SINAIS DE FOGO – GAIANIMA DEU “150 MIL” A TIAGO – por Soares Novais

 

 

O piloto Tiago Monteiro confirmou ter recebido 150 mil euros para ser o cabeça de cartaz de uma corrida de “karting” onde nunca marcou presença. A confissão do feliz contemplado foi feita no tribunal de Gaia e é um exemplo de como, muitas vezes, é mal usado o dinheiro dos munícipes.

Tiago Monteiro nunca chegou a marcar presença na corrida. Limitou-se a enviar algumas imagens suas à organização e a dar entrevistas de promoção do evento da Gaianima. Não sabe, também, que utilização foi feita da sua imagem ou se a mesma chegou a ser associada ao evento. Mas sabe que recebeu duas tranches de 75 mil euros.

A confissão de Tiago foi feita durante mais uma sessão do julgamento que senta no banco dos réus Ricardo Almeida, Angelino Ferreira e João Vieira Pinto, o ex-futebolista, que é actualmente vice-presidente remunerado da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Almeida, Ferreira e Pinto foram administradores da Gaianima, empresa municipal criada durante o longo consulado de Luís Filipe Menezes e Marco António na autarquia gaiense – autarquia que, recordo, guindaram ao topo das mais endividadas do país. O Ministério Público (MP) acusa os arguidos de um crime de abuso de poder e de infidelidade. Ricardo e Angelino estão ainda acusados de dois e três crimes de peculato de uso, respectivamente.

A Gaianima foi uma eficiente máquina de propaganda ao serviço de Menezes e Marco António, que deu emprego a “boys”. Como Ricardo, Angelino e João. “Morreu” em 2015 e como herança deixou uma dívida de 4,4 milhões de euros.

Segundo os jornais, João Vieira Pinto disse, no tribunal, ter sido convidado por Luís Filipe Menezes para o papel de “embaixador da Câmara de Gaia”. Cabia-lhe, segundo o próprio, fazer a “promoção” de acções organizadas pela câmara municipal, através da sua “presença em eventos e inaugurações”. Para alegria do povo que, como se sabe, sempre gosta de ter estes “notáveis” por perto…

Tal papel, de peça decorativa, disse, mantinha-o desligado da gestão financeira da empresa municipal. Para essa tarefa, o ex-futebolista “confiava” nos restantes membros do conselho de administração da Gaianima, desconhecendo, aliás, “a grande maioria dos assuntos” que ali eram tratados.

O economista Angelino Ferreira, antigo administrador da SAD do FC Porto, de onde saiu de candeias às avessas com Pinto da Costa, também seguiu a mesma linha de argumentação. Tinha, disse Angelino Ferreira, um papel “meramente formal”. Recebia as informações que lhe chegavam dos serviços e, em função disso, autorizava “a contratação de despesas” ou então dava ordem para que “se aguardasse por cabimento orçamental.” Nunca viu, alega, “as contas da empresa nem os fundos de que a mesma dispunha ou não para os gastos que efetuava.”

Que eu saiba, ainda não foi nesta sessão de julgamento que o tribunal ouviu Ricardo Almeida. Mas espera-se que não siga a mesma argumentação do ex-colega economista. Caso contrário, confirma-se: esta gente sábia em economia só sabe de contas e das coisas quando lhe convém…

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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