FRATERNIZAR – Fátima ‘corrigida’ por D. Carlos Azevedo e Pe. Anselmo Borges – É PIOR A EMENDA QUE O SONETO – por MÁRIO DE OLIVEIRA

As várias entrevistas dadas pelo Bispo D. Carlos Azevedo, o da Cultura no Estado do Vaticano, e pelo Pe. Anselmo Borges, Prof de Filosofia na Universidade de Coimbra, ambos meus amigos, tiveram o condão de deixar os fatimistas portugueses, colunistas académicos incluídos, à beira de um ataque de nervos. Para tanto, muito contribuiu a sagacidade dos profissionais que os entrevistaram, pois souberam puxar para título frases que, só por si, abalam as mentes de todo e qualquer fatimista, ao mesmo tempo que surpreendem positivamente quem já não vai nessas crendices, com tudo de indignidade humana.

Afirmar, “A mãe de Jesus não veio do céu por aí abaixo” (D. Carlos Azevedo) e, “É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima” (Pe. Anselmo Borges) constituem duas afirmações bombásticas de grande efeito, nomeadamente, para quem se limita a ter os títulos de capa dos jornais e das revistas. A questão está nos pormenores com que se tecem as respostas que um e outro dão aos jornalistas no corpo de cada uma das entrevistas. E, neste particular, bem se pode dizer de ambos, É pior a emenda que o soneto, Títulos-tiros de pólvora seca, Muita parra, nenhuma uva.

A verdade é que um e outro, com estas entrevistas e, no caso do bispo D. Carlos Azevedo, também com o seu recente livro sobre Fátima, acabam por dar ainda mais legitimidade ao absurdo antropológico-teológico que constituem as duas Fátimas, a de 1917-1930 (Fátima 1) e a de 1935 até 2017 (Fátima 2), que consegue, até, trazer ao Santuário S.A. dias 12 e 13 de Maio o próprio papa Francisco. E logo – o cúmulo do absurdo – para canonizar os dois irmãos Francisco e Jacinta, depressa abandonados pelos clérigos de Ourém, após o teatrinho das “aparições” e, obviamente, pela própria Senhora de Fátima, a da carrasqueira, que os deixa morrer vítimas da pneumónica. A que juntam, não muito depois, um outro crime, que foi roubar a sobrevivente Lúcia à sua própruia mãe já viúva e mantiveram-na presa até à morte, sob o disfarce de freira de clausura.

Não se trata, como pretende concretamente o bispo D. Carlos, de utilizarmos uma linguagem correcta, quando falamos destes assuntos. A verdade sem quaisquer sofismas, neste como noutros casos, é esta: Ou dizemos os conteúdos da Fé e da Teologia na linguagem da Ciência, ou tais conteúdos são sempre uma agressão à inteligência humana. Trocar “aparições” por “visões místicas” e afirmar que foram “visões”, não “aparições” é o mesmo que atirar poeira aos olhos de toda a gente.. Substancialmente, nada muda. E se dúvidas ainda houver, basta atentarmos no absurdo refinadamente organizado que, por estes dias do centenário, está a ser indiscriminadamente imposto às populações residentes no nosso país. Com a criminosa complacência e até com o aval das universidades, das Escolas públicas, das Igrejas, do Estado e dos seus órgãos máximos de soberania, a começar pelo PR Marcelo e pelo primeiro-ministro, António Costa, e a acabar nos deputados de direita e de esquerda da AR e nos Tribunais.

Nunca, como neste centenário do pecado e do crime “aparições” de Fátima, o nosso país bateu tão no fundo, em falta de compostura cívica, de dignidade, de inteligência, de respeito uns pelos outros. Somos agredidos ao segundo pelas notícias fatimistas, pelas montras das grandes livrarias, pelas capas dos diários postados nos respectivos quiosques, pelas ofertas de medalhas, terços e outras bugigangas em troca da aquisição do matutino, pelas supostas obras de arte de escultoras, escultores, pelos filmes e mil e uma outras iniciativas “artísticas” que nos roubam a alma, o sossego, os afectos, o silêncio, a sanidade mental. O império católico romano está a asfixiar-nos e a envenenar-nos mortalmente e à República. E tudo porque o grande Mercado tem larguíssima via verde para avançar, como bomba nuclear contra a inteligência, a Ciência, a Fé e a Teologia de Jesus. Numa palavra, contra os seres humanos e o povo de povos que somos, na multiplicidade de fés e de culturas. É bem a ditadura ideológica e religiosa assassina do catolicismo católico romano.

“Visões místicas”, cada qual tem as que quer, ou as que nos impõem, em cada tempo e lugar, se não formos mentes saudavelmente esclarecidas e resistentes. No início do século XX, através dos clérigos católicos e suas pregações tecidas de terror(ismo), como o do livro-guia, “Missão Abreviada”, onde é apresentado o “inferno” que as três crianças “videntes” são postas a dizer que a senhora que vinha do céu lhes mostrou, numa das seis “aparições”. E neste início do terceiro milénio, o das sofisticadíssimas tecnologias, através dos grandes media e das redes sociais, manipulados por técnicos informáticos confrangedoramente ingénuos ou, pior ainda, sem quaisquer escrúpulos.

Retirem, de uma vez por todas, de Fátima os clérigos católicos romanos, bispos e papas incluídos, que desde há cem anos exploram o “milagre” que eles próprios inventaram e verão que daquelas “aparições” ou “visões místicas” não ficará literalmente nada. Por isso, e no prosseguimento do que diz Jesus Nazaré em seu tempo histórico, também eu hoje digo: Ai de vós papas, bispos e demais clérigos católicos romanos hipócritas, que atais fardos pesados e insuportáveis às multidões mais desamparadas e deprimidas, quando vós nem com um dedo os deslocais; ai de vós que alargais as filactérias e alongais as orlas dos vossos mantos de luxo e gostais de ocupar o primeiro lugar nos banquetes, os primeiros assentos nos santuários, ser saudados-aclamados pelas multidões nas praças públicas e chamados ‘mestres’ pelos homens, quando não passais de sepulcros caiados, muito vistosos por fora, podridão e imundície por dentro. Sim, ai de vós (cf. Mateus 23, 4-7). Como sucede ao sal que perde a força de salgar e de anti-corrupção da sociedade, também vós sereis lançados fora, pois, como ele, nem para a esterqueira servis (Mateus 5, 13).

www.jornalfraternizar.pt

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

One comment

  1. Carlos A P M Leça da Veiga

    Bem vão as coisas quando já se fala de visões e não de aparições. Quanto tempo faltará para que “A cova dos leões” ganhe o crédito mais necessário.
    “É pior a emenda que o soneto”. Errado. Diga antes “é pior a ementa que o soneto”. Uma diatribe para dar a saber que a refeição ainda tinha sido pior que a menina da casa a dizer poesia.CLV

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: