OS CAMINHOS PARA A HUMANIDADE por Luísa Lobão Moniz

A Humanidade tem caminhado sobre o seu próprio sangue na esperança de chegar a uma perfeição que não conhece.

Conhece pequenas alegrias, conhece momentos de conforto físico, de sorrisos inesquecíveis, de beicinhos que tremem à espera de um carinho.

A Humanidade conhece o impulso de um salto de alegria, mas não consegue limpar completamente as mãos do sangue entretanto derramado. Sangue vermelho e brilhante que ceifou vidas, sangue transparente só visível por quem sofre…

Há quantos anos se fala, se relata, se mostra imagens de gente que foge da guerra e da fome, do ser vendido como escravo, de terramotos, de fuzilamentos…

Não sei que sentimento corre no vento que nos faz sentir que tudo isto está distante, não é bem connosco, é com alguém que não fala como nós, que não tem casas como as nossas…

Mas o sangue que ainda temos nas mãos faz-nos fazer movimentos de solidariedade, faz aparecer voluntários para ajudar quem precisa…

Mas quem somos nós, essa mole que forma a Humanidade? No meio de tudo isto e de realidades ainda mais dolorosas, abrimos a boca de espanto e sai-nos “não pode ser!”

No meio de todo esta escuridão, de toda esta incapacidade há quem queira mais, mais e mais…serve-se da sua posição económica para enganar tudo e todos, principalmente aqueles que lhes são menos poderosos.

É a corrupção, o branqueamento de dinheiros, falsificação de documentos, o engrossar as contas bancárias de formas ilícitas.

Que prejuízo podem ter os corruptos? Penas demasiado leves para tanta presunção. Com algum conforto dentro das celas o tempo passa, a pena é mais leve, por bom comportamento, e cá estão eles nos sofás de suas casas.

Não somos todos iguais, ou seja, nem todos temos as mesmas oportunidades, nem todos temos conhecimento das oportunidades a que temos direito.

Pensar é uma oportunidade de fazer a Humanidade diferente.

Pensamos com palavras, com conhecimentos adquiridos, com sentimentos.

As palavras não surgiram para que os Direitos fossem negados, pelo contrário. As palavras servem para comunicar, reivindicar…

A palavra precisa de ser protegida, a palavra é frágil.

 

A cidade é um chão de palavras pisadas

A cidade é um chão de palavras pisadas

a palavra criança  a palavra segredo.

A cidade é um céu de palavras paradas

a palavra distância  e a palavra medo. 

A cidade é um saco  um pulmão que respira

pela palavra água  pela palavra brisa

A cidade é um poro  um corpo que transpira

pela palavra sangue  pela palavra ira. 

A cidade tem praças de palavras abertas

como estátuas mandadas apear.

A cidade tem ruas de palavras desertas

como jardins mandados arrancar. 

A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.

A palavra silêncio é uma rosa chá.

Não há céu de palavras que a cidade não cubra

não há rua de sons que a palavra não corra

à procura da sombra de uma luz que não há.                   

José Carlos Ary dos Santos

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