CONTRA VENTOS E MARÉS por Luísa Lobão Moniz

Durante o violento tremor de terra, no México, nasceu um bebé, na rua. A mãe estava no hospital, mas por questões de segurança teve que abandonar o prédio.

Debaixo dos escombros provocados pela queda de vários prédios, durante o tremor de terra, no Chile, foi salvo um bebé.

Durante as cheias, na Florida, alguns bebés foram salvos porque alguém pegou neles e puseram-nos num barco de borracha.

Bebés hospitalizados vão crescendo frágeis, mas saudáveis.

A força da Natureza é indomável e não há ser humano que a detenha.

Nascemos todos da mesmas maneiras e, depois, cada um de nós segue o caminho que lhe for proporcionado, não pela Natureza, mas pelas circunstâncias humanas que nos recebe e que nos pode fazer viver até aos cem anos ou mais.

Os Homens e as Mulheres, durante as suas vidas, vão estragando o que lhes foi oferecido numa bandeja colorida, tudo tem a sua cor, mas, por vezes, parece que os Humanos gostariam mais se fosse de uma só cor, de preferência a sua.

As crianças nascidas em qualquer pedaço de terra, em qualquer continente, em qualquer país trazem consigo o que a Natureza lhes concedeu para poderem viver, por exemplo a cor da pele…

Aqueles que não conseguiram, socialmente, ter o mesmo estatuto que a maioria são sujeitos a discriminações e a não ter os mesmos direitos que os outros.

Se o estatuto social e o poder estivessem distribuídos por todos ninguém era invisível.

Mas ter poder é algo que só está destinado aos mais fortes na hierarquia social.

 Onde estão os caboverdeanos, os guineenses, os ciganos nessa hierarquia? Estão distribuídos nos bairros mais desestruturados, andam na estrada da droga e de negócios ilícitos, são os primeiros suspeitos numa qualquer briga de rua….mas também estão na escola, alguns na Universidade, têm empregos em escritórios, cafés, são professores, médicos…são aquilo que conseguem ser no meio de uma rede social que protege os mais fortes.

A diversidade das especificidades de cada um, e dos seus grupos de pertença, tornam as sociedades mais ricas culturalmente, mas também mais discriminatórias.

Que caminho irão trilhar os nossos bebés que entraram neste mundo contra ventos e marés? Não são os ventos nem as marés que fazem os regimes políticos, a exclusão social, os valores em que acreditamos…

Serão capazes de rebentar a rede?

Não é a Natureza que ameaça com bombas atómicas.

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