QUE MAIS VAMOS VER? por Luísa Lobão Moniz

Que mais vamos ver? Suspeito que ainda não vimos tudo…

Atentados terroristas…gás sarin sobre as populações…mortes de adultos e de crianças acompanhados não pelos seus familiares, mas pelos militares que estão lá para matar, e não para proteger.

É o desespero e o pânico a empurrar as populações para fora dos seus países.

É o desespero e o pânico no meio dos estrondos das armas, do ruir das casas, do lamaçal em que se transformaram as ruas na Síria.

São imagens inesquecíveis, são imagens que nos chocam pela sua brutalidade…Só agora?

Quando era criança, eram os meninos do Biafra com as barrigas dilatadas pela fome, com a pele seca e rugosa…

Desde Os Meninos do Biafra quantos outros meninos e meninas nós já vimos?

Andamos sempre indignados, somos solidários e queremos que se faça justiça nos tribunais, mas onde estão os tribunais? Estão escondidos atrás dos seus governos e das suas políticas.

Eu ainda quero acreditar que o Tribunal dos Direitos Humanos seja capaz de julgar estes criminosos que, além de hipócritas, se apoiam uns aos outros através de trocas de influências, de corrupção…

Aqui não há inocentes a não ser os adultos e crianças que choram, que fogem não sabem bem para onde, mas fogem, qualquer sítio é melhor que os seus países.

Quando nos batem à porta, necessitam de quem acredite neles, de uma refeição, de um colchão e de silêncio.

A linguagem gestual “improvisada” faz com que todos se possam entender. Necessitam de muita papelada (tanta a burocracia), de uma casa, de alimentos e as crianças precisam de ir à escola.

E a escola como os vai receber? Se a escola se movimentar no caminho da inclusão de todos, estes fazem, também, parte do todos. Os refugiados não querem caridade, querem ser reconhecidos como indivíduos que são diferentes dos da maioria, mas que têm direito a ter uma vida melhor.

Não podemos esquecer que também crianças portuguesas, no tempo da Guerra Colonial,

 nascidas em Angola, ficaram sem pernas, sem braços, sem pais…estas crianças também viram morrer os seus pais serem mortos a tiro…

Nenhuma criança merece tal horror. Não há crianças no mundo, que no meio da guerra não tenha ficado com sequelas para toda a vida.

Parece-me que já houve suficientes guerras para sabermos que não basta estarmos indignados para que a violência, entre povos pare, para que o sangue não seja derramado em ruas lamacentas, para que quando seco não se disperse na poeira das casas, das ruas e na indignação.

 

1 Comment

  1. Não me parece que seja minimamente adequados, sequer construtivo, verberar a violência, mesmo a violência extrema e não dizer uma palavra, uma letrinha sequer sobre os seus autores, as suas motivações, os seus contextos, os seus objectivos, nada. Assim até parece que ninguém é responsável. Não há culpados. Será mesmo??? Quem beneficia com essa abordagem??????
    Não esbanjámos……….Não pagamos!!!!!!!!!!!!!

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