SINAIS DE FOGO – OS EXTREMISTAS DA AUTOEUROPA – por Soares Novais

 

O presidente da CIP afirma que se instalou uma “guerra na Autoeuropa”. Uma guerra de “cariz político-sindical, esclarece.” Tudo porque, diz o mandarete Saraiva, a CGTP implantou “um vírus” na fábrica de Palmela.

Esta saraivada do Saraiva, que foi operário e membro da Comissão de Trabalhadores (CT) da Lisnave, não espanta se se tiver em linha de conta o seu percurso. Filho de uma “mulher a dias” e de um “pai electricista”, segundo o próprio, o Saraiva, alentejano de Ervidel, sempre teve um sonho: vestir os fatos de bom corte que agora enverga, aconchegar a barbela com gravatas de seda, sentar-se à mesa com os mandões da economia e da política.

O que espanta é que o Saraiva, antigo membro da CT da Lisnave, tenha descoberto agora que a luta sindical é política. A não ser, claro está, que a sua militância na CT da Lisnave apenas tenha servido de alavanca para trocar o “fato-macaco” pelos fatos “à patrão” e “subir na vida” até ser escolhido para ser a “voz do dono”…

A acusação de que a CGTP está a implantar “um virus na Autoeuropa” e de que aquela central sindical está “a provocar uma luta político-partidária desnecessária” esconde uma realidade bem mais grave: a de que o pré-acordo apresentado aos trabalhadores estipula a criação de um plano de trabalho, com novos horários, onde os sábados deixam de ser pagos como trabalho extraordinário.

Foi contra este “extraordinário” plano de trabalho que os trabalhadores da fábrica de Palmela votaram em plenário. Mas Saraiva diz que importa que “os trabalhadores tenham maturidade para perceber o que é mais importante para eles e para o país, de forma a ultrapassarem esta crise” e apela a que “não extremem relações”. (Logo eles, os trabalhadores de uma fábrica, a quem Miguel Sousa Tavares e outros sábios, ainda há pouco  tempo rotulavam de “aristocracia operária”, lembram-se?)

Para ele, para o Saraiva, só os patrões é que podem extremar relações, impor horários contínuos, não pagar o trabalho extraordinário ao sábado, recusar aumentar o salário mínimo para os 600 euros, desrespeitar os mais elementares direitos de quem trabalha e fazer da Constituição da República um mero livro de estante…

A “visão” de Saraiva não tem nada de novo. Todos os outros patrões também têm essa “visão” e reproduzem essa cassete. Para os trabalhadores e para o país, o que é verdadeiramente importante é que “haja trabalho” pouco ou nada importando o salário que se recebe. O falecido Belmiro também assim pensava: “os salários só podem aumentar quando um trabalhador português fizer igual a um alemão ou inglês.”

Mas eu sei, e todos nós devemos saber, que estes patrões “à Saraiva” bem gostariam que a Europa fosse invadida pelo “vírus asiático”. O tal que condena os trabalhadores daquela parcela do mundo a “escravos globais”…

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Ary dos Santos nasceu há 80 anos..  Recordá-lo é um acto de gratidão colectiva e de decência cívica e intelectual. Um acto de gratidão para com alguém que “… Serei tudo o que disserem/por temor ou negação: Demagogo mau profeta/Falso médico ladrão/Prostituta proxeneta/Espoleta televisão./Serei tudo o que disserem: Poeta castrado não!

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                                              (foto retirada do sítio do PSD/Porto na internet)

FRANCISCO SÁ CARNEIRO morreu há 37 anos. O PSD/Porto assinalou a data com uma romagem junto à sua estátua no jardim da Praça Velasquez. O candidato Rui Rio não esteve presente. Ao acto apenas se associaram meia dúzia de militantes anónimos e meia dúzia de figuras da segunda linha do PSD portuense,

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A CIDADE DO PORTO é cada vez mais um cenário para turista ver e fotografar. Assim a modos como uma “disneylândia” que expulsa os seus cidadãos e é campo aberto à especulação imobiliária. E é, também, poiso de espertalhaços que cobram 15.50 euros por duas garrafas pequenas de água sem gás, dois cafés e um “descafeinado”. Como se prova com a imagem acima. Apenas fico com um dúvida: será que o patrão do “Majestic” paga os impostos devidos a tal facturação? É que o documento entregue ao cliente é, como diz, um mero “documento de conferência”…

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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