
LUÍS DE FREITAS BRANCO E A ALEMANHA NAZI – UM ESFORÇO DE ESCLARECIMENTO, por JOÃO MARIA DE FREITAS BRANCO

A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.

Desde o início da semana que tenho vindo a recolher reacções à publicação de um artigo de jornal em que Luís de Freitas Branco, meu avô, é citado como tendo sido um dos “músicos portugueses que colaboraram com a Alemanha nazi”; é este, aliás, o título que se faz acompanhar de uma fotografia do compositor (foto de grande formato, ocupando 4 colunas), única imagem associada ao texto. O referido artigo apareceu, com grande destaque, na página dedicada à cultura, na edição de 16 de Dezembro do semanário Expresso (ainda nas bancas). É assinado pela jornalista Alexandra Carita. Na lista de músicos citados como tendo “colaborado” figura também o nome de outro meu familiar: o do maestro Pedro de Freitas Branco, meu tio-avô e irmão mais novo de Luís. Importa talvez recordar, principalmente para leitores mais jovens, que o uso, sob a forma de substantivo, adjectivo ou verbo, de termos como “colaboração”, “colaborador”, “colaborar” têm, neste contexto histórico, grave conotação pejorativa. Remetem para uma prática ou atitude política criminosa: o colaboracionismo, uma forma de apoio à barbárie nazi. É o contrário de resistência. A palavra francesa “collaborationniste”, que está na origem do termo português, foi utilizada por Pétain num célebre discurso de incentivo à traição nacional consubstanciada na submissão da França aos interesses e propósitos imorais do invasor nazi. Excluindo a hipótese de uma excessiva ignorância historiográfica e política, o título não pode ser considerado uma escolha ingénua do editor jornalístico. Acrescento também, e desde já, que não desconhecia o facto de meu Avô ter mantido contactos com a Alemanha mesmo depois do início da segunda Grande Guerra. Nem creio que isso constitua novidade para os musicólogos, investigadores universitários e/ou estudiosos da história da música em Portugal.
1 Comment