É certo e sabido, público e notório, que não sou da confraria laranja. Nunca fui e nunca serei. Mas tenho alguns amigos que o são. Como o Alberto de Tabuaço, pequeno produtor de vinho que, apesar de ser constantemente esmagado pelas leis que só defendem os grandes patrões, continua a ser um fervoroso militante do PSD.
Ora o Alberto ligou-me esta manhã profundamente indignado e mal atendi disparou:
– Já viste ao que chegou o meu partido?…
– Desculpa, mas não estou a perceber…
– Não estás a perceber?!
– Não, não estou…
– Então não sabes quem são os candidatos ao lugar do Passos?
– Sei, pois. O Rio e o Santana.
– E tu achas bem?…
– Nem acho nem deixo de achar. Para mim qualquer um serve…
O Alberto engrossou a voz e atacou. Forte e feio:
– São dois sexagenários.
Retorqui:
– E tu tens alguma coisa contra os sexagenários? Olha que tu também estás na lista…
– Sim, estou. Mas não sou candidato a líder do meu partido.
Atiro:
– E fazes muito bem…
Creio que o Alberto nem ouviu o que lhe disse.
– Até parece que somos um partido de velhos e sem quadros, pois os candidatos são sempre os mesmos.
Provoco:
– Pois, ao que parece a universidade de verão não tem dado grandes resultados…
– Ouve lá, aquilo só serve para uns tipos irem lá dar uns bitaites e mais nada.
Tento acalmar o Alberto, dizendo-lhe que na apresentação do PSL vi muita gente nova na plateia. Mas foi pior a emenda que o soneto.
– Gente nova na plateia? Quem o avozinho Machete, o Bragança da Maia e a velha secretária do Sá Carneiro? Ó meu não me lixes. Digo-te: o meu PSD é um partido de velhos!
– Se tu o dizes…
– Basta veres as fotos do Expresso. Até à próxima e vê se apareces antes do natal.