SEM SE OLHAREM NOS OLHOS por Luísa Lobão Moniz

Num mundo em que tudo se sabe na hora e se acompanha ao segundo, quando se adormece não se sabe como se vai acordar.

Se o mundo continua com as mesmas problemáticas ou se alguma já saltou para os tablóides…se no nosso corpo as células do organismo fizeram alianças entre elas para nos proteger ou para nos levar a sofrer, a ter dúvidas, em suma, a ter medo da vida fora e dentro de nós.

E as perguntas surgem sem resposta: porquê eu? Porque não eu?

Não se ensina a ninguém a viver com a fragilidade da vida.

No nosso tempo temos assistido a muitas maneiras de nos protegermos e parece que quanto mais sabemos menos acreditamos no que nos pode acontecer.

Vivemos o segundo, agora, e não o depois…

Quem for à praia ao meio dia vê a quantidade de pessoas, que ignorando o que tanto se tem dito sobre a exposição ao sol, se estendem alegremente nas suas toalhas para mais confortavelmente abrir as portas aos raios ultra violetas que, esses sim cumprem o seu papel, provocam alterações na pele que podem provocar o cancro que mais depressa se propaga – o melanoma maligno.

Não há desculpa para a ignorância. Desde o Jardim de Infância que as crianças e suas famílias são alertadas para os perigos dos raios solares, em determinadas horas do dia. É só um bocadinho…um bocadinho que nos pode levar a um grande sofrimento.

A relação que a sociedade, família e escola, está a ter com as crianças faz-me pensar que se está a perder o sentimento de protecção com amor…tudo o que a rodeia é perigoso. Será que o mundo nasceu contra as crianças e só sobrevivem as que vivem desconfiadas de tudo e de todos, as que têm medo e se refugiam nos amigos virtuais, ou nos amigos da escola, mas sem se olharem olhos nos olhos.

Como se partilham alegrias e tristezas com um like no face?

Se nos sentarmos um pouco na Feira do Livro podemos ouvir: “afasta-te, és um chato”, “ele veio só por interesse, senão ficava no computador…”, “ Já te disse que só compras um livro, anda, escolhe.”

Poderia citar centenas de frases, mas o que mais me impressiona é a agressividade dos diálogos, e muitas vezes monólogos dos adultos.

A criança é a culpada de o livro ter caído no chão, assim como tem que ser responsável pelo dinheiro que os pais gerem, não podem pedir nada porque ela já sabe que os pais ganham pouco; são responsáveis se são vítimas de agressões verbais ou corporais, pois já tanta vez que lhe disseram para se afastar dos colegas. São responsáveis pela atenção que têm que ter quando andam na rua, pois pode haver algum abusador ao dobrar da esquina. É responsável se dorme poucas horas porque fica a jogar ou a falar com os amigos reais e virtuais até às tantas, “eu bem te disse que te ia custar levantar para ires para a escola”.

É um mundo cheio de armadilhas e de mentiras que rodeia as nossas crianças. É um mundo que as vê nascer e que tem a obrigação, não por causa das sanções, de as educar para a verdade, para ser responsável, mas sem ter como papão o castigo.

Que bonito é ver uma criança, diferente das outras, folhear um livro à luz dos seus olhos!

As células do seu corpo que entraram em litígio deram-lhe umas tréguas e proporcionam momentos de bem estar.

Fiquei emocionada ao ler esta semana os benefícios de alguns animais conviverem com crianças que precisam de ser muito estimuladas para o mundo exterior a elas. Todos os dias se vão fazendo alguns avanços na ciência para ajudar a ultrapassar ou até evitar algumas partidas que o corpo nos prega.

Sou testemunha de que alguns cães são capazes de detectar algumas doenças, como o cancro, através do olfacto…

Custa muito viver com a natureza e não contra?

Todos podem ser aliados contra a precariedade da vida.

Vamos transmitir à criança o que todos nós precisamos, confiança e respeito.

Este texto foi escrito com todas as crianças que conheci e que tiveram uma infância triste e violenta, mas a quem lhes foi dada a oportunidade de confiarem nos outros e de se sentirem amadas nem que fosse por uma só pessoa.

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