FRATERNIZAR – Jogos Olímpicos de Inverno – COREIA DO SUL ENGOLIDA PELA COREIA DO NORTE? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

O líder da Coreia do Sul convidou, e o líder da Coreia do Norte, surpreendentemente aceitou. Mais surpreendentemente ainda, fez-se representar nos Jogos Olímpicos de Inverno, um evento que mobiliza multidões e televisões, pela sua própria irmã. A bandeira das duas Coreias unificadas encabeça o desfile na Sessão de inauguração transmitida urbi et orbi. Na véspera, o mesmo líder avança com um desfile do seu potencial militar e dos seus soldados quase robots, de tão perfilados e sincronizados que se apresentam ao mundo. As imagens falam. As datas são milimetricamente escolhidas. E mediaticamente divulgadas. Para bons entendedores, estas decisões do líder da Coreia do Norte bastam para gritar o que está na mente dele, onde não cabem os escrúpulos. Ah! E não esquecer que a irmã do líder, uma simpatia de mulher robotizada, foi portadora de uma mensagem manuscrita do seu pai e líder a convidar o líder da Coreia do Sul a visitar a Coreia do Norte. Tudo isto, na era de Trump nos EUA, de Putin na Rússia, de Xi Jinping na China, de Benjamin Netanyahu em Israel, de Guterrez na ONU e do papa Francisco em Roma. Todos estes pormenores apresentam-se, por isso, objectivamente carregados de assustadoras revelações.

Revelam, entre outras coisas, que as populações dos Estados do terceiro milénio são, na sua esmagadora maioria, populações pós-religiosas, pós-cristãs, pós-islâmicas. Ainda que as estatísticas de praticantes pareçam gritar o contrário. Não gritam. Aliás, as multidões e as estatísticas nunca gritam. São apenas multidões, estatísticas. E quando as multidões não aceitam a mera condição de estatística, são reduzidas a carne-para-canhão. Voz e vez nunca as multidões tiveram, nem quando ainda havia alguns escrúpulos de ordem moral nos sistemas de Poder, porque de ordem ética nunca houve. Existem só para que as elites do Poder brilhem. E orgulhosamente prontas a dar a própria vida, se os divinos líderes – Cristos – lho proporcionarem. Numa auto-imolação que os faz mártires!!!

É este o tipo de mundo que somos e temos. E sempre será assim, enquanto a Ideologia-teologia do Poder não for decapitada na mente das populações. Mas como o há-de ser, se os chefes das religiões e de todas as escolas-universidades do mundo trabalham dia e noite para as manter cativas na sua ignóbil condição? Sem esta decapitação nas mentes das populações e das elites dos privilégios, o tipo de mundo de amanhã é ainda pior do que o de hoje e assim sucessivamente até à planetária destruição da vida. Sem qualquer sobrevivente para contar como que era antes. Ficará então apenas o vazio e o silêncio. Até um inesperado terceiro dia, porventura, milhares de anos depois.

Os jogos olímpicos de inverno deste ano na Coreia do Sul apresentam-se tremendamente engatilhados. Para cúmulo, no contexto da destruição em massa da Síria, cada vez mais reduzida a escombros e a valas comuns abertas pelos sucessivos rebentamentos de potentes bombas, lançadas pelos aviões dos diversos Estados envolvidos. Tudo nos grita que a diplomacia morreu, que a ONU morreu e que até o papa de Roma, jesuíta q.b., o mais que pode fazer é presidir ao seu pomposo funeral, ao som do Requiem de Mozart.

É manifesto que o líder da Coreia do Norte, hoje uma pequena potência nuclear, está prestes a engolir o líder da Coreia do Sul e assim unificar as duas Coreias. Nenhuma potência o travará. Não tem potencial nuclear bastante para destruir o planeta. Mas tem o bastante para pôr todos os outros líderes mais nuclearmente poderosos a fazê-lo. A menos que as minorias dos privilégios se convertam em minorias orgânicas com as populações e as façam crescer de dentro para fora em voz e em vez. De modo que passem de populações-estatísticas a populações-sujeito dos próprios destinos e dos destinos do planeta. É por aqui que vai a via política de Jesus. Mas quem a pratica?!…

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