FRATERNIZAR – É o que revelam até hoje todas as revoluções vencedoras – SÓ A CLANDESTINIDADE NOS SALVARÁ E AO MUNDO – por MÁRIO DE OLIVRIRA

Só a Clandestinidade nos salvará e ao mundo. O grande Mercado sabe disso e como hoje as populações deste nosso Ocidente ladrão e assassino, de raízes judeo-cristãs, são cada vez menos iletradas, mas não necessariamente mais cultas, não há semana de verão que ele não disponibilize overdoses de festivais de música com dezenas e dezenas de concertos a acontecer ao mesmo tempo e nos mesmos espaços físicos. Onde o barulho instrumental e a cerveja são as principais comidas e bebidas, noite adiante, num ritmo alucinante que muitas vezes termina tragicamente nas estradas, hoje, mais de morte do que meios de ligação entre as diversas localidades. Já nos meses de inverno, ele aposta tudo nos grandes estádios de futebol dos milhões com os seus craques comprados a peso de oiro e dirigidos-controlados, como outras tantas máfias, por poderosas SADs, sempre em guerra umas com as outras, mas só guerras-faz-de-conta. Consegue, deste modo, desviar de si mesmas e umas das outras sobretudo as gerações mais jovens e mais escolarizadas, às quais rouba a alma-mente cordial e o silêncio de que todas, todos, em qualquer idade, tanto necessitamos para sermos progressivamente fecundos e geradores de vida de qualidade e de felicidade.

Só a Clandestinidade nos salvará e ao mundo. Nos tenebrosos tempos dos fascismos de direita e de esquerda, houve, é verdade, muitas pessoas que já a praticaram. Uma clandestinidade que fundamentalmente visava o derrube dos regimes instalados, para os substituir por outros com rótulos e máscaras mais atraentes. Tiveram o seu mérito, há que reconhecê-lo, mas até esse tipo de Clandestinidade o grande Mercado integrou e utilizou para derrubar retrógrados regimes que lhe foram úteis por um tempo, mas que já estavam a transformar-se num empecilho. E se há coisa que o grande Mercado não suporta são agentes seus que insistem em perpetuar-se na função, sem perceberem a tempo que já estão a ser um peso, não uma mais-valia. É por isso o primeiro a estimular a criação de partidos e a financiá-los, de mil e uma maneiras, com o objectivo de, através deles, derrubar os velhos regimes e implantar outros mais ágeis, mais apresentáveis. Tanto assim é que, depois de tantas revoluções vencedoras, o grande Mercado está aí hoje mais poderoso e mortífero do que nunca. Com os melhores cérebros ao seu serviço.

Só a Clandestinidade nos salvará e ao mundo. Mas uma Clandestinidade outra, própria de quem vive no grande Mercado mas não é dele. Para quem antes a morte que tal sorte. Uma Clandestinidade praticada por minorias opcionalmente pobres e conscientes de que o poder, qualquer poder, não nos salva nem ao mundo. Deixa-nos mais e mais mentalmente doentes, porventura, muito frenéticos, mas doentes. Minorias que não têm como objectivo substituir os velhos sistemas de poder por novos. Apenas o objectivo de ajudarem maieuticamente a mudar as mentes-consciências das pessoas, das populações, dos povos. É uma Clandestinidade, tecida se intimidade, que se alimenta de mesas partilhadas, afectos, cantos-poema, partilhas de vida. Não sabe de poder, nem de técnicas de tomar o poder. Sabe de cultura, de sabedoria, de maiêutica, essa sublime arte de puxar pelo que há de melhor dentro de cada pessoa, nem ela é sabedora. Uma Clandestinidade exclusiva de minorias misteriosamente habitadas pelo Vento-Ruah, por isso, cultas, sábias, mesmo que iletradas. Capazes de ler-interpretar os Sinais dos tempos, ao ponto de serem guias fiáveis entre e com os demais, ocupadas a tempo integral a alertar os povos para a presença do abismo que o grande Mercado está ininterruptamente a escavar para nos engolir, se nos deixamos levar pela sua publicidade.

Só a Clandestinidade nos salvará e ao mundo. A Clandestinidade exclusiva de seres humanos que, como Jesus Nazaré, crescem de dentro para fora em sabedoria e em graça-entrega de si aos demais e cujas mentes vêem a realidade para lá da encenação.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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