Trickle down ou trickle up eis a questão. E qual tem sido a opção? Parte II – 10. Um instrumento a sacar no caso de baixa dos mercados  Por edições Agora

Uma nova série sobre as novas tempestades que se vislumbram já no horizonte

Imagem 2 Trickle-Down CADILLAC

 Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Parte II – 10. Um instrumento a sacar no caso de baixa dos mercados 

Por edições Agora, em 1 de setembro de 2014

Trickle down Parte II texto 10 1 ETF com

 

Toda a gente conhece o ditado “vender a pele do urso antes de o ter matado”, que teria como origem os caçadores e a caça da época dos pioneiros. A anedota diz que este ditado está na origem das expressões anglo-saxónicas de bear (investidor que tenta tirar partido do mercado em baixa) e bearish (mercado em baixa).

Aquele que vende a pele do urso antes de o matar é o que se chama venda a descoberto. Ele não tem o urso-muito menos o urso esfolado – mas este vendedor a descoberto tem a certeza que vai encontrar um plantígrado e terá a sua pele se bem que ele encaixa o dinheiro do contrato antes mesmo de o realizar.

No jargão das bolsas diz-se de alguém que espera uma baixa nos valores de mercado, e que toma uma posição vendedora, ou dita também posição curta ou a descoberto, que é um bear.

Um vendedor a descoberto aceita vender qualquer coisa que ainda não tem, a um preço acordado em momento anterior à venda

Um vendedor descoberto concorda em vender algo que ele ainda não tem, a um preço acordado antes da realização da venda e é dito que se trata de alguém que vende a descoberto ou short, que toma uma posição curta. Este vendedor especula que quando ele mais tarde tiver de entregar o que antecipadamente já vendeu e que ainda não tem, que o poderá adquirir por muito menos do que o preço de venda que acordou. Esta transação do mercado de ações – vender o que não se tem – é também chamada uma posição curta ou posição curta a descoberto.

Hoje, o mais sensato é não antecipar uma baixa acentuada, mas esperar até que esta se instale para que possa realmente desfrutar-se dela com ETFs shorts ou também ditos ETF inversos, ou ETFs ursos.

Como funciona um tracker ou um fundo de urso?

A primeira coisa a saber é que existem três grandes tipos de ETFs de urso também ditos rastreadores de urso:

1. Os fundos clássicos de venda a descoberto. Neste caso, o gestor realmente vende o que ele não possui a outros. Seleciona de acordo com os seus próprios critérios os valores que parecem mais sobrecotados.

A sua escolha é limitada porque nem todas as empresas aceitam as vendas a descoberto e os valores elegíveis são valores grandes.

Em França, a venda a descoberto é praticada através do serviço de liquidação diferido (SDR), que solicita um depósito do vendedor. Esta cobertura varia de 20% a 100%, dependendo do que é dado como garantia (dinheiro, títulos do tesouro, obrigações, ações). Digamo-lo imediatamente, estes fundos são escassos e cobram comissões altas.

A outra solução é agir por conta própria e fazer a sua própria seleção.

Como alguns pequenos valores ou certas legislações não permitem a venda a descoberto, a réplica não é perfeita e o complemento é feito por derivados

2. Os ETFs de venda a descoberto. Estes instrumentos vendem a descoberto um índice de ações ou mesmo de obrigações. Como alguns valores pequenos ou legislações não permitem a venda a descoberto, a réplica não é perfeita e o complemento é feito por derivados.

3. Os ETFs ou rastreadores chamados sintéticos de venda a descoberto. Neste caso, o instrumento replica o inverso de um índice ou mesmo o múltiplo do inverso de um índice (por exemplo, se o CAC 40 exibe -10%, o seu ETF irá, teoricamente, exibir +20%) com base em derivados. Esta é uma cozinha financeira complexa, não regulamentada.

Encontrar-se-á este tipo de rastreadores propostos pelos bancos em que as atividades de negociação são desenvolvidas: Société Generale e Deutsche Bank, por exemplo, na Europa. Nota: os encargos aqui são importantes, mais elevados do que para os trackers clássicos.

Os dois riscos de rastreadores de ursos que se devem conhecer imperativamente

Risco de deriva. A cotação do ETF não replica rigorosamente o inverso do preço do ativo a vender em descoberto.

O sincronismo é consequentemente essencial porque se se mantiver em posição de urso, à baixa, quando o mercado sobe, então registará perdas superiores à alta do mercado agravadas pelo custo de conservação dos títulos.

Exemplo: o leitor adquiriu um ETF urso no CAC 40 em 2 de janeiro de 2013. Estava a 16,13 euros e hoje está a 14,22 euros, uma subavaliação de 12%. Ao mesmo tempo, no entanto, o CAC 40 só progrediu em 2%! O leitor atinge aqui os limites da réplica.

Este tipo de instrumento não pode, portanto, ser mantido numa carteira em contra tendência.

Com ETFs ursos com alavancagem, é ainda pior e este tipo de instrumentos é mais reservado para os operadores de mercado.

Quem diz produtos derivados diz risco de contraparte e risco de liquidez. Este risco é real para os ETFs sintéticos e com efeito de alavanca. Aconteceu que durante um colapso pontual, um instrumento proposto por um grande banco francês foi simplesmente suspensa a sua cotação.

 

Texto em http://quotidienne-agora.fr/tracker-bear-ventes-decouverts/

 

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O que é um ETF de venda a descoberto (Short ETF)

Por Elvis Picardo, CFA

Trickle down Parte II texto 10 2 Elvis ricardo

 

Um fundo de investimento aberto e cotado em bolsa sobre posições curtas (ETF) (short ETF ou ETF inverso) é projetado para obter ganhos apostando no declínio do valor do índice subjacente. Um ETF de posição curta recebe o seu nome pelo facto de que ele é concebido para beneficiar da mesma maneira que uma posição de especulação a descoberto, dita tomada de posições curtas sobre um índice subjacente. Assim, um ETF curto será rentável se o índice subjacente ou o ativo descer no preço, e incorrerá em perdas se o índice subjacente ou ativos subjacentes sobem de valor. Os ETFs inversos ou curtos podem ser usados para a especulação ou para a cobertura de posições inversas.

Os ETFs curtos são amplamente conhecidos como “ETFs inversos”, e às vezes como “ETFs bear” (ETFs urso), Os ETFs inversos não são construídos através de posições curtas sobre as componentes de um índice, mas sim, através do uso de instrumentos derivados como opções, futuros e swaps.

Os ETFs inversos ganharam popularidade porque eles são uma alternativa viável para a venda a descoberto de curto prazo, que tem uma série de desvantagens que tornam onerosa e arriscada a especulação a descoberto para o investidor de retalho médio. Ao contrário de uma venda a descoberto, os ETFs inversos não requerem o uso de uma conta de margem separada. Os ETFs curtos são igualmente uma maneira mais barata de obter a exposição à baixa do que a venda a descoberto dos subjacentes do índice uma vez que esta implica um número de despesas tais como os juros sobre a conta de margem, a obtenção de empréstimo dos títulos que se vai vender a descoberto assim como o pagamento dos dividendos sobre esses mesmos títulos vendidos a descoberto. Os ETFs inversos também podem ser menos expostos a outros riscos associados com a venda a descoberto tais como o risco de apertos sobre posições curtas – o mesmo é dizer, com o especulador a ficar encurralado quando os movimentos dos preços seguem um movimento à alta e não à baixa o que pode obrigar o especulador a mais vendas massivas a descoberto para forçar os preços a descerem- o risco de não cumprimento da entrega dos títulos pela parte do vendedor e o risco regulatório.

Os ETFs inversos estão disponíveis numa ampla gama de índices e ativos, e também podem oferecer alavancagem adicional. Por exemplo, o ProShares UltraShort S&P 500 S&P 500 Fund (SDS) procura obter resultados de investimento que correspondem ao dobro do inverso do desempenho diário do S&P 500. Assim, se o S&P 500 declina 2% em um determinado dia, este ETF ultracurto deve, teoricamente, ganhar 4%. Por outro lado, se o S&P 500 ganha 1,5% num um dia, o ETF inverso deve, teoricamente, perder 3%.

Nós dizemos “teoricamente” porque os ETFs inversos têm diferenças de rastreamento muito significativas em comparação com o índice subjacente. Esta diferença do seguimento aparece amplificada em períodos de tempo mais longos e com graus mais elevados de alavancagem. Enquanto isso faz com que os ETFs inversos sejam ferramentas adequadas para cobertura ou para a especulação sobre períodos de tempo curto, tais como dias ou semanas, estes ETFs inversos são muito menos eficientes em períodos de tempo mais longos.

Como exemplo do efeito de alavancagem sobre o registo da diferença, veja-se o seguinte:

O SPDR S&P 500 ETF tinha uma diferença de rastreamento de apenas o,37% em relação ao índice S&P 500 subjacente em julho de 2014; o ProShares Short S&P 500 tinha uma diferença de rastreamento de 18,2% enquanto o ProShares Utlrashort S&P 500 Fund (SDS) tinha uma diferença de rastreamento de 27,2%.

Conclusão

Os ETFs curtos ou inversos são uma alternativa viável à venda a descoberto de curto prazo; embora possam ser uma ferramenta potente para a especulação ou para a cobertura nas mãos de operadores de mercado e investidores experimentados, estes ETF devem ser usados com muita cautela pelos novos investidores.

 

Texto original em https://www.investopedia.com/articles/investing/072214/what-short-etf.asp

 

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