O PAÍS DO MEDO” DE ISAAC ROSA – UM ENSAIO SOBRE A PASSIVIDADE E O MEDO

O País do Medo” , é o quarto romance de Isaac Rosa que, para além destes, já escreveu peças de teatro e é co-autor do ensaio “Kosovo. La coartada humanitária”.

É uma edição de 2010, da Planeta, 2010.  Venceu em 2009 o Prémio de Melhor Romance pela Fundação José Manuel Lara.

O país do medo é um lugar imaginário onde se tornaria realidade tudo o que tememos. Carlos sabe bem como seria o seu; vive assustado. Os seus temores são muito comuns: ser espancado, ser assaltado, que entrem em sua casa enquanto dorme, que raptem o filho; mas também teme a agressividade dos vizinhos, os adolescentes violentos, os pobres, os estranhos. Sabe que são temores exagerados, inclusive infundados. E, no entanto, não consegue evitá-los. O seu medo, até então secundário, ocupará um lugar central quando se vir envolvido numa situação de conflito: um pequeno incidente na escola do filho, que poderia ser solucionado de maneira simples, complica-se devido à sua incapacidade de tomar decisões. Carlos dará, então, início a uma fuga daí para a frente, onde cada mentira, cada passo em falso, fará com que se sinta cada vez mais ameaçado. O País do Medo indaga a origem desse medo ambiental. este romance inquietante e intenso revela como se constroem e se propagam os temores, e o peso que os relatos da ficção têm na extensão de um medo que acaba por se transformar numa forma de domínio, que nos leva a aceitar formas abusivas de protecção e nos conduz a respostas defensivas que nos fazem sentir mais vulneráveis.

“E sobretudo, e talvez isso seja o pior, o problema dela é um medo consciente, próprio de quem é capaz de pensar o próprio medo, de analisá-lo, inclusive de questioná-lo e que, no entanto receia”. (pag. 23).

 “Por isso, Carlos quer crer que a dor dói mais quando se pensa e consola-se ao pensar que, no momento da verdade, a dor real nunca poderia igualar a dor imaginada e verificaria que não era para tanto, que uma facada na barriga ou um pontapé na cara não doem tanto como esperávamos. Doem, e muito, mas doem menos, que alívio.” (pág. 62)

 

 

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