O CONSELHO INTEMPORAL DE ARISTÓTELES SOBRE O QUE É A VERDADEIRA AMIZADE E PORQUE É QUE ELA É IMPORTANTE, de ZAT RANA

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

O conselho intemporal de Aristóteles sobre o que é a verdadeira amizade e porque é que ela é importante

Zat Rana, Aristotle’s Timeless Advice on What Real Friendship Is and Why It Matters

Medium.com, 5 de Dezembro de 2017

 

https://medium.com/personal-growth/aristotles-timeless-advice-on-what-real-friendship-is-and-why-it-matters-c0878418343

 

Aos 17 anos, Aristóteles matriculou-se na Academia de Platão. Ele ficou lá por 20 anos.

Fundado pelo pai da filosofia ocidental, o filósofo grego Platão, Aristóteles foi o aluno mais promissor da época. Fazia muitas perguntas e dava muitas mais respostas.

A altura da sua partida da Academia levanta muitas dúvidas, mas é dito que ele partiu logo a seguir à morte de Platão devido ao seu desagrado com a direção que a Academia posteriormente tomou. Nos anos seguintes, ele até argumentou contra muitas das ideias centrais do seu falecido professor.

É impossível dizer quanto é que Aristóteles escreveu, mas mesmo na fração de seu trabalho que nos resta hoje, há uma enorme profundidade nos assuntos que ele abordou.

Todos os campos, desde a astronomia e da física à ética e à economia têm sido influenciados pelo trabalho de Aristóteles. Durante mais de 2.000 anos depois da sua morte, Aristóteles permaneceu como um dos pensadores mais amplamente lidos e citados na história da humanidade.

Enquanto que o seu impacto ainda hoje possa ser sentido em muitos assuntos diferentes, talvez a mais precisa das suas observações esteja relacionada com a amizade. Ele encarava a amizade como uma das verdadeiras alegrias da vida, e achava que uma vida bem vivida precisava de  ser construída em torno de uma tal camaradagem. Nas suas próprias palavras:

“Na pobreza, assim como nos outros infortúnios, as pessoas supõem que os amigos são o seu único refúgio. E a amizade é uma ajuda para os jovens, salvando-os do erro, assim como também para os idosos, tendo em conta os cuidados que necessitam e a capacidade diminuída de ação decorrente da sua fraqueza; é uma ajuda também para aqueles que no auge da sua realização de ações nobres, pois “dois que estão juntos” são mais capazes de pensar e agir”.

As amizades acidentais

Aristóteles delineou dois tipos de amizade mais comuns, que são mais amizades acidentais do que intencionais.

A primeira é uma amizade pela  utilidade. Nesse tipo de relação, as duas partes não estão em relação pelo afeto entre uma e outra, mas sobretudo porque cada uma delas beneficia com a relação de amizade estabelecida.

Não é permanente por natureza e sempre que a vantagem da sua existência acaba, o mesmo acontece com o relacionamento que reuniu as partes em questão. Aristóteles observou que isso é mais comum nas pessoas mais velhas.

Um exemplo disso seria uma relação de negócio ou uma relação de trabalho. Cada um pode aproveitar o tempo que passam juntos, mas quando a situação muda, a natureza da sua ligação também muda.

Da mesma forma, o segundo tipo de amizade acidental é aquele baseado no prazer. Este, no entanto, é mais comum entre pessoas mais jovens. É o tipo de relacionamento frequentemente visto entre amigos de faculdade ou pessoas que participam da mesma equipa desportiva.

A fonte de tal amizade é mais emocional, e muitas vezes é a mais curta das relações. Tudo vai bem enquanto as duas partes desfrutam de um interesse mútuo em algo que lhes é externo, mas acaba tão rápido quanto os gostos ou as preferências mudam.

Muitos jovens passam por fases diferentes nos seus pontos de vista sobre o prazer, e muitas vezes, as pessoas nas suas vidas tendem a mudar conforme a fase em que se estão a readaptar ao longo do tempo.

A maioria das amizades que muitos de nós temos estão nessas duas categorias, e embora Aristóteles não as tenha visto como necessariamente ruins, sentia que a sua profundidade limitava a sua qualidade.

Tudo bem, e é até mesmo necessário, ter amizades acidentais, mas há muito mais por aí.

A amizade do bem

A forma final de amizade que Aristóteles delineou é também a mais preferida das três.

Em vez de utilidade ou prazer, esse tipo de relacionamento baseia-se numa apreciação mútua das virtudes que a outra parte considera importantes. São as próprias pessoas e as qualidades que elas representam que fornecem o incentivo para que as duas partes estejam em relação de amizade umas com as outras.

Ao invés de ser de curta duração, tal relacionamento geralmente dura até ao fim da vida, e geralmente existe um nível básico de bondade requerido em cada pessoa para que ela exista em primeiro lugar.

As pessoas que não têm empatia ou não se importam com os outros raramente desenvolvem esse tipo de relacionamento porque, na maioria das vezes, a sua preferência é para procurar prazer ou utilidade. Além disso, as amizades de virtude levam tempo e confiança para se constituírem. Elas dependem do crescimento mútuo que ocorre nas diversas pessoas.

É muito mais provável que cada um de nós se ligue a esse nível com alguém quando se vê o outro numa situação difícil ou  viu-o crescer ou ainda se ambas as partes  enfrentaram dificuldades mútuas em conjunto.

Além da profundidade e intimidade, a beleza de tais relações é que elas incluem automaticamente as recompensas dos outros dois tipos de amizade. Elas são agradáveis e benéficas.

Quando se respeita uma pessoa e se cuida dela, então fica-se feliz por estar com ela. Se se trata de uma pessoa suficiente boa  para justificar essa relação, então também há utilidade.

Essas relações exigem tempo e intenção, mas quando florescem, são feitas com confiança, respeito, admiração, muita admiração. Elas trazem consigo algumas das alegrias mais importantes que a vida tem para nos oferecer.

Tudo que o que cada um de nós precisa saber

Se se trata de alguém que é lido há mais de 2.000 anos, geralmente há um bom motivo.

Nem tudo o que Aristóteles escreveu é considerado relevante hoje, e muitas das suas considerações já foram contestadas, mas dada a originalidade das suas ideias para o tempo em que ele viveu, é difícil não ficar impressionado com o seu pensamento. Poucos nomes na história são tão influentes como Aristóteles.

Ele ensinou-nos a analisar o mundo empiricamente e inspirou gerações de pensadores e filósofos a considerar o papel e o valor da ética na conduta quotidiana das nossas vidas.

Para a pessoa comum, no entanto, a mais relevante das suas ideias está relacionada com a importância atribuída às boas relações. Ele estava particularmente curioso sobre a intenção de amizade.

Enquanto ele via o valor das amizades acidentais baseadas no prazer e na utilidade, sentia que a sua inconstância diminuía o seu potencial. Estas relações careciam de profundidade e de uma base sólida.

Em vez disso, ele defendeu que se cultivassem amizades virtuosas, construídas com intenção e baseadas numa apreciação mútua de caráter e bondade, e não em nenhum valor mercantilizável.

Ele sabia que tais amizades só poderiam ser fortalecidas com o tempo e que, se prosperassem, durariam por toda uma vida. Para Aristóteles, poucas coisas na vida teriam um  valor que se aproxime da importância de uma tal relação de amizade.

Isto faz todo o sentido. No final do dia, os laços que forjamos com aqueles que nos são próximos moldam diretamente a qualidade das nossas vidas. Nós somos, e nós vivemos, com as pessoas com quem passamos o nosso tempo.

Para a maioria das coisas, a vida é suficiente longa. É, no entanto, muito curta para os tipos errados de amizade.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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