No passado dia 10 de março abriu ao público, na vizinha cidade de Pádua, a exposição Joan Miró: Materialità e Metamorfosi, que reúne oitenta e cinco obras do célebre artista surrealista catalão, nascido em Barcelona em 1893 e falecido em Palma de Maiorca em 1983. A coleção de quadros, desenhos, esculturas, colagens e tapeçaria, que poderá ser apreciada nas instalações da Fondazione Bano até 22 de julho, pertence ao Estado português e já esteve em exibição na Casa de Serralves e no Palácio da Ajuda em Lisboa.
No antigo edifício medieval de Palazzo Zabarella, o público italiano poderá ver a exposição organizada pela Fundação Serralves, comissariada em particular por Robert Lubar Messeri, grande especialista de Miró. É a primeira vez que a coleção sai de Portugal para disponibilizar a outros públicos uma série de obras de alguma forma inéditas, que se caracterizam por uma marca estilística e uma linguagem pictórica em certa medida diferente das obras mais conhecidas do pintor.
Ao longo de quase seis décadas de atividade do mestre catalão (entre 1924 e 1981), o percurso expositivo visa documentar as metamorfoses artísticas nos vários suportes usados por Miró e os seus processos de elaboração criativa, recorrendo a todos os sentidos e não apenas à visão. A quantidade e a qualidade dos materiais usados como suporte para a pintura são surpreendentes, incluindo papel japonês, areia, folhas de jornal, sacos de farinha, cordas e vários outros.
Como é sabido, trata-se de uma coleção completamente peculiar, que se encontra na posse do Estado na sequência da nacionalização, em 2008, do Banco Português de Negócios, que a adquiriu em 2006 de um colecionador japonês. Esteve para ir a Leilão pela Christies’s, mas os protestos do mundo artístico e cultural felizmente conseguiram evitar a perda inestimável deste património, possibilitando agora a sua circulação prestigiosa mesmo fora do país.