A IMPORTÂNCIA DO JOGO por Luísa Lobão Moniz

Durante esta semana foi com satisfação que vi várias pessoas, ligadas ao desenvolvimento dos jovens, referir que a Baleia Azul não pode ser considerado um jogo.

Em 1938 o filósofo Huizinga, no seu livro Homo Ludens, sublinha a importância do jogo na vida da humanidade, o lúdico esteve sempre presente no desenvolvimento das civilizações, por isso não deve ser confundido com actividades criminosas.

E o que é o jogo? Poderá a Baleia Azul ser uma actividade lúdica?

Todos os jogos têm uma finalidade, ganhar superando as dificuldades.

Todos os jogos têm limites no tempo e no espaço, assim como regras livremente consentidas e obrigatórias porque são regras e o adolescente cresce a aprender a cumprir as regras em casa, na escola, nos transportes públicos…

Durante o jogo os participantes vivem em conjunto momentos de tensão e de alegria ou de frustração (caso não seja vencedor).

Quando se joga já se sabe que é inevitável que haja quem vença, quem perca e quem empate, mas não há quem se automutile ou quem morra!

O jogo tem uma importância indiscutível no desenvolvimento da aceitação das regras morais e sociais de uma criança ou de um adolescente.

O jogo começa por ser jogado individualmente com as regras que a criança estipula, depois já começa a aceitar um ou mais parceiros, mas os jogos têm que ter regras imutáveis e aceites por todos, mais tarde (por volta dos 12 anos, mais ou menos) já o adolescente, com os seus parceiros, pode acrescentar regras ao jogo. Há só uma condição, ser aceite por todos.

Não nos parece que haja alguém, sem problemas emocionais, com boa auto estima e com sentimento de pertença na família, nos amigos…, que aceite por a vida em risco ou mesmo morrer durante um “jogo”.

As palavras são o que são e não o seu contrário.

Não aceitem que se chame a este fenómeno “jogo”, pois estamos a pôr em causa o direito dos jovens ao divertimento saudável.

Quem inventou esta sequência de actividades está a manipular os “jogadores”.

Os jovens têm naturalmente uma tendência de provar que sabem desafiar o risco.

Quem não se lembra dos jovens que de madrugada iam de carro para a Ponte Vasco da Gama, em grande velocidade e em sentido contrário? Quem não se lembra dos jovens que passavam, pelas janelas, de um carro em andamento para outro também em andamento?!

Mas não importa, para a vida destes adolescentes, que chamem ou não jogo da Baleia Azul.

Mas importa sim que não se abuse de tanta imagem de auto agressividade e de analisar em horário nobre das TVs tanta possibilidade de morte.

A Polícia tem obrigação de investigar e de retirar da net tudo o que possa levar ao suicídio.

Os riscos que os jogos comportam não são a automutilação nem a morte, mas a aprendizagem, o saber perder e ganhar.

Apoio todos aqueles que têm aparecido a confirmar que isto não é um jogo, assim como todos aqueles que têm solicitado que não se transmita as imagens de agressão ao próprio corpo. Já se viram demasiadas vezes e não é benéfico para quem está ainda em crescimento.

Apoio todos aqueles que lembram aos adultos, responsáveis por jovens, que tenham mais atenção a cada um deles…

Todos nós precisamos de atenção, carinho e convívio com o outro.

 

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