É NA ESCOLA, É EM CASA, É NA RUA por Luísa Lobão Moniz

É na escola, é em casa, é na rua.

Se no tempo passado distracção era sinónimo de rebeldia, hoje é sinal de hiperactividade

A falta de atenção levava a castigos vários, quase todos humilhantes para o aluno. Hoje a hiperactividade não é sujeita a castigo (que castigo? Como é aplicado? O aluno percebe porque vai ser castigado?) é apenas abrir a boca e engolir um comprimido, a famosa ritalina.

Ele hoje está muito nervoso porque não tomou a Ritalina… está explicada a falta de atenção e, até às vezes, a desobediência, não faz mal não se esqueça de a dar amanhã antes de ele vir para a escola.

Felizmente hoje os professores podem utilizar o método que entenderem ser o melhor para o seu grupo de alunos, na sala de aula, e para outros alunos cujas  capacidades reveladas permitam que o aluno vá progredindo no sentido de um melhor conhecimento, e que aprenda as leis básicas da democracia pela criança, não sendo necessário a monótona repetição de sons.

Infelizmente há, ainda, quem pense que se aprende a correr sem se ter passado pelas fases do gatinhar, do andar titubeante, do se agarrar às cadeiras ou pedir ajuda…

Se tivesse havido e se houvesse agora professores para apoiar estes alunos, como eles seriam crianças mais felizes.

Como sempre a aprendizagem, seja do que for, tem que ter um sentido, um porquê e um para quê.

Os alunos, hoje, passam mensagens pelo telemóvel entre eles, até o professor “descobrir”, tal como o papel amachucado.

É uma tentação, mas quem deu a tentação às crianças? Como é difícil o princípio do prazer ceder ao princípio da realidade.

Ontem, eram suficientes uma folha de papel e um lápis que em caso de perigo se amachucava e se escondia numa algibeira.

As crianças têm que aprender, por elas próprias, sozinhas ou em grupo como se devem portar em casa, na escola e na rua…nem sempre se pode sobrepor o prazer à realidade.

É fácil verificar que o que as crianças fazem na escola, sempre o fizeram, faz parte dos seus eus, mas o que nos indigna é que hoje os próprios pais ponham nas mãos dos filhos um “perigoso” aparelho, o telemóvel que se pode virar contra eles quando usado indevidamente, quase sempre para filmar cenas violentas entre adolescentes, com a complacência de outras pessoas.

A violência e a agressividade são cada vez mais visíveis e a sociedade sente-se cada vez menos capaz de educar os seus filhos com carinho, com verdade e sem medos.

Ao fim de uma semana até doem os olhos de tanto reter as lágrimas…às crianças não lhes dói os olhos mas sim a alma. Que mundo é este? Sempre foi assim?

Os meninos e as meninas fixam o seu olhar no ecrã da televisão e, calados, olham para os pais e para os irmãos e nada dizem…continuam entretidos nos seus telemóveis.

Os meus pais eram castigados quando eram crianças. Não gostaria de viver num mundo onde tudo é possível, desde a violência doméstica à violência nas ruas, em luta pela liberdade e pela democracia.

Os Direitos Humanos andam muito esquecidos…

Como explicar a existência de homens e de mulheres bombas que cresceram num ambiente de guerra e que são ensinados, desde crianças, a matar.

Novamente o prazer se sobrepõe à realidade gerando sempre novas realidades.

 Eu não me importo que as meninas árabes usem lenços na cabeça, mas gostava que nos explicassem, a nós e aos outros o seu significado, a todos mesmos, para que todos começassem a interrogar-se em vez de proibir “ o mundo pula e avança nas mãos de uma criança, com lenço ou sem lenço.

A relação com os outros é que faz o sentido das sociedades.

Sei que esta reflexão é demasiado complicada, ninguém se muda sozinho, precisa do outro para ir libertando os seus pensamentos com capacidade crítica para mostrar que não há só uma maneira de lidar com as diferenças e as pessoas escolhem aquela com que mais se identificam.

E assim o mundo vai girando…

Esta reflexão teve como ponto de partida o texto publicado ontem, sábado, 27.

2 comments

  1. Maria de sa

    …..” Os Direitos Humanos andam muito esquecidos… Como explicar a existência de homens e de mulheres bombas que cresceram num ambiente de guerra e que são ensinados, desde crianças, a matar. Novamente o prazer se sobrepõe à realidade gerando sempre novas realidades. Eu não me importo que as meninas árabes usem lenços na cabeça, mas gostava que nos explicassem, a nós e aos outros o seu significado, a todos mesmos, para que todos começassem a interrogar-se em vez de proibir “ *o mundo pula e avança nas mãos de uma criança, *com lenço ou sem lenço. A relação com os outros é que faz o sentido das sociedades. Sei que esta reflexão é demasiado complicada, ninguém se muda sozinho, precisa do outro para ir libertando os seus pensamentos com capacidade crítica para mostrar que não há só uma maneira de lidar com as diferenças e as pessoas escolhem aquela com que mais se identificam. E assim o mundo vai girando…

    Nasci em Moçambique .Ai cresci.Aí convivi com gentes das mais variadas gentes,aí ensinei -nunca vi meninas árabes usem lenços na cabeça”…as minhas filhas cresceram com meninas mussulmanas …faziam parte da familia …ainda hoje ,já avós ,as amizades se mantêm com saudades deste lado do oceano .

    Porque o mundo gira nestes conflitos de lenços ou bombas?Expliquem nos ,até a mim já com 82 anos ….por favor …

    Dra ,continue nessa cruzada pelos Direitos Humanos .

    Bem haja

    Maria

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  2. Carlos A P M Leça da Veiga

    Parece ter caído no esquecimento que todo o mundo está condicionado por uma exportação ianque.CLV

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