A NOSSA PENÍNSULA – 4 – A mítica Lusitânia – por Carlos Loures

(continuação)

Depois de um pequeno desvio pelo Reino da Lusitânia Setentrional, volto à busca de uma razão consistente para que sejamos tratados por lusitanos  e chego *a conclusão de que essa razão e consistência não existem. Parte do território de Portugal é ocupado pelo Sul da Galécia e não se trata de um qualquer espaço – pura e simplesmente aquele onde a Nação se formou, no Sul da Galiza, Estado do qual o Condado Portucalense era feudatário. Disse num texto anterior que confundir Portugal com Lusitânia, provém de uma liberdade poética. De Camões? Não. De André de Resende.

´Não existem dúvidas sobre o facto de os Lusitanos, povo de origem indo-europeia, ter habitado no período pré-românico o território onde se situa parte substancial da Nação portuguesa. Quando em 29 a.C, os romanos invadiram a Península criaram a província da Lusitânia. Viriato, foi o herói lusitano que comandou a resistência aos romanos. Mas houve outros, tais como Punicus, Césaro, Cauceno, Apuleio, etc. Não legando registos, o que sabemos sobre os lusitanos chega.nos através das descrições gregas e romanas.

Lusíadas provêm de Luso, filho de Liber, companheiro de Baco, deus do vinho e da alegria. Luso nasceu e viveu na Península Ibérica onde fundou um reino – a Lusitânia – um reino tão mítico como o de Napoleão, onde a amizade a Baco é compensada com Luso. Por minha conta e risco, arrisco que a água do Luso constitua uma penitência pelos desmandos alcoólicos do amigo Baco, Diz Camões em Os Lusíadas, canto III, est.21: «Esta foi Lusitânia derivada/De Luso ou Lisa/que de Baco antigo/Filhos foram, parece, ou companheiros…» Segundo Hernâni Cidade em Luís de Camões, o Épico (adaptado)No século XVI, os autores portugueses renascentistas começaram a utilizar o termo “lusitanos” como sinónimo de “portugueses”. Luís de Camões foi buscar o nome Lusíadas a André de Resende, que a usa nas obras Vicentius Levita et Martyr (1545) e Erasmi Encomion e a uma epístola, provavelmente de 1561, dirigida ao poeta Pedro Sanches.            De acordo com o autor, “A Luso unde Lusitânia dicta est, Lusíadas adpellavimus Lusitanos et a Lysa Lysiadas, sicut a Aenea Aeneadas dixit Virgilius”, isto é, “de «Luso», origem do termo «Lusitânia», criámos o apelativo «Lusitano», e de «Lusa», «Lusíadas», assim como de «Eneas», «Enéadas»”.           

Deste modo, ao aproveitar o termo criado por André de Resende, Camões atribui à sua obra, “não um nome através do qual entrevíssemos ações de um herói” (como Aeneada, Orlando Inamorato, Orlando Furioso, etc.); “não um nome que suscitasse a limitada evocação de uma ação militar, posto que grande” (Ilyada, Thebaida, Pharsalia, etc.), ou de uma grande viagem, como Odyssea, Argonautica, mas um nome que “anuncia a história de todo um povo – Os Lusíadas”.

Uma liberdade poética que cria raízes no campo da realidade –organizações internacionais ostentam a palavra luso na sua sigla e toda uma filosofia assenta no conceito de lusofonia – Talvez por se terem apercebido do carácter inconsistente do conceito, talvez por isso, os amigos extremenhos nem se lembram da sua lusitanidade

(continua)

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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