NESTE DIA, 4 de FEVEREIRO de 1799, nasceu ALMEIDA GARRETT

 

(1799 – 1854)

 

É impossível falar de cultura portuguesa, sem referir Garrett – figura incontornável da nossa literatura, particularmente do Romantismo, movimento de que é autor paradigmático. No campo literário, escreveu obras ímpares,* sendo um dos mais activos intelectuais na actualização do teatro e na criação de condições para que a arte dramática tivesse bases de apoio e alicerces institucionais. Como cidadão, assumiu posição relevo na luta contra o absolutismo miguelista.

Em 4 de Fevereiro de 1799, nasceu no Porto, João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, Em 1804, a família mudou-se para Vila Nova de Gaia, refugiando-se, em Fevereiro de 1809  na ilha Terceira, fugindo da segunda invasão francesa. A educação do jovem foi confiada a dois tios paternos – o médico João Carlos Leitão e o bispo de Angra do Heroísmo, Alexandre da Sagrada Família. Em 1816, matriculou-se em Direito, na Universidade de Coimbra. Em 24 de Agosto de 1820, eclodiu no Porto a revolta militar do  Sinédrio. Almeida Garrett participou no movimento que se desencadeou por todo o país. Em Novembro de 1821 concluiu a licenciatura em Leis. Em Agosto  de 1822 foi admitido como secretário particular de Silva Carvalho, secretário de Estado dos Negócios do Reino. Em 1823, a Vila-Francada obrigou-o a exilar-se em Inglaterra.

No ano seguinte partiu para França, trabalhando na livraria Aillaud, em Paris. Pela morte de D. João VI foi lançada uma amnistia que o abrangeu. No regresso a Portugal, fundou e dirigiu o jornal diário O Português e em 1827,  o semanário O Cronista. Em 22 Fevereiro de 1828, D. Miguel, regressado a Lisboa, jurou a Carta no Palácio da Ajuda. Começou a Guerra Civil. Garrett exilou-se novamente em Inglaterra. Em 1831 partiu para França onde se alistou num batalhão de imigrados liberais. Em Julho de 1832 a expedição liberal desembarca no Mindelo e ocupou o Porto. Garrett fazia parte deste corpo militar (tal como Alexandre Herculano). Em 1836, a subida de Passos Manuel ao poder, implicou a sua nomeação como responsável pela reorganização do teatro em Portugal. Em 20 de Dezembro de 1838 ascende a cronista-mor do Reino.

Em 1842, Costa Cabral tomou o poder e demitiu Garrett, opositor assumido da ditadura cabralista, dos seus cargos. Em Setembro de 1836 dá-se uma Revolução. O liberal-cartismo deslizara para situações de clientelismo, corrupção, com políticos responsáveis a deixar-se aliciar pelos grandes proprietários, ligados aos interesses do grande comércio estrangeiro. O Setembrismo mais não é do que a vaga de fundo do descontentamento generalizado, afectando trabalhadores, pequenos comerciantes, pequenos lavradores, contra o ideário cartista. Na sua genealogia, vamos encontrar o vintismo. A pedra angular do movimento é a substituição da Carta Constitucional de 1826, redigida pelo rei, por uma constituição aprovada em congresso democraticamente eleito pelo povo. Os setembristas são os liberais de esquerda, enquanto os cartistas são a facção conservadora, apoiante da Carta. Como sempre acontece, o setembrismo divide-se em duas facções: moderados e radicais:A facção moderada era dominante. Posições cautelosas, procurando evitar rupturas e encontrar as soluções em compromissos com D. Maria II, visivelmente adepta dos cartistas, permitindo uma revisão constitucional onde se introduziriam alguns novos artigos votados em assembleias populares e se conservariam outros da «velha» Lei Fundamental de 1826.

Algumas obras de Almeida Garrett: Lucrécia, 1819 – O Roubo das Sabinas (poema da juventude),1820 – Mérope (teatro) 1820 – O Retrato de Vénus (poesia), 1821 – Catão (teatro),1821- Camões (poesia), 1821 – Dona Branca (poesia)1825, – Adozinda (poesia)1828- Lírica de João Mínimo (poesi1825 a(João Mínimo’s Lyric)1829 – O tratado “Da Educação”1830 – Portugal na Balança da Europa (Portugal nas escalas da Europa)1838 – Um Auto de Gil Vicente (teatro) (Gil Vicente’s Auto)1842 – O Alfageme de Santarém (teatro)1843 – Romanceiro e Cancioneiro Geral, tomo 1 1843 – Frei Luís da Sousa (teato)1845 – Flores sem fruto (poesia)1845 – O Arco de Sant’Ana I (ficção)1846 – Falar Verdade a Mentir (teatro) 1846 – Viagens na Minha Terra1846 – D. Filipa de Vilhena (teatro)1848 – As profecias do Bandarra 1848 – Um Noivado no Dafundo 1848 – A sobrinha do Marquês (teatro)1849 – Memórias Históricas de José Xavier Mouzinho da Silveira1850 – O Arco de Sant’Ana II (ficção) (O Arco de Sant’Ana II)1851 – Romanceiro e Cancioneiro Geral, tomo 2 e 31853 – Folhas Caídas (poesia) (Folhas caídas)1853 – Fábulas e Folhas Caídas (poesia) 854? 

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: