FRATERNIZAR – De um restaurante à beira-rio Douro a um Concerto Clandestino no BC – MAS QUE SÁBADO ESTE, 23 de SETEMBRO de 2017! – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Para quem, como eu, vive atento aos sinais dos tempos e à escuta do Vento-Sopro-Ruah, que não sabemos de onde vem nem para onde vai, os espaços profanos são os mais saudáveis para a minha mente cordial de presbítero-jornalista. Fujo dos templos e dos lugares sagrados, o mais que posso. Mesmo nos anos que, por inerência das funções paroquiais que então me são confiadas, tenho de os frequentar, já há em mim o cuidado de os converter em espaços profanos, onde quem entra não tem de deixar à porta a voz e a vez, pelo contrário, entra inteiro, com todas as suas capacidades. Todos os espaços ditos sagrados são doentios e fonte de doença. Perturbam e atrofiam a mente consciência de quantas, quantos lá entram, a começar pela dos clérigos-chefes, impostos de cima para baixo às populações, por isso, os mais estranhos dos seres e os mais amargurados. Sem o Vento da liberdade e da criatividade, apenas o sopro do funcionário e mercenário.

Vem todo este intróito a propósito de uma das experiências mais plenamente humanas que me é dado viver no sábado, 23 de Setembro 2017. Convidado por um amigo assumidamente ateu a estar presente e a dar sentido teológico outro, ao almoço-diamante dos sessenta anos de casados dos seus pais, Genuína e Álvaro (1957-2017) e, simultaneamente, almoço do 19º aniversário natalício de Inês, já a frequentar o primeiro ano da Faculdade de Sociologia no Porto, neta do casal-diamante e filha do meu amigo ateu, deixo à hora marcada a casinha arrendada onde vivo aqui em Macieira da Lixa e aí vou eu, ininterruptamente habitado, por isso, nunca só, no velhinho Clio, mergulhar em cheio naquela festa da Vida, em dois dos seus momentos mais belos e pujantes, cujos protagonistas ainda não conheço nem sequer fotograficamente. Inês, nos seus 19 anos, corpo alto e belo, recém-chegada à maioridade legal, uma flor humana única e irrepetível que, só ao contemplá-la, logo nos abençoa e liberta para a liberdade. O Casal Genuína e Álvaro, já na casa dos 80 anos, ela recém-chegada, e ele já à beira de os deixar, vestidos ambos com a beleza que só frutos maduros e genuínos como eles nos podem dar.

À chegada, percebo que sou para a generalidade das pessoas a grande surpresa do dia, que já conhecem das redes sociais, das intervenções nas tvs e do canal Youtube e que, para espanto de bastantes, afinal sou de carne-e-osso, não apenas virtual. Fazem por isso questão de me beijar e abraçar, como companheiro de jornada, cuja palavra e cujo sopro continua por aí à solta a libertar as mentes-consciências de muitas, muitos, dos grilhões das religiões, seus moralismos e seus mitos, e também dos grilhões do Dinheiro, sem dúvida, o mais macabro dos deuses que, infelizmente, quase não conhece ateus, quase só adoradores religiosos e laicos. A minha simples presença no almoço de festa é, só por si, fecundamente teológica e maiêutica. Até que chega o momento de se tornar também palavra e canto. Nesse momento, todo eu sou Vento, com tudo de brisa ao modo de meninas, meninos, e tudo de vendaval, quando tenho de denunciar o Inimigo n.º 1 do Humano, o Poder financeiro, o mais macabro filho primogénito das três religiões do Livro.

Pouco depois das 17 horas, e sem necessidade de me despedir das pessoas, porque, como lhes digo, continuo com elas ao modo do Vento, regresso a Macieira da Lixa onde me espera, pelas 21 horas, o meu 1.º Concerto Clandestino – 9 Cantos + 1 – interpretado só com a minha voz. Um vibrante Silêncio cresce então no interior do BC, à medida que a mente-consciência de cada pessoa presente é inundada pela Luz-Ruah que atravessa cada Canto e as fecunda, liberta, cura. E a prova provada de que neste tipo de mundo do Poder só na Clandestinidade somos, é que as pessoas presentes no Concerto não arredam pé, tão animada é a Conversa partilhada que se lhe segue. Ao ponto de ter de ser eu a perguntar, Já viram as horas que são?! Mas que sábado este, 23 Setº 2017!

www.jornalfraternizar.pt

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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