Ontem, por dever de pai, participei num evento local.
Nele estavam alguns dos elementos da chamada classe média: empresários de pequeno e médio porte, licenciados em diversas áreas, funcionários públicos e privados.
Durante algumas horas, escutei-lhes os dichotes, espantei-me com a mestria com que lidavam com os seus telemóveis topo de gama e com o ar sábio com que debitavam banalidades.
Confirmei, assim, a razão pela qual nunca os topei naquela que foi a única livraria cá da terra. Uma livraria que, também, promovia encontros regulares com escritores e gente da cultura. Como o chileno Luis Sepúlveda ou a portuguesíssima Simone de Oliveira, por exemplo.
E confirmei, também, a razão pela qual a classe me(r)dia, desta e de outras paragens, quase sempre escolhe os imbecis para os colocar no altar dos eleitos.
Bem-aventurada classe me(r)dia, pois. Dela é o reino dos céus.
Melhor que em qualquer tratado de sociologia.CLV