, ameaça e graçola (verbo graçolar) e claro e também (e ainda) acho que ele é e sempre foi um cabotino, mas um ministro holandês, mas um Presidente do Eurogrupo.

Raios o partam. Ou partenon, segundo os gregos.

 

E ninguém (nunca) se revoltou. Mansos e herbívoros ruminantes que somos –  nós, lusitanos de baixa, reles e politicamente inculta estirpe. Desculpem lá.

Acho também que ele tem um Poder que eu não entendo que tenha (filho da puta que é, que sempre foi) um gajo em quem eu não (nunca) votei ou votaria, mas que lhe foi outorgado por uma votação à Direita nas eleições europeias e (sobretudo) por uma abstenção monumental do bom povo (o nosso e o zoutros) que nelas cagaram desde sempre, preocupados que estavam, que sempre estiveram e sempre estarão, com outras (certamente) importantes coisas da sua vidinha.

carlos

1 Comment

  1. ” Acho. *Mas também acho que aquele fuinha encaracolado e cheio de gel, do Dijsselbloem (huf!) que aquele fdp sem nome, há séculos que nos fecunda economicamente, há épocas que nos apouca e nos goza, ameaça e graçola (verbo graçolar) e claro e também (e ainda) acho que ele é e sempre foi um cabotino, mas um ministro holandês, mas um Presidente do Eurogrupo.* Raios o partam. Ou *partenon*, segundo os gregos.Maria ​

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