CARTA DE BRAGA – REDES E OUTRAS COISAS AMARGOSAS – por ANTÓNIO OLIVEIRA

 

 

Num dia da semana passada empanquei em duas notícias na primeira página de um jornal diário!

Na primeira, isto pela ordem em que os meus olhos as viram, o ministro Santos Silva afirma que, o risco de os intelectuais serem substituídos pelas redes sociais, ameaça as democracias.

O populismo como cultura política, em crescimento acentuado no mundo ocidental, mormente na Europa e na América, assume-se por ser visto como anti elitismo – quase obsceno, acrescento eu.

O que está a acontecer na Europa dará para milhentas páginas sobre este tema e, na América, a ver até pela crónica de Ferreira Fernandes (no mesmo jornal) sobre um peru presumido, afirma-se que ele, Donald Trump, o presidente do país mais poderoso do mundo, é só um ignorante.

Arrastado por tudo isto, vem o anti pluralismo e um apelo à abordagem moralista e emocional da política, a melhor maneira de questionar o pluralismo base da democracia.

Não se pretende, como não pretendi na crónica sobre os afectos, negar a importância das redes, mas não as entendo como instrumentos de mediação, tanto pelo óbvio de uma foto sem um antes nem um depois, como por não conseguir perceber que o minimalismo dos cento e alguns caracteres, possa desempenhar tal função!

A segunda notícia vem complementar esta, mas com título quase emocional e moralista, dizendo que o actor Carlos Areias vive com cerca de trezentos e quarenta euros por mês, os que correspondem ao Complemento Solidário para Idosos!

Incomoda-me por ser quem foi e o que é agora, apenas mais um exemplo vivo e amargo do abandono a que a Cultura, essa mesma, tem sido tratada por cá e, custa-me muito pensar e até mais escrevê-lo, o facto de Carlos Areias também só poder ser uma razão para selfies depois do aparecimento deste título!

E quantos milhares de carlos areias (assim em letra pequena!) existem por esse país, por só terem sido autores e intérpretes de uma mísera existência, sem ribalta, sem selfies e sem vida!

Não tiveram nem têm redes sociais, a não ser a caridadezinha que tanto têm defendido e celebrado os portadores dos telemóveis de última geração!

E, quase no fim da página, numa crónica subordinada a 1.800 caracteres, fala-se da abalada de um grande e enorme comunicador, o jornalista Pedro Rolo Duarte!

Até sempre, Pedro!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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