A CURA DA EUROPA COMEÇA E ACABA COM A GRÉCIA, por RICHARD BARLEY

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

A cura da Europa começa e acaba com a Grécia

 

Richard Barley, Europe’s healing starts and ends with Greece

Wall Street Journal, 11 de Dezembro de 2017  

Após três resgates e confrontos repetidos com a Europa, a Grécia poderá finalmente ficar liberta em 2018

A diferença de rendimentos relativamente aos títulos alemães

A Grécia, o país onde a crise da dívida soberana da Europa surgiu pela primeira vez, parece finalmente estar em vias de poder escapar à tragédia de vários anos de resgate. Os investidores obrigacionistas estão inteligentemente a caminho.

O terceiro programa de resgate da Grécia deve terminar em Agosto de 2018. Irlanda, Portugal e Chipre saíram já de situações que levaram a resgates; só resta a Grécia. As revisões recentes com o Fundo Monetário Internacional e com os credores da zona euro têm sido feitas sem alaridos, em comparação gritante com as rondas anteriores. Não houve nada como o impasse de 2015 que levou a um encerramento do Banco da Grécia e aos controles de capital. A saída da Grécia do programa de resgate poderia ser um benefício económico, bem como um prémio político: anos de confrontos com a Europa deram um sentimento de desagrado aos investidores quanto à atividade na Grécia.

É claro que a economia da Grécia ainda enfrenta grandes desafios: apenas tem tido crescimento nos últimos anos e com dificuldade, e tem o maior peso da dívida de qualquer país soberano europeu, com vencimentos longos no seu resgate. Mas a direção da viagem é encorajadora.

A Grécia registou três trimestres consecutivos de crescimento em 2017 pela primeira vez desde a crise. O desemprego, embora ainda muito superior a 20%, caiu de um pico de cerca de 28%. Os depósitos bancários, que tinham diminuído 45% relativamente ao valor de pico, estabilizaram e aumentaram 4,4% este ano para o seu maior valor desde 2015, e os bancos começaram a regressar aos mercados obrigacionistas. Excluindo os pagamentos da dívida, o governo da Grécia está a gastar menos do que é necessário, e os seus vencimentos de dívida de curto prazo são geríveis. Tal como acontece com outros resgates, a primeira condição para a saída é a estabilidade relativa.

Isso reflete-se nos mercados obrigacionistas e deve continuar. Em termos de rendimento, os rendimentos de títulos da dívida pública da Grécia  a dez anos na semana passada caíram abaixo de 5% pela primeira vez desde 2009. Em termos de rendimento, a Grécia continua a ser um disparate: os seus títulos a  dois anos têm   um rendimento positivo, enquanto os rendimentos de curto prazo  irlandeses e portugueses têm-se tornado negativos, juntamente com o resto da zona euro.

A Grécia representa a última grande aposta sobre os rendimentos mais baixos das obrigações no mercado europeu. Além disso, para a Grécia sair do seu resgate, será necessário manter o mercado obrigacionista estável: a construção de uma reserva de caixa, a servir de tampão, como na Irlanda e em Portugal, será um passo importante.

A economia da Grécia tem um longo caminho a percorrer para reparar os danos causados pela crise. Mas uma saída de resgate, que antes pareceria ridículo admitir, parece agora parece ser algo em que se pode apostar.

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: