OS RAPAZES E AS RAPARIGAS por Luísa Lobão Moniz

A Porto Editora publicou em Junho de 2016 dois livros de actividades para crianças dos 4 aos 6 anos. Esta editora sempre editou livros escolares que se foram adaptando aos novos tempos.

A importância das palavras é vital para a nossa comunicação. Na capa destes dois livros está indicado que o azul é para “rapazes” e o cor de rosa é para “meninas”.

Com espanto verifico que são poucas as pessoas que se referem a este facto. Com que intenção umas são rapazes e outras são meninas?

A representação social destas duas palavras faz pressupor que as meninas são mais tranquilas, mais carinhosas, e que os rapazes são crianças mais fortes e “feitas à vida”..

Mais tarde podem ser livros para homens e para senhoras…profissões para senhores e para mulheres.

A Comissão para a Igualdade e Cidadania de Género reagiu pedindo a suspensão da venda dos livros, uma vez que fomentam a discriminação entre géneros.

Segundo os autores os rapazes e as meninas não estão aptos, do ponto de vista das suas capacidades cognitivas, a resolver as mesmas questões.

Os rapazes “resolvem” exercícios com maior complexidade, enquanto as meninas resolvem as mesmas questões mas de uma forma muito mais simples…

Quem sabe não estaremos perante um caso cujas proporções podem vir a ser mais um factor de clivagem entre homens e mulheres enquanto cidadãos e cidadãs.

A ascensão do poder das mulheres tem vindo a crescer e a ter mais visibilidade. Porem ainda tão pouca para uma igualdade plena dos Direitos das Mulheres!

Não sei quem são os autores, se são “homens” e “senhoras”, ou só homens ou só senhoras, enfim algo que não deveria ser preocupante em 2017.

Porque não recolocar e sugerir como leitura de sala de aula a “Anita vai às compras com a mãe?” Também são livros da Porto Editora.

Como é difícil mudar representações sociais! As educadoras e os educadores, as professoras e os professores têm em mãos, com ou sem livros azuis, com ou sem livros cor de rosa educar as crianças para a igualdade.

A possibilidade de voltar a estabelecer estes comportamentos, como condutas naturais, pode vir a gerar o ressurgir da exploração da Mulher pelo Homem. É isso que estes livros pretendem? A sua publicação não foi ingénua. Há quem não queira uma sociedade em que o menino e a menina possam, por si sós, escolher as suas actividades e a sua relação com os objectos, com os espaços ou com os outros… A construção da   identidade pessoal e social não se fazem com labirintos mais ou menos fáceis, mas com a assimilação de valores como a igualdade de género.

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