EDITORIAL – Presidenciais em França – uma reflexão muito pessoal – por António Gomes Marques

O nosso companheiro de blogue Hélder Costa, e meu companheiro de muitas outras lutas, publicou no «facebook» um texto no seguimento do que ocorreu na primeira volta das eleições em França, texto esse que se serviu da velha expressão «engolir sapos» para tecer algumas considerações de um grande pragmatismo, entre as quais algumas interrogações como, por exemplo, «foi engolir um sapo votar em Soares contra Freitas? foi engolir sapos a votação em Guterres impedindo a continuação do sinistro Cavaquismo? foi uma terrível indigestão de sapos o aparecimento da geringonça?

E em França – a razão deste post, claro! – é engolir sapos impedindo o triunfo da nazi Le Pen e por tabela de Trump, Brexit, Hungria, Polónia e etc?».

Ao ler o texto do Hélder, coloquei um «Gosto», partilhei o texto na minha página do «facebook» e não resisti a fazer um comentário mais longo, cujo conteúdo é, mais ou menos palavra, o que vou escrever a seguir, ou seja, fiz as necessárias alterações para ser publicado como Editorial do nosso blogue.

Julgo que os tempos que vivemos nos obrigam a um pragmatismo como aquele que me parece o Hélder estar a defender no seu texto; no entanto, ao olharmos para o que ontem aconteceu em França, facilmente concluímos que o Partido Socialista teve o resultado que a sua traição aos valores socialistas não poderia deixar de reflectir, traição essa que já vem acontecendo há muitos anos. Teve o que merecia!

Agora, Hamon e Fillon apelam ao voto em Emmanuel Macron, mais um homem do sistema que nos tem vindo a destruir, um homem que diz querer aproveitar o que de melhor tem a direita, a esquerda e a extrema-esquerda. Será que também quer aproveitar o que de «melhor» tem a extrema-direita? Que programa é este?

O Senhor E. Macron defende a U. E., mas defender esta instituição é mantê-la como está? É defender o acordo CETA, entre a U. E. e o Canadá, porta aberta para o TTIP-Transatlantic Trade and Investment Partnership que o Obama propôs e tanto defendeu, ambos sendo, como diz o meu amigo Júlio Marques Mota, «a porta do cavalo de Tróiadas multinacionais americanas a entrarem na Europa»? (para publicação em «aviagemdosargonautas.net»). A Europa da austeridade em que o único país membro altamente beneficiado é a Alemanha?

Muito mais haveria a dizer sobre esta U. E., da qual, infelizmente, não temos condições para sair, como não temos condições para sair do Euro. Lamentavelmente, ninguém ouviu o que, antes da entrada na moeda única, escreveu e disse em alta voz João Ferreira do Amaral. Eu próprio, na altura, tive dúvidas se a razão estava com ele; agora, bem torço a orelha, para além de sentir uma raiva em mim pela minha estupidez de então.

Em Portugal, no que toca a eleições e ao Partido Socialista, de que, apesar de tudo, continuo militante, as consequências da traição aos valores socialistas, sobretudo com Guterres e Sócrates, foram apenas adiadas com o acordo do meu camarada António Costa com o PCP e o BE.

Como é que vamos sair disto, quando nem sequer conseguimos reunir um número suficiente de pessoas que obrigue à alteração da Lei Eleitoral, primeiro passo para a construção de uma verdadeira democracia em Portugal, onde os eleitos fossem realmente uma escolha democrática do povo português e não uma escolha dos directórios partidários, às vezes numa luta feroz de interesses apenas entre os membros destes directórios. E nós, papalvos, lá vamos votar, de quatro em quatro anos (se não houver intercalares, claro!) no que pensamos ser o mal menor. E assim nos vamos afundando e pagando os desvarios dos políticos incompetentes que têm vindo a (des)governar Portugal.

E, claro, como papalvo me confessei, papalvo continuaria a ser se fosse francês, usando do tal pragmatismo do meu querido companheiro Hélder Costa, votando na segunda volta em Emmanuele Macron, mas com a consciência de que não estaria a engolir sapos, mas sim um grande crocodilo e, ainda, com a perfeita convicção de que estaria a contribuir para adiar por mais algum tempo uma solução que tem de ser encontrada para a U. E., que acontecerá com maior dor quanto mais tarde vier a realizar-se.

Presidenciais em França – uma reflexão muito pessoal

One comment

  1. Maria Rato

    Em relação ao euro não esquecer os repetidos alertas também do PCP e de mais um ou outro economista como a Manuela Silva. Quanto à revisão da Constituição acredita mesmo que se o voto passasse a ser sobre pessoas que isso iria melhorar a democracia? Quem nos garantiria que os candidatos propostos individualmente seriam pessoas de bem? Não acha que o défice de democracia nos partidos é da responsabilidade dos respectivos militantes?

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