A ESCOLA E O RACISMO por Luísa Lobão Moniz

O jornal o Público dedica um grande espaço ao tema do racismo nas escolas, ou como os não brancos (porque não se diz negro ou preto?) se sentiram durante o seu crescimento, pelo facto de serem negros (pretos).

Lembro que o movimento de igualdade entre brancos e pretos tinha como nome Black Power e não Negro Power.

Sobre estas palavras não há consenso, por isso usarei aquela que sempre usei “preto”. Relativamente à palavra “branco” ninguém se lembra de dizer “claro”.

Quando comecei a dar aulas sentia-se que na escola havia sinais de racismo, não na organização da escola, mas na maneira como os não brancos eram tratados.

Os brancos tinham nome Rui e os pretos não, eram “aquele que é preto”.

Só a desconstrução deste “hábito” foi uma dura batalha com os adultos e algumas crianças. Todos têm nome pelo qual devem ser chamados, não são os pretos, os ciganos…

Os manuais escolares não tinham a menor preocupação com a discriminação de certas etnias, origens. Assim como não tinham com a igualdade de género, com as características físicas: ser gordo, usar óculos….

Num inquérito realizado no Expresso em 2016, 16% dos inquiridos responderam que eram racistas, mas 60% não se importariam que os seus filhos tivessem namoradas/os pretos/as.

Lamento que haja quem tenha vivido uma escola racista, onde as crianças pretas iam para as carteiras do fundo da sala, quando era criança quem ia para a fila de trás eram os “maus alunos”, enquanto professora nunca soube que acontecesse essa separação depois de Abril.

Vejo nos autocarros pessoas brancas a levantarem-se para dar lugar às mulheres grávidas de todas as origens.

Os manuais já vão tendo alguma preocupação com algumas questões como o racismo e a igualdade de género, mas ainda um pouco a medo. As editoras podem fazer os manuais que quiserem, em última análise os livros só vão parar às mãos dos alunos se os professores os escolherem.

Muito, muito haveria a dizer porque o racismo pode, sim, ser de grande subtileza e por isso invisível, muito mais difícil de combater.

O racismo está sempre nos outros.

Incluir é difícil por isso muitas pessoas são racistas com a linguagem “o que é que aquela preta está aqui a fazer?”

São racistas aqueles que têm mais poder, aqueles que pensam que vão deixar de ter algumas facilidades na vida por causa do “outro”, aqueles que têm medo de perder o emprego e aqueles que comungam dos ideais fascistas…

O racismo não é só entre brancos e pretos, e os ciganos, e os indianos, e todos os que são diferentes, que vêm de fora?

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